domingo, maio 21, 2006
os sons do silêncio
porque te escrevo. nestas palavras mudas. ambíguas. circulares. onde me perco e te tento encontrar. despertar-te para mim. e chegar ainda que devagar e a medo a ti. que habitas em qualquer parte. que podes ser qualquer um. que me intrigas e me surpreendes. me desafias e me abandonas. tudo em ti são palavras. silêncios que se perdem na distância. algures num local que não conheço e quero encontrar. ver. olhar. perceber. sentir o que sinto nas palavras. ouve-me aqui. escuta a impaciência de uma juventude que me atravessa o olhar e se crava nos olhos de quem vê. toca-me. sente a pele quente e enlouquecida. usa as palavras. o silêncio da música que preenche os espaços tão vazios entre mim e ti. encontra-me. espero por ti. no silêncio. que disfarço com as palavras. as minhas ou as tuas?
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Rute Coelho
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domingo, maio 21, 2006
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domingo, maio 14, 2006
olhares
- Podes olhar agora. Eles estão-se a despedir. Conta-me o que vês...
Ele e ela despedem-se sempre desta forma. Assim como nós o fazemos em público. Nós somos apenas um aperto de mão mais caloroso ou quando nos permitimos um abraço com as características palmadas nas costas.
Eles são o beijo na testa. Simples. Seco e desprovido de tudo o que ela queria dele.
Nós, porque não pode mesmo ser de outra forma. Não nos podemos beijar em público. Somos dois homens. E isso ainda fica mal. Apesar de tudo.
Eles são dois amigos. E os amigos não se beijam.
Ele só beija outras mulheres na boca quando as quer levar para a cama. Ele só as toca quando as deseja.
Pergunto-me, enquanto os observo desta janela se ela se dará conta que embora falte o desejo a ele, há amor nos gestos toscos dele.
Porque raio ela simplesmente não desiste e não vai à procura de outra pessoa?- perguntas-me tu, enquanto os teus lábios acariciam a barba miúda.
Como é que ela consegue aguentar em silêncio? Como é que ela consegue amar naquele silêncio de lágrimas e sono?
A resposta é-te dada pelos meus lábios. Quentes. Exigentes. E duros como quase sempre. Ela, como nós habitou-se a amar, em silêncio, respondo-te por fim.
Num silêncio que nem ela compreende. Num silêncio imposto pelo olhar calado dele, cheio de ameaças de fim se ela por uma vez ousar dizer mais do que lhe é permitido.
É verdade, eu também te ameaço com o olhar muitas vezes. És um miúdo. Quantos anos a menos do que eu? Quantas experiências e vivências diferentes temos nós?
Ás vezes na inocência que conheço de cor, queres-te embrulhar em mim. Como se eu te pudesse cobrir e proteger. Ser o teu pai, ser o teu irmão e o teu amante. Não posso.
Eu sou apenas isto. Aqui. Dentro destas quatro paredes. Amo-te. Mas só aqui.
Olha para eles, diz-me são felizes?
Ele e ela despedem-se sempre desta forma. Assim como nós o fazemos em público. Nós somos apenas um aperto de mão mais caloroso ou quando nos permitimos um abraço com as características palmadas nas costas.
Eles são o beijo na testa. Simples. Seco e desprovido de tudo o que ela queria dele.
Nós, porque não pode mesmo ser de outra forma. Não nos podemos beijar em público. Somos dois homens. E isso ainda fica mal. Apesar de tudo.
Eles são dois amigos. E os amigos não se beijam.
Ele só beija outras mulheres na boca quando as quer levar para a cama. Ele só as toca quando as deseja.
Pergunto-me, enquanto os observo desta janela se ela se dará conta que embora falte o desejo a ele, há amor nos gestos toscos dele.
Porque raio ela simplesmente não desiste e não vai à procura de outra pessoa?- perguntas-me tu, enquanto os teus lábios acariciam a barba miúda.
Como é que ela consegue aguentar em silêncio? Como é que ela consegue amar naquele silêncio de lágrimas e sono?
A resposta é-te dada pelos meus lábios. Quentes. Exigentes. E duros como quase sempre. Ela, como nós habitou-se a amar, em silêncio, respondo-te por fim.
Num silêncio que nem ela compreende. Num silêncio imposto pelo olhar calado dele, cheio de ameaças de fim se ela por uma vez ousar dizer mais do que lhe é permitido.
É verdade, eu também te ameaço com o olhar muitas vezes. És um miúdo. Quantos anos a menos do que eu? Quantas experiências e vivências diferentes temos nós?
Ás vezes na inocência que conheço de cor, queres-te embrulhar em mim. Como se eu te pudesse cobrir e proteger. Ser o teu pai, ser o teu irmão e o teu amante. Não posso.
Eu sou apenas isto. Aqui. Dentro destas quatro paredes. Amo-te. Mas só aqui.
Olha para eles, diz-me são felizes?
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sábado, maio 13, 2006
voltar
sair deste mundo pequeno. voltar ao espelho. ao outro lado. onde as emoções tomam conta de mim. correm-me nos dedos. e depois. as palavras que me acontecem nos dedos. tenho medo. acreditas. medo de depois não conseguir desse lugar encantado. onde sei que me esperas no lusco fusco de um amor tardio.
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quarta-feira, maio 10, 2006
ainda a casa
A casa viu-me crescer, sonhar, chorar, rir, sorrir. viu-me gostar, desejar e amar.Agora é finalmente minha. depois de tudo. esteve quase quase quase para não ser. esteve quase para ser vendida. teve obras. agora é um arco-íris. cada divisão tem uma personalidade própria com uma cor para si mesma. todas respiram novidade. alegria. renovação. as paredes são as mesmas. sem papel. mas cheias de memórias e de histórias. um albúm silencioso que sabe segredos e pecados a mais. não há lixivía que tire o cheiro da sabedoria que estas paredes possuem. não há cortinas que tapem a luz que inunda a casa e me faz amar esta cidade. não há risos e sorrisos suficientes que limpem as lágrimas encrustradas nestas memórias que as paredes conservam. podia viver noutra casa. como vivi. e como desta vez estive quase quase a viver. podia ser uma casa mais pequena, menos dispendiosa, menos velha e problemática. mas não seria esta casa. não seriam as paredes que sabem de ti. não seriam elas as testemunhas de um amor que
esta é definitivamente a minha casa. cada dia mais minha...
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quarta-feira, maio 10, 2006
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terça-feira, maio 02, 2006
há tempo
Há tempo que foi o nosso tempo que às vezes já não sei mesmo se ele foi nosso. meu. ou se tão somente ele aconteceu. foi há tempo que parece num outro tempo. havia tempo para um sorriso, um olhar, um gesto, um silêncio em que o teu o beijo descia no meu pescoço. e o tempo se ia na corrente dos ponteiros do relógio que teimavam em não parar. havia tempo nesse nosso tempo. hoje falamos apenas da falta de tempo. que tempo? o nosso?
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sexta-feira, abril 28, 2006
a vida sem memória
foi assim. os pequenos esquecimentos do dia a dia. ninguém quis ver. acreditar. a tua memória era de elefante. o mundo ficou lá atrás. os teus olhos viam pessoas. fantasmas que habitavam um mundo que já não te lembravas. que não fazia sentido. as mãos na cabeça assustada. o barulho da rua, os carros na estrada, as buzinas e as pessoas que se atravessavam no caminho. nós à tua espera. e tu sem saber quem nós erámos. e nós sem saber em quem te estavas a transformar. tive tanto medo. e só chorei uma vez. quando deixaste de saber quem eu era. mas sorriste-me sempre. até ao fim. mesmo que já não te lembres.
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sexta-feira, abril 21, 2006
gostar
perdi-me da vontade de amar. não consigo e não sei se algum dia vou querer conseguir. fico-me por aqui. pelas coisas simples. gostar. gosto. muito. simplesmente. de ti. amar. acho que não quero voltar a saber o que isso é.
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sexta-feira, março 24, 2006
quanto tempo mais?
pergunto-me por quanto tempo mais? a espera sem sentido. a janela sempre a mesma. a chuva que cai. e tu que nunca chegas. e mesmo quando vens. nunca é a mim que me vês. vês o resto. o que os olhos alcançam, o que as mãos tocam e os que ouvidos ouvem. nunca me vês com o teu coração.
quanto tempo mais vou precisar de estar à janela à espera de mim que não me vejo com o coração?
quanto tempo mais vou precisar de estar à janela à espera de mim que não me vejo com o coração?
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sábado, fevereiro 11, 2006
não há vento...não sei de ti...
O vento parou. as árvores quietas á espera. o ambiente tenso. algo para acontecer. e nada. não sei de ti. podia ser diferente. eu sei. será que tu sabes.
não há vento. não sei de ti. continuo parada.
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Rute Coelho
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quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Lisboa... em memória

é assim que te quero lembrar. como na foto. a partir. lá ao fundo. o cacilheiro que te leva até à outra margem. depois disso. a uma outra vida. é sempre assim. lisboa. despedidas constantes. fica a foto. a sépia. a cor das nossas memórias. fica o céu azul e a luz indiscritivél. este jardim. os passos que demos. o beijo antes do último. amanhã. não haverá lisboa.
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