terça-feira, novembro 25, 2003

de volta ao tempo

que me esquece, que passa por mim e não me vê e não me leva para lá daqui. De volta ao tempo que não me traz notícias tuas. Eu sei... é preciso esperar. As palavras voam para lá de mim e tentam de todas as formas encontrar-te. Queria-te ter aqui. Sem ter de esperar muito. De volta ao tempo que não me traz notícias tuas...

Não consigo

deixar de escrever hoje. Adio as obrigações, escapo-me aos horários e ás pessoas e isolo-me aqui, nesta sala cheia de pessoas sérias e compenetradas que pesquisam e trabalham e eu escrevo. Porque é a forma de te encontrar e de me encontrar a mim mesma também. Num dia frio, mas cheio de sol, cheio de emoção. Em que sorrir faz mais sentido do que qualquer outra coisa. E é assim hoje que escrevo com um sorriso nos lábios e um outro bem mais profundo que se adivinha nos olhos castanhos de amêndoa. Amarga ou doce? Já foram doces. Agora talvez voltem a sê-lo novamente, se o sorriso perdurar. Se os medos, a rotina e tudo o resto não o estragar. E será ainda mais sorriso se tu existires.
O amor existe. Bem como as paixões. E fazem sofrer. E fazem ultrapassar os nossos próprios limites. E fazem-nos pôr em causa os nossos príncipios e aquilo em que acreditamos. Mas também nos fazem sorrir com os olhos. Chama-me romântica ou emotiva, não me importo. Mas ainda acredito no calor dos corpos quando faz frio. E principalmente ainda acredito na partilha e na entrega de um espaço, de um tempo vivido a dois. Porque é isso: são as emoções que me fazem viver. Chorar e rir. Cair e continuar. Um dia, talvez acredite em ti e te dê razão. Não hoje, não ainda.
Apesar de tudo e por talvez por isso tudo ainda acredito que é possivél. Não deixes tu de acreditar...

Garrafinhas de água...

Plagio-te. Mas adorei a expressão, acho que diz tudo sobre a escrita. A tua e a minha. Isto que escrevo aqui são desabafos espontâneos sem qualquer pretensão a literatura. São contracções de uma dor de parto interminavél. São espasmos (de novo o plágio, desculpa!) que me assaltam diarimanete. Mesmo quando não tenho nada para dizer. Como hoje. Em que o silêncio do primeiro encontro e da supresa foram ultrapassados pelos risos e sorrisos cheios de espontaneidade. Adorei conhecer-te. Agora quero descobrir-te. Sem pressas. Sem paixões e sem amores porque isso não existe, verdade?

segunda-feira, novembro 24, 2003

Figuras geométricas

Não gosto de figuras geométricas. De linhas contínuas e perfeitamente delineadas a régua e esquadro. Gosto do improvável. Do imprevisto. De linhas curvas. Detesto triângulos. Um dos vértices acaba sempre magoado. Ou então todos. Prefiro linhas sem destino que caminham juntas ou separadas, mas sem uma direcção pré-definida. Gosto de encontros. De desencontros que redundam em desilusões, mas que nos contam uma experiência feita de lágrimas e desesperanças. Prefiro tudo isso a viver amarrada a uma figura geométrica. Como um triângulo em que um dos vértices acaba magoado. Arrisco sair da segurança da desilusão e da tristeza para novas aventuras. Fora do triângulo. E fora de qualquer figura geométrica, rumo ao imprevisto. Ao futuro. Das linhas curvas. Aos encontros e desencontros.

domingo, novembro 23, 2003

Eu sei que vou te amar

"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida"

Vinicius de Moraes

É a música simples que ecoa no teu beijo. A banda sonora do meu sonho. As palavras soltas que se proferem de vez em quando. É a ausência, a saudade e a dor. Os sorrisos, os abraços e os beijos. A entrega, a partilha e a esperança. És tu. Sou eu. É o amor. Em palavras...

sábado, novembro 22, 2003

Tempo

elasdisseram que o que o tempo quando dói é devagar. Aproveito o mote e olho para o relógio. Os ponteiros parecem que não saem do sítio. Ainda falta tanto para me vires buscar! Já me vesti e despi umas dezenas de vezes. Maquilhei-me mais umas quantas vezes. Pus umas gotas daquele perfume que tanto gostas, atrás das orelhas e nos pulsos. E espero por ti. Pelo tempo que não passa. Espero por esse outro tempo que ainda não passou. Dos beijos que se dão no canto na boca, quando se quer e se adivinham os outros. Profundos e deliciosos. Das mãos que brincam insistentemente com o cigarro ou com a colher do café. Enquanto o tempo, não se deixa enganar e anda devagar. Enquanto olhos devoram outros olhos e as palavras fazem as vezes de corpos que se querem juntos, antes que o relógio pare e o tempo, o nosso tempo acabe. Porque acaba quase sempre. E quando dói é devagar. Como agora, que para variar, estás atrasado. Ou será que sou eu que estou demasiado adiantada?!

sexta-feira, novembro 21, 2003

Solidões...

Dizem que a paixão o conheceu

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos
Al Berto

quinta-feira, novembro 20, 2003

Desculpa

não te posso conceder esse desejo. Hoje voltar a escrever iria ser uma seca para quem está desse lado. porque iria escrever sobre ti, que me lês avidamente, que me fazes corar como ninguém, que vampirizas os meus pensamentos e que relembras como é bom sentir-nos acompanhados num mundo onde andamos cada vez mais sós.
Além disso não seria um texto deprimente, porque tu fazes-me bem. Não haveria lágrimas, nem tristezas para descrever, nem zangas com o mundo, ou memórias para acabar de esquecer. Só palavras que enchem imensas frases com que nos vestimos e despimos mutuamente.
Voltar a escrever hoje seria isto. Que achas? Ainda manténs esse desejo?

palavras e vozes

Ainda não acredito que existas. Desculpa. Mesmo depois de tantas palavras que já¡ me escreveste e que começaram por acaso. Acredito que não devas ser real. Não há pessoas assim.
E depois, estes encontros são feitos disto: de palavras... que falam de poeiras suspensas que pairam no ar. Poeiras que ninguém parece ver. Tal é a pressa de passar pelas coisas, pela vida. Por isso repito: não acredito que existas, que consigas ver e sentir estas poeiras. Já não há pessoas assim, disseram-me um dia. E eu fingi acreditar.
Ouvir a "Voz" foi mais um passo para essa irrealidade que já me acostumaste. E se sempre quis que a nossa realidade fosse apenas virtual e o nosso universo apenas a blogoesfera, agora começo a desejar uma outra realidade.
Não adivinho o futuro. Nem faço projectos. Nem deixo a imaginação voar mais. Fico-me por aqui, nesta nossa realidade feita de palavras e de vozes que se cruzam em espaços desconhecidos. Não sei se és real. Se existes para alguém destas vozes e palavras cheias de mistérios para descobrir.
Agora somos dois em busca da aventura. Três, se contarmos com o Indiana Jones que nos ajudará a percorrer as trilhas mais dí­ficeis e a evitar armadilhas.
Alinhas na aventura?