sábado, maio 08, 2004
Hoje sou
as palavras que me custaram a sair. Sou o eco das tuas palavras mal pronunciadas. Sou as lágrimas que não me atrevi a chorar à tua frente. Doeriam mais, entendes? Sou o silêncio que ficou quando saíste. A luz ténue de um quarto que conhecemos de cor. Sou as paredes brancas que pintámos com as palavras do nosso amor. Sou no fim sozinha. Sou o sol que fica depois de tantas chuvas. Sou a terra molhada que lentamente desperta. Sou tudo aquilo que sobejou depois de ti. Sou eu. Sem mais nada. Sou eu outra vez. Sem ti.
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quarta-feira, maio 05, 2004
Queria
desesperadamente que me pedisses para ficar. Meia-hora. Um dia, uma semana, um mês. o tempo que fosse. o tempo suficiente para mais um beijo, uma carícia adormecida no meu rosto de menina pequena e traquinas. Bastava apenas uma palavra. Deste-me as reticências de um silêncio que conheço de cor. Que não quer dizer nada. Ou que pelo contrário diz-me tudo aquilo que não quero saber. Que não me vais pedir para ficar. Porque já cá não estás. Pede-me para ficar... meia hora, um dia, uma semana. num beijo, num gesto ou numa palavra.
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segunda-feira, maio 03, 2004
sem sentido
isto, as emoções, a escrita, enfim tudo. Acho que me fico por aqui desta vez. Não há volta a dar. O resultado é sempre o mesmo. Até um dia...
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segunda-feira, maio 03, 2004
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quinta-feira, abril 29, 2004
vinho tinto
como sangue que escorre pelo teu corpo. pele branca que encarna um novo corpo. um novo espírito. beijo-te a pele molhada e escuto junto ao silêncio das noites murmuradas as tuas dores. Quase tão físicas que o corpo se contrai a cada palavra que se solta. a medo. com dor.
os movimentos tornam-se mais lentos e a língua solta-se com palavras que ainda não aprendi a dizer mas que me saem sem querer. sentes? delicadas, fortes como o sabor do vinho que ainda sinto nos lábios.
os movimentos tornam-se mais lentos e a língua solta-se com palavras que ainda não aprendi a dizer mas que me saem sem querer. sentes? delicadas, fortes como o sabor do vinho que ainda sinto nos lábios.
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quarta-feira, abril 28, 2004
Sorrisos
Aprende-se assim:vivendo. Vive-se assim:lutando. Inaugurei hoje um novo sorriso em mim. Um sorriso desconhecido ou raramente aparecido para mim própria. Não é de euforia, alegria, paixão ou amor. É um desses sorrisos de felicidade. Inteira. Íntima. Que vem de dentro e cá fora adquire um brilho próprio. Sorrio. Por mim. Comigo.
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domingo, abril 25, 2004
Abril
Olhá-lo e saber que é verdade. Estamos juntos e sós. Num quarto escondido do mundo. Sem saber como nem porquê, rimos ás gargalhadas; de nós e dos outros que observamos pela janela. Brindamos com copos de papel cheios de água à nossa solidão. Matamos todos os que pertencem ao mundo lá de fora. Aqui, só importa o agora. Agora, só nos importamos connosco. Não, não somos egoístas. Afinal, lá fora, quem é que se importou connosco?
Tantos ou tão poucos, que fomos condenados a esta solidão interior, de existir apenas neste aqui e neste agora. Daqui a pouco tempo morreremos. Vão-nos matar. Assassinar a alma e os pensamentos. Vai restar o corpo. Esse, eles, deixam para mim. Eles não podem matar o meu corpo. É crime, e eles são profissionais respeitáveis. Mas o que vai restar de mim, depois?
Agora, ainda tenho tudo. Tenho a consciência de que perdi tudo. A família, os amigos, o trabalho e que amanhã vou perdê-lo. Mas lutei, lutámos contra o inimigo escondido em cada esquina, em cada rosto que passava por nós na rua. Resisti enquanto pude. Mas esta não é uma batalha só minha... o meu tempo esgota-se. Acredito e quero acreditar até ao fim que algum dia tudo vai mudar.
Estou sozinha com ele. O meu corpo está junto ao dele, de tal forma que o oiço viver, em batidas tão coordenadas que me dá vontade de chorar. Penso que amanhã, ou depois, quando descobrirem este lugar, não vão haver lágrimas. Eles não as merecem. Só ele. Que cansado, adormeceu, encostado a mim. Vão-nos separar. Esse vai ser só o princípio de tudo. Angustiados e exaustos, iremos confessar coisas inimagináveis. Estaremos já mortos nesses instantes.
Morreremos pela Pátria. Sem honras ou futuras lembranças. Seremos apenas mais dois que amámos a liberdade mesmo quando ela ainda significa a nossa morte.
Foram apenas dois amantes, a quem não deixaram esperar por Abril...
Tantos ou tão poucos, que fomos condenados a esta solidão interior, de existir apenas neste aqui e neste agora. Daqui a pouco tempo morreremos. Vão-nos matar. Assassinar a alma e os pensamentos. Vai restar o corpo. Esse, eles, deixam para mim. Eles não podem matar o meu corpo. É crime, e eles são profissionais respeitáveis. Mas o que vai restar de mim, depois?
Agora, ainda tenho tudo. Tenho a consciência de que perdi tudo. A família, os amigos, o trabalho e que amanhã vou perdê-lo. Mas lutei, lutámos contra o inimigo escondido em cada esquina, em cada rosto que passava por nós na rua. Resisti enquanto pude. Mas esta não é uma batalha só minha... o meu tempo esgota-se. Acredito e quero acreditar até ao fim que algum dia tudo vai mudar.
Estou sozinha com ele. O meu corpo está junto ao dele, de tal forma que o oiço viver, em batidas tão coordenadas que me dá vontade de chorar. Penso que amanhã, ou depois, quando descobrirem este lugar, não vão haver lágrimas. Eles não as merecem. Só ele. Que cansado, adormeceu, encostado a mim. Vão-nos separar. Esse vai ser só o princípio de tudo. Angustiados e exaustos, iremos confessar coisas inimagináveis. Estaremos já mortos nesses instantes.
Morreremos pela Pátria. Sem honras ou futuras lembranças. Seremos apenas mais dois que amámos a liberdade mesmo quando ela ainda significa a nossa morte.
Foram apenas dois amantes, a quem não deixaram esperar por Abril...
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sexta-feira, abril 23, 2004
Depois de um beijo
Regresso ao beijo, ao abraço, às palavras e às ternuras para te dizer que depois não é preciso haver vazio, nem arrependimentos, nem promessas. Depois basta um sorriso para saber que valeu a pena. Basta ter o coração aberto. Depois basta voltar às nossas antigas vidas mesmo que não haja próxima vez. Depois é o hoje em que não sei muito mais o que te dizer de ontem. Depois ainda está por acontecer.
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terça-feira, abril 20, 2004
Pele
sempre mais. Muito mais. As mãos avançam lentamente. A medo. Com muito medo. Mas prosseguem por trilhos estranhos e desconhecidos. Não percebo porque não tens medo das minhas mãos. Não percebo se as queres no teu corpo. Continuo. Sinto-te. Ouço-te. E no fim de tudo, reconheco-te como meu. És?
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sábado, abril 17, 2004
sem pensar
... evito as chatices do costume e não penso. Deixo a lógica de lado. E esqueço os conselhos dos outros. E vivo. Sabe-se lá o quê. E por quanto tempo. Vivo. E isso é de tudo o mais importante.
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quinta-feira, abril 15, 2004
de pés descalços...
... pintando à luz de um dia que ela teima em não deixar terminar. Só. De pernas sobrepostas. Em pose de artista. De vendida. Ao mundo dos sonhos. Ao que está para lá das tintas e das telas. Ao que está para lá destas palavras que a tentam descrever sem conseguir. As calças dela deixaram de ser brancas no momento em que as começou a usar para pintar. Agora são uma tela. Como uma ela. Que é Mulher. E só por isso linda. Os cabelos curtos conferem-lhe um ar maroto que os olhos de menina endiabrada confirmam. É arte. É paixão no corpo das formas que as minhas mãos precisam de agarrar. No sorriso que me prende a esta janela onde a observo sem pudor. Porque ela é minha. Porque a reinvento na minha solidão. Ela, de calças brancas, pés descalços pintando. Enquanto eu escrevo...
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quinta-feira, abril 15, 2004
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