sexta-feira, setembro 05, 2003

A minha resposta

Leio. Volto a reler. Uma e outra vez. As tuas palavras inscritas em papel de rascunho. E continuo sem saber o que te dizer. Mas não me canso de as ler. Tenho medo do avesso delas. E dos silêncios que as intervalam e que eu conheço de cor. São os mesmos silêncios das nossas conversas, os silêncios que ficam quando as palavras são demais e basta um sorriso, um olhar, um gesto. Mas tenho obrigação de as comentar, de lhes dar uma resposta. Contudo as palavras escapam-se entre os dedos e conduzem-me de novo ao abismo do silêncio. Desta vez meu. Porque não consigo dizer mais do que o meu olhar já diz. E ele não mente. Não a ti.

quinta-feira, setembro 04, 2003

Hoje

Quero parar de viver. Dissolver-me me. Ficar quieta a espera de uma onda que me leve e que de preferencia nao me traga de volta a isto.
Ao frio, ao vazio, ao medo de ser sempre assim. Hoje, só por hoje, queria parar. Deixar o mundo, as pessoas, deixar-me a mim mesma numa leve cadencia de abandono. Desaparecer. Sumir-me. Dissolver-me. Em qualquer lugar. Menos aqui.

Que dizer?

Que te tenho, ou que te tive? Agora que estas distante, bem longe de mim, na outra ponta do banco, mas longe de mim. Se quiser estender estender o braco nao vou poder tocar-te. Engano a solidao e digo que estou contigo. Estou?
Que dizer? Que te tenho ou que te tive?

quarta-feira, setembro 03, 2003

Viagens...

"Inscricao sobre as ondas

Mal fora iniciada a viagem
um deus me segredou que eu nao iria so.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
supondo ser a luz que o deus me segredou."


David MourÃo- Ferreira

Assim caminho eu... procurando-te entre rostos e corpos que se aventuram pelo mundo. Assim caminho eu ate ti. Encontrar-te-ei?
Hoje a noitinha, encontras-te comigo? No si­tio do costume,na hora dos magicos cansacos, pode ser? Farei uma pausa para parar de viver. Ficarei suspensa entre este e o outro mundo, entrelacada nas tuas palavras e aninhada no conforto de te ter encontrado. Mesmo sem sequer saber se es tu, a luz que o deus me segredou.
Assim caminho eu... de braços abertos. Sem mapa, sem bussola. De olhos fechados.

segunda-feira, setembro 01, 2003

Se tu viesses

Se tu viesses...
Com um beijo, uma flor ou um carinho
Se enrolasses o teu dedo no meu mindinho
E caminhássemos pela rua
Eu seria somente tua

Se tu viesses...

Sonos e sonhos...

Ficas?
Não.
Só por hoje...
Não.
Até eu adormecer
Não.
É a tua última resposta?
Não.

Beijou-me. Desses beijos leves e doces que nos embalam à volta do tempo e nos trazem de volta a vontade de nos aninharmos em alguém e ficarmos assim... seguros e quase, quase felizes.
Hoje à falta de ti, porque hoje não ficaste para dormir, aninho-me na escuridão, nessa falta de ti, lembro os jogos de palavras e os braços. Os teus. Nesses abraços infindáveis que me levam para lá do sono. Em sonhos. Só meus.

Voltar...

Por norma, Setembro é o mês das partidas e dos regressos. E eu também não fujo à regra, volto em Setembro para outros lugares que não esta praia, volto para longe desta neblina que me acolhe todas as manhãs e para os outros rostos que não estes curtidos pelo sol e sal. Volto para os rostos stressados que se amontoam um pouco por todo lado em Lisboa, volto para a confusão em que me deixo perder. E volto para minha solidão que é feita de gente. Tanta gente...

Poderia viver assim...

Poderia viver assim: de ti. Da cor do teu sorriso, do silêncio das tuas palavras e do teu olhar de sonho, da tua pele que queima sempre que me toca. Poderia viver só disso: de ti. Das noites de conversas, carinhos, café e cigarros, que acabam por ser madrugadas de estrelas e luas vazias. Ou então das outras nossas noites. Ébrias. Em que bocas, olhos, odores e sorrisos se misturam. Nessas noites tenho medo. Medo de querer viver assim: de ti. Dos teus sonhos sussurrados que me parecem sempre contos de fada que nunca serão vividos por mim. Dos meus sonhos que me falam em coisas simples como acordar de manhã e ver-te ao meu lado. Poderia...

Poema mal acabado

Houve abraços guardados
que nunca te dei
sonhos inacabados
e beijos leves que não te roubei

Há silêncios obrigados
que se transformaram em lei
pensamentos vedados
onde só eu amei.

À noite...

A noite é uma estrada
que percorremos de mão dada

encontramos na madrugada
a cúmplice idealizada

somos dois, e um nada
contra a corrente transtornada

fazendo disto uma história demorada
mesmo já tendo sido avisada

que a nossa secreta madrugada
será substituída por uma diferente alvorada.