quinta-feira, agosto 14, 2003
3.
Da nossa janela as ondas eram perturbadoras mas de uma beleza incomparavél. Isto da nossa janela da frente. Mas se espreitássemos a das traseiras da casa que dava para a pequena vila piscatória, as ondas ganhariam outra dimensão. A dimensão da perda. Da morte.
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Rute Coelho
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2.
Desse Inverno relembro também as ondas. Gigantes que se impunham sobre as rochas, que engoliam a areia e violavam a terra dos homens. Relembro a fúria do vento que nos fustigava o rosto no caminho para casa. Relembro a lareira acesa que me acolhia. Relembro os teus braços e a chávena de chá a fumegar. Relembro o meu sorriso de luar...
Maria da Lua
Maria da Lua
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Rute Coelho
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1.
Daquele Inverno... em que te tive, em que te senti nos meus braços e em que acreditei em esperanças. Nas tuas ou nas minhas, não importa. E que diferença isso faz, se eram apenas minhas essas esperanças?
Esperanças são sempre esperanças e por mais que fossem minhas, eu podia emprestá-las a ti, nem que fosse por um bocadinho. E talvez assim tu pudesses acreditar em nós. E nesse Inverno.
Esperanças são sempre esperanças e por mais que fossem minhas, eu podia emprestá-las a ti, nem que fosse por um bocadinho. E talvez assim tu pudesses acreditar em nós. E nesse Inverno.
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Rute Coelho
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Uma vez mais...
Uma vez mais...
Os olhos brilham com uma intensidade brutal. Sinto-me fora do meu corpo e deixo-o agir como se eu já não o comandasse. Agora é ele sozinho que te beija, que te prende e te quer sempre assim, junto dele. E ainda mais perto de mim. É possivél?
Pronuncio palavras que desconheço a sua origem e o seu real sentido, mas são as únicas que me ocorrem neste momentõ. Serão mesmo minhas? Deixo que o teu corpo se estenda sobre o meu. Quero que o sintas. Que estejas próximo de mim. Ainda mais. Sempre mais. Mas...uma vez mais foges, refugias-te no teu mundo pré-programado e despedes-te de mim. Com um sorriso. E muitos silêncios.
Sentada no sofá, fumo o último cigarro do dia e sei como se sabe sempre, foi a última vez. Adeus...
Os olhos brilham com uma intensidade brutal. Sinto-me fora do meu corpo e deixo-o agir como se eu já não o comandasse. Agora é ele sozinho que te beija, que te prende e te quer sempre assim, junto dele. E ainda mais perto de mim. É possivél?
Pronuncio palavras que desconheço a sua origem e o seu real sentido, mas são as únicas que me ocorrem neste momentõ. Serão mesmo minhas? Deixo que o teu corpo se estenda sobre o meu. Quero que o sintas. Que estejas próximo de mim. Ainda mais. Sempre mais. Mas...uma vez mais foges, refugias-te no teu mundo pré-programado e despedes-te de mim. Com um sorriso. E muitos silêncios.
Sentada no sofá, fumo o último cigarro do dia e sei como se sabe sempre, foi a última vez. Adeus...
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E foi assim...
"E foi assim...- começou ela a história. Interrompi-a mesmo na primeira frase, antevendo mais um drama lamechas e novelesco. Quis quebrar-lhe a cadência do pensamento e suster nos meus olhos, o brilho dos olhos dela. Porque no final da história iriam haver lágrimas. Haveriam sempre. Em cada história o final era sempre igual. Ela sozinha. Com lágrimas nos olhos, com um cigarro na mão e com a noite por companheira fiel.
Desta vez ela não me fez a vontade e continuou a narrativa e eu desisti de a interromper. Ouvi-a em silêncio. Entre o comovido e o desesperado. Mas sempre em silêncio. Porque a música branca das palavras e dos sentimentos que ela tão bem descrevia era tudo. E foi assim....
"Na nossa história houve de tudo. Sorrisos de um só instante, sem mais nada, sem pensar no que nesse outro e necessário depois. Depois de amanhã quando quissémos encerrar o último capítulo e esquecer. Apagar a nossa memória e reiniciar o jogo. Esquecer simplesmente. Como se fosse possivél. Ele queria que fosse. Ele queria que eu o olhasse e não o visse. Mas vi-o. Porque há olhares que brilham sem que o saibas. Há vazios que não se podem solucionar assim, sem mais nada. Há carinhos e ternuras que não se nomeiam e há ou houve, já não sei, beijos que se pedem e perdem na memória de momentos que se querem para ser repetir.
Mas, sabes, amigo... eu procurei-o. Durante muito tempo. Mesmo depois de me ter dado conta que ele já tinha partido para longe de mim. Persegui os cheiros que deixara na minha pele, os sonhos que deixara na minha almofada. E depois... O espaço vazio da minha cama tomou conta de mim. E depois... apercebi-me que estava de novo só. Ele não queria ser encontrado, nem perseguido. Ele não queria o meu amor"
- Como vês estou de novo sozinha- disse-me assim que terminou a sua história.
A história que adivinhei ser a última pelas feridas que causara e pelas esperanças que ela depositara nela. Não sei se será. Ela é ainda tão nova. Tão cheia de vida, tão adepta de desafios e de lutas interminváveis, mas tão frágil, abnegada e voluntariosa nas suas entregas que um dia tenho medo... Medo que desta vez a dor não a faça mover, mas a engula.
Esta foi mais uma história. Quem sabe a última?
Mas como ela própria diz com os olhos a brilhar de contentamento: "Estou viva. E se vivo, sofro e se sofro amo, nem que seja a única a amar. Esse é o meu privilégio: amar sempre. Porque os outros os que não sofrem, também não amam e também não se entregam. Mas também não vivem"
Desta vez ela não me fez a vontade e continuou a narrativa e eu desisti de a interromper. Ouvi-a em silêncio. Entre o comovido e o desesperado. Mas sempre em silêncio. Porque a música branca das palavras e dos sentimentos que ela tão bem descrevia era tudo. E foi assim....
"Na nossa história houve de tudo. Sorrisos de um só instante, sem mais nada, sem pensar no que nesse outro e necessário depois. Depois de amanhã quando quissémos encerrar o último capítulo e esquecer. Apagar a nossa memória e reiniciar o jogo. Esquecer simplesmente. Como se fosse possivél. Ele queria que fosse. Ele queria que eu o olhasse e não o visse. Mas vi-o. Porque há olhares que brilham sem que o saibas. Há vazios que não se podem solucionar assim, sem mais nada. Há carinhos e ternuras que não se nomeiam e há ou houve, já não sei, beijos que se pedem e perdem na memória de momentos que se querem para ser repetir.
Mas, sabes, amigo... eu procurei-o. Durante muito tempo. Mesmo depois de me ter dado conta que ele já tinha partido para longe de mim. Persegui os cheiros que deixara na minha pele, os sonhos que deixara na minha almofada. E depois... O espaço vazio da minha cama tomou conta de mim. E depois... apercebi-me que estava de novo só. Ele não queria ser encontrado, nem perseguido. Ele não queria o meu amor"
- Como vês estou de novo sozinha- disse-me assim que terminou a sua história.
A história que adivinhei ser a última pelas feridas que causara e pelas esperanças que ela depositara nela. Não sei se será. Ela é ainda tão nova. Tão cheia de vida, tão adepta de desafios e de lutas interminváveis, mas tão frágil, abnegada e voluntariosa nas suas entregas que um dia tenho medo... Medo que desta vez a dor não a faça mover, mas a engula.
Esta foi mais uma história. Quem sabe a última?
Mas como ela própria diz com os olhos a brilhar de contentamento: "Estou viva. E se vivo, sofro e se sofro amo, nem que seja a única a amar. Esse é o meu privilégio: amar sempre. Porque os outros os que não sofrem, também não amam e também não se entregam. Mas também não vivem"
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O 1º ( de muitos?)
Acho que é para isto que servem os blogs, para comunicarmos. A maior parte das vezes acabam por ser monológos. Mas sempre com a esperança de alguém nos leia, nos comente, critique ou na mais rara das hipóteses nos elogie e incentive a continuar.
Bem vindos a esta nova lua!
Maria da Lua
(MDLSSPC@hotmail.com)
Bem vindos a esta nova lua!
Maria da Lua
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