sábado, novembro 06, 2004

sem nome

sem nome. porque o perdi algures entre o teu quarto e o meu. sem nome. porque isso nunca foi importante. sem nome porque o silêncio foi sempre mais do que as palavras. sem nome. porque as cinzas que restaram de uma das nossas noites a senhora da limpeza varreu-as na manhã seguinte. sem nome. porque há milhões de átomos também sem nome. e nós somos apenas pequenas poeiras que teimamos em ficar suspensas num espaço. assim. sem nome. quase quase amor. mas sem nome. porque o nome estraga sempre tudo.

domingo, outubro 31, 2004

de ti

quis saber de ti. antes mesmo de querer saber de mim. quis saber do teu sorriso. mesmo antes de querer secar as minhas lágrimas. quis olhar por ti. sem sequer saber se me olhavas. quis saber de te tocar. sem sonhar que me pudesses tocar. quis saber de ti. antes mesmo de querer saber de mim. quis saber de ti. em vez de querer saber de mim.

sexta-feira, outubro 22, 2004

Em nós

perde-se o tempo. a fronteira que distingue o tempo. num mundo estranho. as sextas-feiras em que tudo é tanto que tudo que lá fora se esfuma através do vidro baço da janela da cozinha. encosto a cabeça ao frio e esqueço-me do calor dos teus braços que chegam por trás, me agarram e me levam de novo para o mundo dos sonhos. onde conseguimos existir apenas em nós. Sem para sempres. porque o tempo é curto e nós nem sequer devíamos ter este tempo.

terça-feira, outubro 19, 2004

de surdos

Ainda continuas aqui?

Ainda.

Porque é que ainda não desististe?

Gosto de escrever.

Não era a isso que me referia.

Eu sei. Mas foi a isso que me apeteceu responder. Ainda te amo, serve a resposta?

E de que cor é esse amor?

Verde escuro.

???????????

Esperança quase morta.

domingo, outubro 17, 2004

acho

Acho mesmo que já te disse. Mas volto a repeti-lo sempre que me quiseres ouvir dizer que: gosto do teus olhos no meus, o amor a despertar o sorriso e o riso, gosto das tuas mãos nas minhas, o princípio entranhado no fim, gosto do teu corpo no meu, desejo contra desejo, gosto dos teus sonhos na minha almofada, memórias perservadas ainda quentes das nossas ternuras. gosto dos teus lábios nos meus ouvidos dizendo coisas que não me atrevo a reproduzir.




acho que sabes... gosto de ti.

sábado, outubro 16, 2004

E porque...

és um sol que despontou quando nada mais parecia haver para despontar. E porque és são os teus braços que me aquecem quando me sinto gelada de mim. E porque ouves-me nas entrelinhas destas palavras que ainda escrevo. E porque és o lugar onde posso ser apenas eu. por inteiro. sem máscaras. E porque és tu.E porque eu adoro-te aqui fica o recado: penso em ti...

sexta-feira, outubro 08, 2004

de novo

por um caminho. sems aber como nem porquê. de repente. como de tudo o que é de bom ou de mau. surpreendentemente. tu aqui quase, quase perto de mim. ainda sem me tocar. mas com uma vontade enorme que já seja amanhã. mesmo que não haja um depois de amanhã. mesmo que tudo se esgote nessa noite que há de um acontecer. Um dia mais tarde. de novo. apaixono-me por ti. és real? O que é em nós poesia? O que é em nós verdade?
Existo ou obrigas-me a existir no mundo que inventaste para nós os dois. que verdade há em tu isto?

sexta-feira, outubro 01, 2004

que o tempo parasse

ontem. por um momento apenas. parei-o. fi-lo parar. desliguei o coração. o meu e o teu. ficaram juntos e quietos. suspensos em si mesmos. à espera de nós. do que nunca acontece.
que o tempo parasse. que algo acontecesse. mesmo à escura de olhos fechados para o mundo e entregues a nós. a música tinha parado. a lareira ainda crepitava. e a noite ameaçava ser manhã. que o tempo parasse. porque não me apetecia saber do depois nem do antes nem do agora. que o tempo parasse. porque não quero saber das horas dos minutos ou dos segundos que um beijo demora a sair dos teus lábios. que o tempo parasse. porque nunca é demasiado tempo e não tenho tanto tempo.

sexta-feira, setembro 24, 2004

nos olhos de quem vê

é a magia e o brilho. a beleza profunda antes do abismo. o caos antes da perfeição. o sentido de tudo o que nunca faz sentido nos dias que correm. a luz à nossa espera num túnel imenso. o eco das palavras e mesmo daqueles silêncios que ficam encastrados em nós à espera que a palavra s e solte e o verbo se desenhe nos lábios. São os olhos de quem vê. De quem ama e sabe. que os olhos dos outro são apenas reflexos dos seus. porque há nós de caos e perfeição, de beleza e abismo. nós muito apertados entre quem vê o amor nos olhos do outro. Porque há um nós em cada olhar teu.

segunda-feira, setembro 20, 2004

Quando ainda era Verão

dantes é que era bom. víamos o sol nascer da nossa janela, comíamos a fruta madura da nossa janlea e o mundo acontecia mesmo ali aos nossos pés, onde as ondas do mar nos tocavam e faziam cócegas. devagar. porque o tempo eram aqueles longos três meses de férias. porque as amoras estavam maduras e pediam para ser colhidas e comidas em segredo mesmo antes da hora do jantar.
dantes é que era bom. descalços, as silvas não nos incomodavam e a terra entranhada no corpo era prova da sintonia perfeita. eu e tu. num verão desses longos e irrestíveis. que não sabíamos que não se voltaria a repetir. porque crescemos. as silvas magoam. a terra é sujidade. e as amoras demasiado maduras fazem mal. trocámos a noite pelo dia e já não há três meses de férias. há apenas umas semanas intercaladas ao longo do ano. é tudo. nada como dantes. Quando ainda era Verão...