sexta-feira, novembro 28, 2003

E como tudo tem um fim

este espaço também está prestes a terminar. Não é a falta de tempo para escrever. Talvez seja a falta de palavras e mas ainda mais verdadeiro é a falta de mim. Do que vos dizer. Do que vos contar. Esperam-se as últimas coroas de flores para poder acabar de deitar a terra que é como quem diz, "delete your blog", as orações para que o blog descanse em paz, as lágrimas da ausência e as saudades que ele vai deixar. Espero por isso tudo, para nos dias mais próximos me convencer a deixar este espaço. O meu luar.

quinta-feira, novembro 27, 2003

Voo

Voo. Mesmo com as asas magoadas e feridas. Não encontro local onde pousar e por isso continuo a voar. Cada vez mais alto. Cada queda dói mais do que a anterior, porque por detrás dessa queda há tantas outras acumuladas em si mesmas e que ainda doem. Mas não passo pela vida a planar. Isso não. Isso não consigo. Isso não sou eu. Gosto de sentir o vento frio, o temporal, de me enfiar dentro do nevoeiro espesso á procura de algo indefenido. Persigo o sol que incandeia o olhar. Voo de asas feridas. De olhos vendados. Voo, mas não plano. Isso não. Isso não sou eu. Nem quero ser.

Posso não te ver

como dantes, como quando nos encontrávamos diariamente e as nossas conversas eram horas roubadas ás aulas que trocávamos pelo café e pelos cigarros fumados no café do costume. Posso não contar as novidades do dia, do mês ou do ano. Podes não saber de que cor pinto as minhas unhas ou o meu cabelo, ou não reconhecer já o meu estilo de roupa, mas acho que ainda sabes o principal. Ainda sabes porque sorriem os meus olhos e ainda advinhas lágrimas em qualquer das minhas palavras. Por isso, posso não te ver, e não te vejo mesmo há um ano ou dois e não falo contigo há meses, mas continuas Amiga, como dantes, como sempre.

Espero que saibas reconhecer-te nestas palavras...

terça-feira, novembro 25, 2003

de volta ao tempo

que me esquece, que passa por mim e não me vê e não me leva para lá daqui. De volta ao tempo que não me traz notícias tuas. Eu sei... é preciso esperar. As palavras voam para lá de mim e tentam de todas as formas encontrar-te. Queria-te ter aqui. Sem ter de esperar muito. De volta ao tempo que não me traz notícias tuas...

Não consigo

deixar de escrever hoje. Adio as obrigações, escapo-me aos horários e ás pessoas e isolo-me aqui, nesta sala cheia de pessoas sérias e compenetradas que pesquisam e trabalham e eu escrevo. Porque é a forma de te encontrar e de me encontrar a mim mesma também. Num dia frio, mas cheio de sol, cheio de emoção. Em que sorrir faz mais sentido do que qualquer outra coisa. E é assim hoje que escrevo com um sorriso nos lábios e um outro bem mais profundo que se adivinha nos olhos castanhos de amêndoa. Amarga ou doce? Já foram doces. Agora talvez voltem a sê-lo novamente, se o sorriso perdurar. Se os medos, a rotina e tudo o resto não o estragar. E será ainda mais sorriso se tu existires.
O amor existe. Bem como as paixões. E fazem sofrer. E fazem ultrapassar os nossos próprios limites. E fazem-nos pôr em causa os nossos príncipios e aquilo em que acreditamos. Mas também nos fazem sorrir com os olhos. Chama-me romântica ou emotiva, não me importo. Mas ainda acredito no calor dos corpos quando faz frio. E principalmente ainda acredito na partilha e na entrega de um espaço, de um tempo vivido a dois. Porque é isso: são as emoções que me fazem viver. Chorar e rir. Cair e continuar. Um dia, talvez acredite em ti e te dê razão. Não hoje, não ainda.
Apesar de tudo e por talvez por isso tudo ainda acredito que é possivél. Não deixes tu de acreditar...

Garrafinhas de água...

Plagio-te. Mas adorei a expressão, acho que diz tudo sobre a escrita. A tua e a minha. Isto que escrevo aqui são desabafos espontâneos sem qualquer pretensão a literatura. São contracções de uma dor de parto interminavél. São espasmos (de novo o plágio, desculpa!) que me assaltam diarimanete. Mesmo quando não tenho nada para dizer. Como hoje. Em que o silêncio do primeiro encontro e da supresa foram ultrapassados pelos risos e sorrisos cheios de espontaneidade. Adorei conhecer-te. Agora quero descobrir-te. Sem pressas. Sem paixões e sem amores porque isso não existe, verdade?

segunda-feira, novembro 24, 2003

Figuras geométricas

Não gosto de figuras geométricas. De linhas contínuas e perfeitamente delineadas a régua e esquadro. Gosto do improvável. Do imprevisto. De linhas curvas. Detesto triângulos. Um dos vértices acaba sempre magoado. Ou então todos. Prefiro linhas sem destino que caminham juntas ou separadas, mas sem uma direcção pré-definida. Gosto de encontros. De desencontros que redundam em desilusões, mas que nos contam uma experiência feita de lágrimas e desesperanças. Prefiro tudo isso a viver amarrada a uma figura geométrica. Como um triângulo em que um dos vértices acaba magoado. Arrisco sair da segurança da desilusão e da tristeza para novas aventuras. Fora do triângulo. E fora de qualquer figura geométrica, rumo ao imprevisto. Ao futuro. Das linhas curvas. Aos encontros e desencontros.

domingo, novembro 23, 2003

Eu sei que vou te amar

"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida, eu vou te amar
Em cada despedida, eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida"

Vinicius de Moraes

É a música simples que ecoa no teu beijo. A banda sonora do meu sonho. As palavras soltas que se proferem de vez em quando. É a ausência, a saudade e a dor. Os sorrisos, os abraços e os beijos. A entrega, a partilha e a esperança. És tu. Sou eu. É o amor. Em palavras...

sábado, novembro 22, 2003

Tempo

elasdisseram que o que o tempo quando dói é devagar. Aproveito o mote e olho para o relógio. Os ponteiros parecem que não saem do sítio. Ainda falta tanto para me vires buscar! Já me vesti e despi umas dezenas de vezes. Maquilhei-me mais umas quantas vezes. Pus umas gotas daquele perfume que tanto gostas, atrás das orelhas e nos pulsos. E espero por ti. Pelo tempo que não passa. Espero por esse outro tempo que ainda não passou. Dos beijos que se dão no canto na boca, quando se quer e se adivinham os outros. Profundos e deliciosos. Das mãos que brincam insistentemente com o cigarro ou com a colher do café. Enquanto o tempo, não se deixa enganar e anda devagar. Enquanto olhos devoram outros olhos e as palavras fazem as vezes de corpos que se querem juntos, antes que o relógio pare e o tempo, o nosso tempo acabe. Porque acaba quase sempre. E quando dói é devagar. Como agora, que para variar, estás atrasado. Ou será que sou eu que estou demasiado adiantada?!