sábado, setembro 03, 2005

Férias


Este foi um dos caminhos que percorri. Um dos muitos onde me perdi horas esquecidas sentada na relva verde apenas a contemplar. Longe de tudo. Fora de mim mesma. E perto de uma qualquer coisa que trouxe guardada comigo. Destas férias.

segunda-feira, agosto 08, 2005

não sabia

"Não sabia que ainda escrevias- Estrela do mar". Este blog está prestes a fazer dois anos. De muitas palavras. De muitas lágrimas e muitos sorrisos. Sobretudo sentimentos e emoções. Muitos comentários que entretanto se perderam com as mudanças e falhas técnicas. Mas este comentário tocou-me muito. Fiquei como se costuma dizer com um amargo de boca porque tive uma sensação de desilusão comigo mesma.Abandrar o ritmo de escrita poderia ser compreensivél, agora abandalhar o blog e deixá-lo quase ao abandono deixou-me triste. Daí a vontade de recomeçar depois das minhas férias. Com outras palavras. outras histórias. outros sorrisos. fica a promessa para que este comentário não se repita. Obrigado Estrela do Mar por ele!

terça-feira, julho 12, 2005

finalmente

será que o posso dizer com certeza? com toda aquela certeza que preciso para poder continuar. em frente num caminho. que nem sequer tenho a certeza se é o meu. senti a porta bater. Não nos despedimos desta vez. foi a primeira vez que isso aconteceu. ouvi só o estrondo. assim não te pude olhar nos olhos para ter a certeza de que foi a última vez que saíste assim de casa. a meio da noite. depois de mais uma conversa. sempre a última antes da próxima. finalmente. agora quero continuar. agora posso-me libertar do teu cheiro e da tua presença. em mim. na casa. nos livros. na memória e no coração. agora posso voltar a viver. finalmente?

domingo, julho 10, 2005


E tudo sempre tão depressa... Ficaram as saudades por matar e tanta coisa por te dizer ainda. o tempo já não espera por nós. Tenho o comboio para apanhar. À minha espera tenho a estação. Depois a casa vazia. Depois de tudo. Depois de ti. Porto- Lisboa. Sempre o mesmo regresso a casa. Posted by Picasa

E se tudo tivesse sido assim...

como os meus sonhos sonhados e transcritos neste espaço? e se realmente a poesia que nos uniu fosse a prosa simples de duas mãos entrelaçadas no escurinho de uma sessão de cinema? e se os meus olhos não fossem apenas faróis que te indicam que estou sempre aqui? e se o meu sorriso pudesse ter o sabor dos teus lábios em vez deste travo amargo de abandono e saudade? e se tudo tivesse sido assim numa qualquer dessas noites? e se o sono tantas vezes junto e misturado em lutas de almofada fosse apenas o amor costurado e preso às almofadas? e se?


e se tudo isto tivesse acontecido?


isto e mais qualquer coisa...


e se...?


haveria ainda sonho em nós?

sábado, julho 02, 2005

o meu luar

foi numa noite de lua cheia. numa noite sem sono. só sonho. o teu nome e o meu contaminados pela luz da lua. de mãos dadas a sentir. o mar. o oceano ali tão perto. as ondas a acabarem-se na espuma que faz cócegas nos pés. a tua mão que roça na minha. quero-a sentir mais perto. agarro-a, deixo-a prender-se nos meus dedos, soltar-se. sentir a textura dos teus lábios nos meus dedos, a barba mal feita... e depois os teus lábios nos meus. por fim. a noite é madrugada. depois manhã. a lua é sol. e tu és ainda o sonho de um luar.

segunda-feira, junho 27, 2005

a distância que se percorre

são sempre os mesmos quilómetros. o mesmo alcatrão. as mesmas portagens. as mesmas estações. a voz rouca no comboio que me deseja uma boa viagem. como pode ser boa se assim que aqui entro já tenho sempre o tempo contado para voltar. e depois encontrar-te. estranhar-te como sempre. e relembrar-me aos poucos e poucos porque é que és tu o abraço que sempre me aquece. depois de novo a estação. ou a entrada da auto-estrada. a despedida. as lágrimas que caiem. porque custa sempre partir quando se quer tanto ficar. porque há distância. porque é assim. porque passamos tempo a mais despedirmo-nos.

terça-feira, junho 21, 2005

Quando partes?

Porque é que há em mim tanto de ti. porque ficaram as palavras. os gestos? as manias. as preferências, o riso, o sono e o sonho? porque te entranhaste na pele? sempre disseste que não ias ficar. que um dia ia ver-te partir. Ficaste, foste ficando como quem adia só mais um dia a partida.Agora sou eu que quero que partas. Quero poder acenar-te da janela e saber que foi mesmo a última vez que te vi. Que escrevemos entre nós tudo o que havia a escrever. não quero este quase. este meio que não acaba. este desespero de saber que amanhã vai ser um dia igual a tantos outros e que te vou sentir na minha pele. tatuagem. ferida.



Quando partes?

segunda-feira, junho 13, 2005

sexta-feira, junho 10, 2005

A ti porque ainda és sangue em mim

porque és a crosta que nunca cicatriza. o ar gélido da manhã. o café forte e sem acúcar, por favor. o anjo mau. a espera na paragem de autocarro. o ensejo. a locura depois da saudade. os diapositivos de uma paixão. o lento apagar de um cigarro contra o cinzeiro. porque há tempo. há sempre tempo para tudo, acredita. um dia voltaremos-nos a encontrar.a promessa guardada. no nevoeiro fugaz. cosi-o na na bainha da camisa branca. era minha ou tua? trocámos tantas vezes de roupa, de corpo e de alma que já não sei. o café sem acúçar. o frio da pele agora, és sempre tão quente e agora?


Agora ainda és sangue em mim. Só em mim.