A casa viu-me crescer, sonhar, chorar, rir, sorrir. viu-me gostar, desejar e amar.Agora é finalmente minha. depois de tudo. esteve quase quase quase para não ser. esteve quase para ser vendida. teve obras. agora é um arco-íris. cada divisão tem uma personalidade própria com uma cor para si mesma. todas respiram novidade. alegria. renovação. as paredes são as mesmas. sem papel. mas cheias de memórias e de histórias. um albúm silencioso que sabe segredos e pecados a mais. não há lixivía que tire o cheiro da sabedoria que estas paredes possuem. não há cortinas que tapem a luz que inunda a casa e me faz amar esta cidade. não há risos e sorrisos suficientes que limpem as lágrimas encrustradas nestas memórias que as paredes conservam. podia viver noutra casa. como vivi. e como desta vez estive quase quase a viver. podia ser uma casa mais pequena, menos dispendiosa, menos velha e problemática. mas não seria esta casa. não seriam as paredes que sabem de ti. não seriam elas as testemunhas de um amor que
esta é definitivamente a minha casa. cada dia mais minha...
quarta-feira, maio 10, 2006
terça-feira, maio 02, 2006
há tempo
Há tempo que foi o nosso tempo que às vezes já não sei mesmo se ele foi nosso. meu. ou se tão somente ele aconteceu. foi há tempo que parece num outro tempo. havia tempo para um sorriso, um olhar, um gesto, um silêncio em que o teu o beijo descia no meu pescoço. e o tempo se ia na corrente dos ponteiros do relógio que teimavam em não parar. havia tempo nesse nosso tempo. hoje falamos apenas da falta de tempo. que tempo? o nosso?
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terça-feira, maio 02, 2006
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sexta-feira, abril 28, 2006
a vida sem memória
foi assim. os pequenos esquecimentos do dia a dia. ninguém quis ver. acreditar. a tua memória era de elefante. o mundo ficou lá atrás. os teus olhos viam pessoas. fantasmas que habitavam um mundo que já não te lembravas. que não fazia sentido. as mãos na cabeça assustada. o barulho da rua, os carros na estrada, as buzinas e as pessoas que se atravessavam no caminho. nós à tua espera. e tu sem saber quem nós erámos. e nós sem saber em quem te estavas a transformar. tive tanto medo. e só chorei uma vez. quando deixaste de saber quem eu era. mas sorriste-me sempre. até ao fim. mesmo que já não te lembres.
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sexta-feira, abril 28, 2006
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sexta-feira, abril 21, 2006
gostar
perdi-me da vontade de amar. não consigo e não sei se algum dia vou querer conseguir. fico-me por aqui. pelas coisas simples. gostar. gosto. muito. simplesmente. de ti. amar. acho que não quero voltar a saber o que isso é.
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sexta-feira, março 24, 2006
quanto tempo mais?
pergunto-me por quanto tempo mais? a espera sem sentido. a janela sempre a mesma. a chuva que cai. e tu que nunca chegas. e mesmo quando vens. nunca é a mim que me vês. vês o resto. o que os olhos alcançam, o que as mãos tocam e os que ouvidos ouvem. nunca me vês com o teu coração.
quanto tempo mais vou precisar de estar à janela à espera de mim que não me vejo com o coração?
quanto tempo mais vou precisar de estar à janela à espera de mim que não me vejo com o coração?
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sábado, fevereiro 11, 2006
não há vento...não sei de ti...
O vento parou. as árvores quietas á espera. o ambiente tenso. algo para acontecer. e nada. não sei de ti. podia ser diferente. eu sei. será que tu sabes.
não há vento. não sei de ti. continuo parada.
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Lisboa... em memória

é assim que te quero lembrar. como na foto. a partir. lá ao fundo. o cacilheiro que te leva até à outra margem. depois disso. a uma outra vida. é sempre assim. lisboa. despedidas constantes. fica a foto. a sépia. a cor das nossas memórias. fica o céu azul e a luz indiscritivél. este jardim. os passos que demos. o beijo antes do último. amanhã. não haverá lisboa.
hoje...porque é Inverno
Hoje. porque é inverno. de dias curtos. noites longas. absortas que deveriam ser em pensamentos vãos. qual Alice a atravessar o espelho. agora não mais. a cadela no meu colo. a televisão encantando o espírito com histórias de príncipes e princesas. os olhos fechados.as tremuras nas mãos a afagar o dorso dela. tenho de te contar a verdade. a ti a e só a ti. não há princípes. e eu já não acredito em princesas. o outro lado do espelho é a fantasia em que não posso cair. o lugar secreto onde nos encontrávamos. porta que fechaste. amargo sabor. procurei-te. é verdade. em pensamentos desconexos. sonhos delirantes. o futuro é nosso. só desta vez. quis acreditar. encontraste-me agora. não sei no que quero acreditar. Existimos?
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Rute Coelho
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006
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sábado, janeiro 28, 2006
alone
porque sim. porque a estrada é comprida. e é de noite. não conheço o Caminho e não sei ler mapas nem decifrar códigos. sei de ti que não estás aqui, sei de mim que continuo em frente. corto as curvas e sigo às cegas. porque me procuro sem te procurar. porque já não me entendo. caio, tropeço. e já não sei nada. sozinha. porque sim. porque tem mesmo de ser. é o único caminho que conheço.
"Se não te deste a ninguém...magoaste alguém..."- Carta, Toranja
"Se não te deste a ninguém...magoaste alguém..."- Carta, Toranja
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sábado, janeiro 28, 2006
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sexta-feira, janeiro 13, 2006
porque às vezes também eu me esqueço de mim
olhar-me e não saber ver-me. porque o tempo fez as suas mudanças. a última vez que me vi usava tranças. tinha olhos enormes de espanto. e sonhava como uma criança.
estou mais velha....
não uso tranças. já não me espanto.
Cresci?
estou mais velha....
não uso tranças. já não me espanto.
Cresci?
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Rute Coelho
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sexta-feira, janeiro 13, 2006
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