Doença infecto-contagiosa. Vírus letal. Prisão perpétua. Quarentena eterna, em camas impessoais, onde me deito, me esqueço de ti e me lembro que dói. Tudo. Corpo vivo a morrer em chama ardente. Memória lembrada por esquecer. Ferida que dói e se sente. Vela. Ardor, que inflama o corpo. Dói. Muito... Aqui e agora neste espaço pequenino em que as tuas mãos não tocam nas minhas. Em que estás longe, mesmo que eu te sinta perto. Tanto que parece insuportável não te poder tocar. Frases curtas com palavras grandes que não conseguem esgotar o frio que não se aquece, o ardor que não arrefece, nem com as lágrimas que congelam antes de despontarem nos meus olhos.
Fugir, esquecer, lembrar que estar viva é arrombar cofres e pilhar todos os sorrisos amarelos que se encontrarem. Perder-me para me depois me encontrar num café cheio sorrisos estranhos, onde pedir colo é tão simples como pedir um cigarro ou um gole de água. Morrer devagar, esfumando-se no sabor estranho do tabaco proibido.
Esconderijo forçado. Submundo da solidão. Onde não te encontro e por isso te choro. Pedaço de tempo retirado ao mundo, em que respiro um ar carregado de longos silêncios ,encobertos pela escuridão da noite.
Luz fraca, que não põe a descoberto a ferida e não fere os olhos. Mar imenso e fundo onde mergulho, sem querer, todas as noites. Mais uma noite. Dor. Sempre a dor. E o ardor que vence quase todos os meus sorrisos.
Abril 2001
quarta-feira, março 10, 2004
A®dor
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Rute Coelho
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quarta-feira, março 10, 2004
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quinta-feira, março 04, 2004
Morte:
Branco, tudo muito branco: velas, lágrimas e dor. Entranhada nos ossos e nos pequenos músculos do coração que o fazem bater mais lentamente, como se quisesse também ele parar. Negro, escuro. Nas roupas carregadas de mágoa.
Uma borracha branca, instantes efémeros que se escreveram a lápis num tempo e num espaço distante. Palavras ignoradas, beijos adiados e quilómetros que não se percorreram.
Tudo branco, os nossos momentos, transformados em mágoas, que nos consomem devagar, lentamente, naquela morte cinzenta de se ir acabando, entre lembranças e lágrimas.
Altar de ninguém; sítio onde não te encontro; muro que separa dois amantes que se queriam juntos e juntos se fizeram eternos, nas lágrimas de cera derretida em igrejas e capelas. Frio, que não se aquece, sombra que não se esquece. Silêncio magoado. A dor ignorada ontem, hoje tão nossa, tão minha, lembrada nos meus dedos que ainda te escrevem cartas, nos olhos que ainda te procuram nos imensos olhos do mundo, nas minhas mãos que ainda querem as tuas. Fogueira. Auto sem Fé. Chamas. Não te oiço, mas sei que me chamas, a tua voz percorre a distância dos quilómetros de estrada com sentido único. Sem mapa e sem sentido. Sinal de paragem obrigatório. Stop, no cruzamento errado. Pelas nossas contas, o sinal só deveria estar muito à frente. Quando fôssemos velhinhos e já não precisássemos de dizer nada. Seria um stop natural, para o silêncio que ficaria quando os nossos olhares se tocassem e as palavras emigrassem para longe de nós. Morte. A tua. A minha.
Julho de 2000
Uma borracha branca, instantes efémeros que se escreveram a lápis num tempo e num espaço distante. Palavras ignoradas, beijos adiados e quilómetros que não se percorreram.
Tudo branco, os nossos momentos, transformados em mágoas, que nos consomem devagar, lentamente, naquela morte cinzenta de se ir acabando, entre lembranças e lágrimas.
Altar de ninguém; sítio onde não te encontro; muro que separa dois amantes que se queriam juntos e juntos se fizeram eternos, nas lágrimas de cera derretida em igrejas e capelas. Frio, que não se aquece, sombra que não se esquece. Silêncio magoado. A dor ignorada ontem, hoje tão nossa, tão minha, lembrada nos meus dedos que ainda te escrevem cartas, nos olhos que ainda te procuram nos imensos olhos do mundo, nas minhas mãos que ainda querem as tuas. Fogueira. Auto sem Fé. Chamas. Não te oiço, mas sei que me chamas, a tua voz percorre a distância dos quilómetros de estrada com sentido único. Sem mapa e sem sentido. Sinal de paragem obrigatório. Stop, no cruzamento errado. Pelas nossas contas, o sinal só deveria estar muito à frente. Quando fôssemos velhinhos e já não precisássemos de dizer nada. Seria um stop natural, para o silêncio que ficaria quando os nossos olhares se tocassem e as palavras emigrassem para longe de nós. Morte. A tua. A minha.
Julho de 2000
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Rute Coelho
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quinta-feira, março 04, 2004
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quarta-feira, março 03, 2004
Palavras
de estar aqui, de escrever como agora... em que os meus dedos são as palavras que sinto e essas são tão poucas que não te dizem porque ainda continuo por aqui... a escrever. Porque sim, às vezes também eu me canso de escrever e de ser assim. Também penso em desistir destas palavras, destes sentimentos todos e de todas estas memórias inventadas ou não. Mas resisto. Persisto em escrever. Em ser assim. À espera de dias melhores. Aqui. Sozinha. Com as minhas palavras que são os dedos que tocam à noitinha em surdina.
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Rute Coelho
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quarta-feira, março 03, 2004
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terça-feira, fevereiro 24, 2004
Cantos e recantos
A imagem foi retirada daqui
Sobrou a cadeira de baloiço. Sobraram as tardes. As árvores e as cores que faziam deste recanto, o nosso cantinho. Mesmo quando ainda só havia esta cadeira de baloiço, o colchão, o fogareiro de campismo e duas canecas azuis pintadas por ti. As canecas partiram-se na nossa primeira discussão. O fogareiro foi para o lixo. Sobrou a cadeira de baloiço. Sobrou a terra húmida em que enterrávamos as mãos para a cultivar. Sobraram as árvores ardidas que morreram de pé num desses Verões quentes que ainda acontecem por aí. Ainda sobrou muita coisa. Sobrei sobretudo eu. Sobraram as memórias de momentos perenes que os instantes não deixaram durar.
domingo, fevereiro 22, 2004
Previsões metereológicas
Céu nublado. Cheia de nuvens. Carregadas de energia e prontas a explodir numa magnífica trovoada colorida de relâmpagos. E chuva. Que em mim são lágrimas tuas.
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Rute Coelho
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domingo, fevereiro 22, 2004
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sábado, fevereiro 21, 2004
Labirinto
Ando um pouco mais. Perco-me. Vislumbro um novo caminho e volto a andar um pouco mais. Perco-me. E sem saber como nem porquê, sei que estás do outro lado deste labirinto. Volto a andar com a esperança renovada de todos os viajantes perante mais uma encruzilhada. Ultrapasso as armadilhas. Por uma única recompensa. Tu. Agora perdi-me novamente. De ti. E tantas mais vezes de mim mesma.
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Rute Coelho
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sábado, fevereiro 21, 2004
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terça-feira, fevereiro 17, 2004
O vestido
A preto e branco. Como nos filmes. Que deveriam terminar com um beijo longo e apaixonado. Cheio de magia, de cores e sabores. Em que eu deveria conhecer a tua boca e saber de cor o seu sabor, a textura dos teus lábios, de olhos fechados. Mas não há beijo, há apenas o regresso de uma viagem ao Porto que não cheguei a fazer. E há o vestido de noite que não chegou a acontecer. E há o resto. O inexplicavél que já nem sequer vale a pena falar. Sem pausas. Porque tinha que ser assim.
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
Pausas
uma pausa...justa, merecida e sobretudo muito necessitada. Vou de férias. Para o Porto. Eu porque preciso e o blog por acrescento. Vou esvaziar a cabeça. Tentar não pensar em nada e sobretudo tentar não sentir nada. Nada mesmo. Não é uma fuga. Porque mesmo que quissese fugir de ti, nunca poderia fugir de mim mesma.
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
de veludo
em pequenos toques que me acariciam a pele. O beijo pequeno dado no canto da boca à espera de mil promessas, as mãos entrelaçadas numa troca sempre silenciosa. O filme na Tv. As palavras que saiem agarradas sempre umas às outras agrafadas a ternuras e aventuras. A minha pele na tua pele, deslizando e arrancando-te a alma. O som, o silêncio. Eu e tu. Enterrados em veludo. A sabermos tudo sobre nós. A esquecer-nos de dizer o essencial. A lembramo-nos de nós mesmos quando a pele toca a pele. Quando o prazer acontece. Quando és quase quase quase meu. E eu sou tão tua que me esqueço por vezes de ser minha.
terça-feira, fevereiro 10, 2004
Tantas e tantas histórias
fazem este blog. Dão corpo às palavras. Dão-me alma a mim. Devolvem-me sorrisos. E são minhas. Rasgadas, queimadas, filtradas. Esquecidas. Requentadas uns tempos depois. Quentes ou arrefecidas. Leves ou carregadas com o peso do caminho. Do passado. E do futuro. Do que ainda não se fez. São as minhas histórias. Quase tão vossas como minhas. Porque são reinventadas por vocês...
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