gosto do movimento dos teus dedos. como eles percorrem as teclas e lhe emprestam alma. como as letras no ecrã compõe descrevendo silêncios, dos quais ainda não sei falar. gosto do arrepio constante que as tuas palavras me provocam. gosto quando voltas. como se não te tivesses ido. como se a vida tivesse parado naquela estação de comboio apinhada de pessoas que não entendiam que iria ficar sem ti. para eles erámos mais um casal de namorados que se separava. para mim era muito mais. era eu sem ti. sem o teu cheiro. o teu corpo para me embalar ao som das histórias de amor que escrevias para esconderes a nossa. a que se escondia nas quatro paredes da casa arrendada para escreveres apenas o livro. eu era o resto. o chá de canela sempre quente na chávena perto do computador, o cinzeiro despejado vezes sem conta durante o dia, era o passeio breve pela areia molhada ao fim da tarde, era o corpo meio adormecido e espraiado na cama que acordava no toque molhado dos lábios. eu era isso tudo. e era tão pouco...
>
sem despedidas apenas te levei à estação e te disse adeus. não erámos por isso um qualquer casal de namorados. nem pai e filha, aviso os mais destráidos que não reparam na paixão que transbordava dos nossos olhos. erámos alguma coisa. alguma coisa que regressou.
>
a praia por horizonte. tu aqui tão perto. os vestidos compridos brancos que escondem o desejo do meu corpo e lhe impingem pureza. de novo. quanto tempo? outro livro? o que afinal te levou a regressar? eu continuo aqui por detrás da chávena de chá, deitada na cama à espea que as palavras parem dentro da tua cabeça e a tua possas descansar no meu colo.
quarta-feira, junho 07, 2006
segunda-feira, junho 05, 2006
podias ter sido tudo
podias ter sido tudo e foste apenas palavras. podias ter sido tudo e foste apenas a oração fervorosa da primavera a despontar. um verão quente sem água. sem ti. é sempre assim. este fim do nada. no fim do mundo onde nunca nos vamos encontrar. o horizonte molhado entre o céu e água.a terra do nunca. porque nunca quiseste crescer. ou apaixonares-te. amar. eu sei que amas. e tens medo do resto. eu já não tenho medo de nada. cresci demais. e comecei pelo fim. o sexo antes do amor. o ódio antes da paixão. tu antes de mim. a morte antes da vida. os livros pela última página. mulher antes de ser menina. pesadelos antes de sonhos. e tu... sempre antes de mim. podia ter-te amado se o sempre existisse. podia ter-te amado se eu pudesse amar. se eu conseguisse amar. podia ter-te amado se não começasse tudo pelo fim. a nossa história começou pelo fim. a cumplicidade de dar as mãos em silêncio e saber que nesse silêncio está um amor passado e enterrado. que nunca existiu. o fim antes do princípio. tua. nunca meu. o sexo dos outros porque não há amor entre nós. a intimidade porque nunca houve amor. podias ter sido tudo e és apenas a tatuagem que não arranco de mim. o fim em que não acredito.a mentira que alimento.
podias ter sido tudo... és o amor que não pude viver
podias ter sido tudo... és o amor que não pude viver
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Rute Coelho
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segunda-feira, junho 05, 2006
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quarta-feira, maio 24, 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
domingo, maio 21, 2006
os sons do silêncio
porque te escrevo. nestas palavras mudas. ambíguas. circulares. onde me perco e te tento encontrar. despertar-te para mim. e chegar ainda que devagar e a medo a ti. que habitas em qualquer parte. que podes ser qualquer um. que me intrigas e me surpreendes. me desafias e me abandonas. tudo em ti são palavras. silêncios que se perdem na distância. algures num local que não conheço e quero encontrar. ver. olhar. perceber. sentir o que sinto nas palavras. ouve-me aqui. escuta a impaciência de uma juventude que me atravessa o olhar e se crava nos olhos de quem vê. toca-me. sente a pele quente e enlouquecida. usa as palavras. o silêncio da música que preenche os espaços tão vazios entre mim e ti. encontra-me. espero por ti. no silêncio. que disfarço com as palavras. as minhas ou as tuas?
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Rute Coelho
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domingo, maio 21, 2006
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domingo, maio 14, 2006
olhares
- Podes olhar agora. Eles estão-se a despedir. Conta-me o que vês...
Ele e ela despedem-se sempre desta forma. Assim como nós o fazemos em público. Nós somos apenas um aperto de mão mais caloroso ou quando nos permitimos um abraço com as características palmadas nas costas.
Eles são o beijo na testa. Simples. Seco e desprovido de tudo o que ela queria dele.
Nós, porque não pode mesmo ser de outra forma. Não nos podemos beijar em público. Somos dois homens. E isso ainda fica mal. Apesar de tudo.
Eles são dois amigos. E os amigos não se beijam.
Ele só beija outras mulheres na boca quando as quer levar para a cama. Ele só as toca quando as deseja.
Pergunto-me, enquanto os observo desta janela se ela se dará conta que embora falte o desejo a ele, há amor nos gestos toscos dele.
Porque raio ela simplesmente não desiste e não vai à procura de outra pessoa?- perguntas-me tu, enquanto os teus lábios acariciam a barba miúda.
Como é que ela consegue aguentar em silêncio? Como é que ela consegue amar naquele silêncio de lágrimas e sono?
A resposta é-te dada pelos meus lábios. Quentes. Exigentes. E duros como quase sempre. Ela, como nós habitou-se a amar, em silêncio, respondo-te por fim.
Num silêncio que nem ela compreende. Num silêncio imposto pelo olhar calado dele, cheio de ameaças de fim se ela por uma vez ousar dizer mais do que lhe é permitido.
É verdade, eu também te ameaço com o olhar muitas vezes. És um miúdo. Quantos anos a menos do que eu? Quantas experiências e vivências diferentes temos nós?
Ás vezes na inocência que conheço de cor, queres-te embrulhar em mim. Como se eu te pudesse cobrir e proteger. Ser o teu pai, ser o teu irmão e o teu amante. Não posso.
Eu sou apenas isto. Aqui. Dentro destas quatro paredes. Amo-te. Mas só aqui.
Olha para eles, diz-me são felizes?
Ele e ela despedem-se sempre desta forma. Assim como nós o fazemos em público. Nós somos apenas um aperto de mão mais caloroso ou quando nos permitimos um abraço com as características palmadas nas costas.
Eles são o beijo na testa. Simples. Seco e desprovido de tudo o que ela queria dele.
Nós, porque não pode mesmo ser de outra forma. Não nos podemos beijar em público. Somos dois homens. E isso ainda fica mal. Apesar de tudo.
Eles são dois amigos. E os amigos não se beijam.
Ele só beija outras mulheres na boca quando as quer levar para a cama. Ele só as toca quando as deseja.
Pergunto-me, enquanto os observo desta janela se ela se dará conta que embora falte o desejo a ele, há amor nos gestos toscos dele.
Porque raio ela simplesmente não desiste e não vai à procura de outra pessoa?- perguntas-me tu, enquanto os teus lábios acariciam a barba miúda.
Como é que ela consegue aguentar em silêncio? Como é que ela consegue amar naquele silêncio de lágrimas e sono?
A resposta é-te dada pelos meus lábios. Quentes. Exigentes. E duros como quase sempre. Ela, como nós habitou-se a amar, em silêncio, respondo-te por fim.
Num silêncio que nem ela compreende. Num silêncio imposto pelo olhar calado dele, cheio de ameaças de fim se ela por uma vez ousar dizer mais do que lhe é permitido.
É verdade, eu também te ameaço com o olhar muitas vezes. És um miúdo. Quantos anos a menos do que eu? Quantas experiências e vivências diferentes temos nós?
Ás vezes na inocência que conheço de cor, queres-te embrulhar em mim. Como se eu te pudesse cobrir e proteger. Ser o teu pai, ser o teu irmão e o teu amante. Não posso.
Eu sou apenas isto. Aqui. Dentro destas quatro paredes. Amo-te. Mas só aqui.
Olha para eles, diz-me são felizes?
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Rute Coelho
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domingo, maio 14, 2006
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sábado, maio 13, 2006
voltar
sair deste mundo pequeno. voltar ao espelho. ao outro lado. onde as emoções tomam conta de mim. correm-me nos dedos. e depois. as palavras que me acontecem nos dedos. tenho medo. acreditas. medo de depois não conseguir desse lugar encantado. onde sei que me esperas no lusco fusco de um amor tardio.
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Rute Coelho
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sábado, maio 13, 2006
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quarta-feira, maio 10, 2006
ainda a casa
A casa viu-me crescer, sonhar, chorar, rir, sorrir. viu-me gostar, desejar e amar.Agora é finalmente minha. depois de tudo. esteve quase quase quase para não ser. esteve quase para ser vendida. teve obras. agora é um arco-íris. cada divisão tem uma personalidade própria com uma cor para si mesma. todas respiram novidade. alegria. renovação. as paredes são as mesmas. sem papel. mas cheias de memórias e de histórias. um albúm silencioso que sabe segredos e pecados a mais. não há lixivía que tire o cheiro da sabedoria que estas paredes possuem. não há cortinas que tapem a luz que inunda a casa e me faz amar esta cidade. não há risos e sorrisos suficientes que limpem as lágrimas encrustradas nestas memórias que as paredes conservam. podia viver noutra casa. como vivi. e como desta vez estive quase quase a viver. podia ser uma casa mais pequena, menos dispendiosa, menos velha e problemática. mas não seria esta casa. não seriam as paredes que sabem de ti. não seriam elas as testemunhas de um amor que
esta é definitivamente a minha casa. cada dia mais minha...
esta é definitivamente a minha casa. cada dia mais minha...
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Rute Coelho
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quarta-feira, maio 10, 2006
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terça-feira, maio 02, 2006
há tempo
Há tempo que foi o nosso tempo que às vezes já não sei mesmo se ele foi nosso. meu. ou se tão somente ele aconteceu. foi há tempo que parece num outro tempo. havia tempo para um sorriso, um olhar, um gesto, um silêncio em que o teu o beijo descia no meu pescoço. e o tempo se ia na corrente dos ponteiros do relógio que teimavam em não parar. havia tempo nesse nosso tempo. hoje falamos apenas da falta de tempo. que tempo? o nosso?
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Rute Coelho
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terça-feira, maio 02, 2006
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sexta-feira, abril 28, 2006
a vida sem memória
foi assim. os pequenos esquecimentos do dia a dia. ninguém quis ver. acreditar. a tua memória era de elefante. o mundo ficou lá atrás. os teus olhos viam pessoas. fantasmas que habitavam um mundo que já não te lembravas. que não fazia sentido. as mãos na cabeça assustada. o barulho da rua, os carros na estrada, as buzinas e as pessoas que se atravessavam no caminho. nós à tua espera. e tu sem saber quem nós erámos. e nós sem saber em quem te estavas a transformar. tive tanto medo. e só chorei uma vez. quando deixaste de saber quem eu era. mas sorriste-me sempre. até ao fim. mesmo que já não te lembres.
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Rute Coelho
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sexta-feira, abril 28, 2006
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