quarta-feira, fevereiro 01, 2006

hoje...porque é Inverno

Hoje. porque é inverno. de dias curtos. noites longas. absortas que deveriam ser em pensamentos vãos. qual Alice a atravessar o espelho. agora não mais. a cadela no meu colo. a televisão encantando o espírito com histórias de príncipes e princesas. os olhos fechados.as tremuras nas mãos a afagar o dorso dela. tenho de te contar a verdade. a ti a e só a ti. não há princípes. e eu já não acredito em princesas. o outro lado do espelho é a fantasia em que não posso cair. o lugar secreto onde nos encontrávamos. porta que fechaste. amargo sabor. procurei-te. é verdade. em pensamentos desconexos. sonhos delirantes. o futuro é nosso. só desta vez. quis acreditar. encontraste-me agora. não sei no que quero acreditar. Existimos?

sábado, janeiro 28, 2006

alone

porque sim. porque a estrada é comprida. e é de noite. não conheço o Caminho e não sei ler mapas nem decifrar códigos. sei de ti que não estás aqui, sei de mim que continuo em frente. corto as curvas e sigo às cegas. porque me procuro sem te procurar. porque já não me entendo. caio, tropeço. e já não sei nada. sozinha. porque sim. porque tem mesmo de ser. é o único caminho que conheço.


"Se não te deste a ninguém...magoaste alguém..."- Carta, Toranja

sexta-feira, janeiro 13, 2006

porque às vezes também eu me esqueço de mim

olhar-me e não saber ver-me. porque o tempo fez as suas mudanças. a última vez que me vi usava tranças. tinha olhos enormes de espanto. e sonhava como uma criança.


estou mais velha....



não uso tranças. já não me espanto.


Cresci?

terça-feira, dezembro 13, 2005

sangue

A V. que me ensinou que...



... o amor não tem sangue...

terça-feira, dezembro 06, 2005

silêncio


o silêncio é a parte nua do amor que não queres revelar

domingo, dezembro 04, 2005

cansada

cansada de ver a chuva cair. cansada de saber que é necessária. cansada de te ver. ouvir e sentir. tão perto e tão demasiado longe. cansada das minhas lágrimas que teimam em não cair.




hoje queria apenas fechar os olhos e deitar-me em ti...

sexta-feira, novembro 18, 2005

precisava...

precisava de te escrever... de te dizer tantas coisas que depois se entalam na garganta. eu esqueço que elas existem. passo adiante. mas essas coisas, não sei como, mas encontram-me, moem-me por dentro. sufocam-me. quero gritar. a voz não sai. tento esquecer outra vez. pisar essas coisas. apagá-las. adiá-las. fazer qualquer coisa com elas. menos dizer-te o que vai aqui dentro. isso não. isso nunca.



E ando tão cansada de correr. de me esconder. dessas coisas. que são os meus sonhos. impossíveis. e só meus

quarta-feira, outubro 26, 2005

porquê?

(porque não sei responder à tua pergunta...)



o grito lacinante vindo do nada. abafado pelo choro contínuo dos demais. olho-os à minha volta. e não compreendem a minha dor. a furiosa pergunta que me destrói, me cansa, me revolta. porquê tu? porquê agora? cresce dentro de mim, sufoca-me a garganta. isto é tudo medo do depois. de como vão ser os dias sem ti. e medo do antes. de não ter dito vezes suficientes que te amava. que foste tudo. agarro-me aos outros procurando um consolo que não existe. murmuro palavras mecanicamente. entre o pesadelo e o terror de acordar e saber que tudo isto é verdade. esta sou eu.
nem se quero viver depois disto tudo, para quê insistirem comigo para eu beber, comer ou dormir. não quero ser forte. não quero ter calma ou paciência. nem aguento mais as condolências. é tudo tão definitivo hoje... preciso de ti. mais do que nunca. Onde estás? Porquê?



hoje dói ainda mais do que ontem. hoje vi-o pela última vez. agora não mais. vivo ou morto.

terça-feira, outubro 11, 2005

meias verdades

meias verdades ou meias mentiras. em que me quero esconder. afogar as lembranças em enganos mais ou menos credivéis. construo à minha volta um mundo do qual não saio. não é seguro. um passo em falso. e quem sabe? posso-me apaixonar. por ti, sim. que me dizes palavras demasiado bonitas para serem para mim. E, não, não acredito em ti. já te disse. não saio deste meu mundo.
Ameaças que me vens buscar. no fundo até acredito que poderias conseguir fazer-me correr riscos. até (nos dias bons) quase acredito que te posso amar. a verdade escondida nas minhas mentiras. pequeninas. para doerem menos. ( e mesmo assim já doem tanto...) amo-te mas não e digo. esta é a mentira que aprendi a disfarçar cada vez mais melhor. a verdade que não vais ouvir. nunca dos meus lábios. essa é a minha pequenina vitória. e é também a minha derrota.

domingo, outubro 02, 2005

"Inscrição sobre as ondas"


"Mal fora iniciada a viagem um deus me segredou que eu nao iria so. Por isso a cada vulto os sentidos reagem, supondo ser a luz que o deus me segredou"


David Mourão- Ferreira