terça-feira, agosto 19, 2003

agarra-me nos cabelos e leva-me até à cama loucamente. ou então abre os teus braços e deixa-me aninhar no teu colo. grita ou então murmura-me segredos que não te atreves a confessar a mais ninguém. fecha todas as janelas, evita o outro mundo e suga-me o meu. ou então abre a janela e vê o luar.
podes ficar em silêncio. naquele silêncio simples onde os nossos olhares e sorrisos se encontram. podes falar: dizer todas aquelas coisas que me magoam, mas que sei verdadeiras.
podes ficar e deixar-me decorar cada pedaço do teu corpo até o conhecer melhor do que o meu.podes ir. dizer-me adeus da rua e acenar enquanto entras rapidamente no carro. podes ficar e deixar o resto para trás. ignorar o passado, o presente e o futuro. podemos ficar suspensos no tempo e neste quarto que alguém constriu para nós.
podes inventar um nome para nós, nomear e simplificar sentimentos ou então podes vivê-los sem mais nada.
podes. eu já não posso mais nada porque continuo presa a ti.

Maria da Lua

Presa

Se te tive não dei fé. Se me pertenceste nunca o senti. Então como se pode perder algo que nunca foi verdadeiramente nosso?
Não sei te falar disso. Sei só do vazio. Do frio. E da dor. Do mundo que gira igual. Das pessoas que correm. Dos velhos que morrem e das crianças que nascem. Sei também que me sinto parada no meio de uma rua movimentada e que a qualquer momento posso ser atropelada. Mas não me consigo mexer. Sinto-me presa. Presa ainda a ti.
E no meio da rua, se calhar ainda à tua espera...

Maria da Lua

Sorrisos...

Há sorrisos que nos deixam assim... sem palavras. Há sorrisos que nos enxugam lágrimas e outros ainda que evitam que elas caiam. Há sorrisos que nos tomam de assalto o coração e nos conquistam. Como o teu.
Detesto os sorrisos forçados, amarelos, gelados e convencionais. Gosto dos grandes sorrisos. Cheios de Vida, de confiança no amanhã, mesmo que seja um amanhã de lutas e de luas novas. Gosto do teu sorriso ao pé de mim. No meu luar...

segunda-feira, agosto 18, 2003

Aos meus amigos...

Essenciais, presentes, leais, pacientes. Estes sao os meus amigos. Talvez tao iguais aos de toda a gente. Mas mesmo assim especiais. Porque sao meus. Porque como o poeta diz "Precisa-se de um amigo para nao se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizaçoes, dos sonhos e da realidade." E "Não precisa ser homem, basta Ser Humano, basta ter sentimentos, basta ter coraçao."
"Precisa-se de um amigo que diga
que vale a pena viver,
nao porque a vida e bela,
mas porque ja se tem um amigo."


(Vinicius de Moraes)

E digam-me... e ou nao e marivilhoso ter um AMIGO?

Maria da Lua



Velhos preconceitos...

A idade pouca importa quando falamos de sentimentos, disseram-me um dia. Depois desse dia falaram-me em conflitos de gerações, nos velhotes que já não nos percebiam, etc. Hoje falo eu. Porque já sei falar de sentimentos. E esses continuam sem idade...

domingo, agosto 17, 2003

Promete-me...

Se um dia não for a lua a iluminar a nossa noite, promete-me que me darás um aviso. Promete-me que quando os nossos beijos deixarem de ter o sabor da descoberta, do desejo ou da ilusão magnífica de sermos jovens e imortais, promete-me que me deixarás de me beijar. Não quero beijos em vão. Nem beijos de rotina ou de obrigação. Quero os beijos de agora. De amizade, de paixão, de intensidade e de novidade. Beijos ávidos que se perdem entre suspiros, beijos quebra-nozes que nos arrastam um pouco por toda a casa. Beijos pequenos que enfeitam o teu rosto quando acordas. Beijos teus. Beijos meus. Beijos nossos... promete-me que vão ser sempre assim e sempre nossos. Mesmo quando os deixarmos de os dar.

Maria da Lua

sábado, agosto 16, 2003

Há dias assim...

Se te dissesse que precisava de um colo, virias ter comigo? Limparias as minhsa lágrimas e esticavas os meus lábios até me conseguires arrancar um sorriso? Pegar-me-ias pela cintura e elevar-me-ias para me mostrares como o céu é bonito e como vale a pena continuar?
Não, pois não? No mínimo dirias duas ou três palavras de circunstância e eu no fim seria obrigada a admitir, que não era nada de importante o que te queria dizer.
Mas era...preciso de um colo. O teu. Vens?

Maria da Lua
MDLSSPC@hotmail.com

sexta-feira, agosto 15, 2003

6. O Fim

É Verão. Quente. Um calor abrasador que invade todos os meus sentidos e deixa o meu corpo nesta imensa letargia. As árvores morrem um pouco por todo lado. Queimadas. Mas de pé. Estou cansada de tudo isto. De passar os dias a chorar por algo que já passou. A partir de hoje, vou passar a sorrir perante a lembrança daquele Inverno. Vou deixar o cansaço de lado e lutar. Prometo-te Maria Ana, estejas tu onde estiveres.

Maria da Lua

5.

Quando ainda regresso a essa vila e à casa branca que arrendámos nesse Inverno, encontro por vezes a Maria Ana. Ela finge que não me vê. Tem vergonha daquilo que se tornou. Mas eu continuo a ter a mesma ternura por ela. E, Maria Ana, acredita, não é pena o que vês nos meus olhos, é só mesmo isso ternura.
Voltar a essa vila, é tentar resgatar um Inverno e umas memórias que são só passado, mas que busco incessantemente num acto de masoquismo absoluto. Só para saber que acabou. Só para ter a confirmação de que realmente estou só. Como a Maria Ana.

quinta-feira, agosto 14, 2003

4.

Desse Inverno relembro tambem a Maria Ana. Uma jovem de olhos azuis (cor-de-mar) que odiava o mar, mas que passava horas na praia a contemplar as ondas e a odiar em silenncio. O mar tinha levado o pai e o irmÃomais velho. E a mãe... essa tinha-se fechado para sempre no seu mundo de luto. Os olhos tristes e vidrados no infinito, nao se podiam permitir amar novamente ninguém. Nem mesmo a filha que crescia solta pelas ruelas da vila à procura de uma migalha de carinho. Sem redes para segurar o peixe. E a unica isca que conhecia era o seu proprio corpo.