domingo, abril 04, 2004

Afinal

os sábios tinham razão. A lua cheia não se aguenta por muito tempo. A minha já começou a mingar. Quem sabe se não é melhor assim. Fechar as portas, enterrar palavras, esquecer nomes, rostos e gestos. Queimar lembranças. E voltar a sorrir depois das lágrimas terem todas secado.

lua cheia

Garantem-me os sábios que a lua não fica cheia por muito tempo. Que vai mingar com o tempo e que é assim também o amor e os estados de alma. Que há altos e baixos. Em tudo. Mas hoje, esqueço-me de todas essas garantias e suspendo o tempo numa lua cheia que quero guardar para sempre. Em ti.

sexta-feira, abril 02, 2004

Ainda não acredito

nas palavras que caiem em nós, nos beijos que acontecem sem querer, sem um motivo, uma razão, porque tem mesmo de acontecer, sem enhuma explicação... depois quando é o meu olhar que sustenta o teu, sempre fixado em mim à espera. Ainda não acredito que haja este tempo tão presente, que acho sempre que se enganaram e isto, este presente, não é para mim.
Pegas-me na mão e sussuras-me baixinho: gosto de ti. E nessa altura, acredito em tudo. Acredito em ti. E acredito neste presente...

quarta-feira, março 31, 2004

Caminhos



Por um caminho. Estranho. De terra batida e muito pouco conhecido. Foi nesse caminho que nos encontrámos e em que eu choquei contigo. Assim sem mais nem menos. Como toda a gente profetizou um dia " quando menos esperares, puf!, acontece!". E aconteceu. Acontece. Quando me inventas mundos, quando me dás a mão e o mundo parece apenas ser o nosso ou quando os teus lábios roçam suavemente os meus. Quando fecho os olhos, esqueço os medos. Esqueço-me de tudo. Mas encontro-te no mesmo caminho. À minha espera, desde sempre, garantes tu.

sexta-feira, março 26, 2004

Sem lua nem sol

porque há dias assim... cinzentos. Em que me apetece mandar o mundo à m****. Em que me apetece fugir e deixar de entender, há dias assim em que ponho tudo em causa, em que me ponho em causa. em que fumo demasiado. em que me sinto demasiado. Dias sem lua nem sol. Sem luz. Cinzentos e sem qualquer brilho que se arrastam por horas indefenidas em autocomiseração. São assim estes dias...

terça-feira, março 23, 2004

Eu, apenas, eu...

Gosto da vida. Dos seus constantes desafios. Das quedas que obrigam ao nascimento de feridas. Das lágrimas que brotam sem cessar. Mas gosto sobretudo da liberdade de olhar de frente para o mundo e da utopia que alimenta o sonho de o poder possuir um dia por inteiro. Nem que seja comprimido no corpo ou no sorriso inteiro e franco de alguém. Sem cordas. Sem prisões porque tal como as gaivotas, aspiro à liberdade. E o amor é uma forma de liberdade. Do corpo e do espírito.
Exponho-me. Entrego-me. Porque não quero perder tempo. Porque a vida é curta, como me ensinaste um dia. E, juro-te não quis acreditar. Éramos jovens, tinha o tempo todo para te confessar o que sentia. Até um dia, o tempo se ter esgotado entre nós.
Agora agarro a vida. Suspendo o tempo entre as minhas mãos e impeço o amor de se escapulir. Muitas vezes não consigo. Porque não depende de mim. As coisas que amo são livres de ir e voltar. Afinal a liberdade faz parte do amor. É isto o equílbrio do trapezista que vive sempre sem rede. É isto o voo interminável da gaivota. É isto o motor de arranque de qualquer viajante. É isto que me faz viver. E procurar. Sempre o mais. O meu mais.

sábado, março 20, 2004



A imagem foi retirada daqui



O horizonte a perder de vista. As gaivotas que se esvoaçam livremente pelos céus. Em busca de alimento. Voam. Pelo prazer de voar. De buscar. De atingir o limite dos céus. Da liberdade.
Cansadas, passam apenas a planar. Com a ajuda da breve brisa que as faz flutuar na superfície morna de um sonho incessante, mas já velho e doloroso demais para o esforço que implica voar.
Eu ainda voo. De asas feridas. Cansadas ou quebradas. Ignoro a dor de ontem. De hoje e de amanhã. Prefiro contemplar o horizonte. Na clasura de um sonho. De olhos abertos para o mundo.

segunda-feira, março 15, 2004

O convite

para beber um copo, para dançar num discoteca cheia de barulho, luzes e álcool, para um jantar, para uma ida ao teatro, ao cinema, a uma exposição de pintura, a um jardim, a uma aldeia perdida no meio de Portugal num fim-de-semana repleto de aventuras. Os convites. Consecutivos e quase sempre irrecusáveis. Até ao último.
"Queres ser a minha madrinha de casamento?"
Madrinha de casamento, repeti sem cessar para mim mesma. Porque não? Porque não sentia vontade de aceitar aquele último convite?
A resposta descobri-a nessa noite quando me olhei ao espelho e vi nele reflectida a verdade. Madrinha?! não. Porque não. Porque gostava dele. E era tarde demais para lhe dizer. Já não havia tempo para um último convite. Nem para mais nada. Madrinha? Porque sim. Porque ele é o meu melhor amigo. Porque lhe devo isso. Afinal é o seu último convite...

sexta-feira, março 12, 2004

Não me canso

de te olhar, de espreitar em ti as cores que me inundam de alegria. De te tocar e de sentir os meus dedos a percorrer lentamente a tua pele. De te ouvir. De te calar com o meu silêncio que não é mais do que a falta de palavras. Da ausência de saudades inconfessáveis. Não me canso disto, seja lá o que isto for...

quarta-feira, março 10, 2004

Um novo blog

Nasceu! É bonito. Ou promete ser. Fala de amor. Da história de amor deles e é escrita por ambos. Dá vontade de acreditar que eles existem mesmo e que é de verdade o que sentem e o que escrevem. Às vezes como hoje dá vontade de acreditar no Amor. Pelo menos o deles. Começa assim a história:
"Sem príncipes ou princesas...
Não há lugar nesta história para príncipes ou princesas. Nem há fadas que tornem a nossa história possível. Nem sequer há bruxas para nos envenenar. Não há florestas encantadas onde nos possamos encontrar à luz mágica do luar. Não há ficção. " Encontrem o resto desta história feita de seda e ganga aqui