sexta-feira, janeiro 09, 2004

E porque

porque o teu olhar se encontrou com o meu. E porque um beijo aconteceu porque não deveria acontecer. E porque te escrevo porque sei que não me lês. E porque gosto de ti no segredos dos meus sonhos. E porque as minhas mais secretas palavras não te dizem nada. E porque te ouço em noites intermináveis sem sono. E porque o vento te traz, mesmo quando te empurro para lá de mim. E porque não me consegui ainda libertar de ti. E porque falo sempre do mesmo. E porque ainda te trago dentro de mim. Num recanto qualquer cheio de sorriso que por teimosia insisto em coleccionar. E porque gosto de ti... escrevo-me nestas linhas de lua cheia.

quarta-feira, janeiro 07, 2004

Pedaços de ti

Fragmentos que te esqueceste de levar contigo. Ou então talvez já nem sequer os quisseses de tão presos que ficaram em mim. Não me disseste adeus, foste-te despedindo aos poucos, como quem pede desculpa por se ir embora, quando já não pode mesmo ficar. E tu não podias. Fui apenas um porto em que demoraste apenas o tempo suficiente para deixares esta memória imensa: um filho. Nosso, no momento que mo deste agrafado a um beijo e um malmequer. Mas meu com pedaços de ti encrustrados nos olhos, no cabelo e no sorriso. Olho-o e sorrio. É por ele que vale a pena sorrir.

Espero

recolho-me nas sombras de uma noite que teima em não passar. Escondo-me aqui, nestas palavras que ninguém lê e permito-me à noite adormecer com a tua imagem nos meus olhos e o teu nome mil vezes repetido pelos meus lábios, embala-me os sonhos. Talvez seja por isso que não durmo em paz. Que tenho pesadelos e que acordo sempre sozinha. Talvez seja por isso que procuro noutra qualquer coisa, aquilo que sei que não podes dar. Mas ainda espero, mesmo sabendo que não posso esperar. E continuo à procura de algo que engane a falta que me fazes.

Plágios...

Sou contra, absolutamente contra estes absusos. Se escrevemos o que escrevemos é porque é íntimo e é nosso, apesar de estar publicado, apesar de meia dúzia de pessoas os lerem, estes pequenos contos e/ou apontamentos são nossos. Falo por mim. Pelo prazer, às vezes doloroso, de escrever. Porque desvendamos segredos e intimidades, porque construímos histórias à volta de nós próprios e porque muitas vezes nos permitimos ser nós próprios enquanto escrevemos. É por isso que aquilo que escrevemos é tão nosso. Pode ser partilhado. Mas continua ainda dentro de nós, porque só o som da nossa voz lhes dá o sentido e o sentimento. Assim por direito e por sentimento sou contra esses abusos que a Eva denuncionou no seu limbo e que também já me tinha acontecido a mim pela mesma pessoa.

Não...

Não, não desapareci do blog, nem deixei de escrever. Foi apenas uns desentendimentos técnicos comigo e com os computadores, nada de grave portanto! Obrigado pela preocupação de todos aqueles que me escreveram preocupados com o possivél fim deste Luar.

sábado, janeiro 03, 2004

A viagem

A chuva pingava nos vidros. Os outros, os amigos, lá atrás iam aos poucos adormecendo ao som do cansaço de mais uma viagem e de mais uma passagem de ano. Os kilómetros de estrada passavam por nós indiferentes. E nós, por eles, ainda mais indiferentes, serenos e certos do nosso destino. Tão calculado e quase tão previsivél que nada podia alterar aquela ordem das coisas.
Numa população qualquer estivemos parados imenso tempo à espera que um rebanho de ovelhas resolvesse acabar de passar a estrada. E nesse pequenino espaço de tempo, tudo se comprometeu, tudo se alterou. Eles dormiam embalados pelas brincadeiras, pelo alcóol e pelos sonhos. Nós acabávamos de acordar. Devagar. A custo. Como se cada gesto nos magoasse e nos fosse doloroso. Tínhamos medo. Mas também tínhamos tempo. O rebanho era grande. Elas eram lentas. E chovia. Eles dormiam.
Eu fui a primeira a descer neste lento regresso a casa. Já não chovia. Já não havia rebanhos e eles já tinham acordado. Mas nós ainda nos tínhamos. Com um beijo que não chegou a acontecer, mas que ficou preso nos cantos dos nossos lábios. Como uma promessa. À espera de uma outra viagem. De outro rebanho e de uma outra chuva.

Sem resoluções

Rompi a tradição este ano: Não comi passas. Não pedi os 12 desejos. Mas assim que ouvi as 12 badaladas, fechei os olhos com muita força e pensei em ti. Quando os abri de novo. Estavas à minha frente a perguntar-me pelas minhas resoluções de ano novo. Não te respondi. Não podia. Afinal tu és a minha mais firme resolução neste novo ano.

Em mim

Voltei. Ao lugar que criei sem quase sem querer e que aos poucos se tornou uma parte importante de mim. Voltei. Um ano mais velha. Com mais lágrimas, mais sorrisos e sobretudo com mais sonhos. Com mais energia e mais vontade de ser feliz. De sair do limbo, dos túneis perversos onde por vezes eu me escondo da luz. Porque ela fere os olhos. Voltei. A mim. Um ano mais velha, prontinha para tentar ser feliz neste novo ano. Feliz 2004!

sábado, dezembro 27, 2003

O nosso amor

Não sei se é amor. Nem sei se é nosso ou se é tão somente meu. Ou se aconteceu ou se fez acontecer com o decorrer do tempo que passou ao largo das nossos cigarros e cafés. Não sei se é amor. Não ouvi sinos, nem vi estrelas, não tive pétalas de rosa para enfeitar os meus sonhos. Por isso não sei se é um amor nosso. Advinho nos fins simples e desprovidos de emoção dos nossos encontros que é apenas um amor meu. Que o seja. Mesmo se não for amor. Mesmo que seja só meu. Sem estrelas ou sinos, sem rosas ou luares.