domingo, junho 25, 2006
reencontrar-te
porque a vida tem o inimitavél poder de juntar, separar e voltar a juntar as pessoas, hoje vi-te. Revi-te. Passaram dez anos. Tanto tempo. olhámos para o corpo um do outro e não nos reconhecemos. pinto o cabelo, já não uso ténis e os óculos são lentes que ampliam o meu olhar três vezes. já não usas o cabelo comprido, a barba de três dias, a roupa preta e as botas da tropa. fez tudo parte de uma época, justificas enquanto acendes mais um cigarro. o vício que ganhei quando me apaixonei por ti. há dez anos. o tempo passou por nós e fez estragos. deixou-nos mais alerta, atentos ao que se passa fora de nós mesmos quando há dez anos atrás erámos apenas nós e o grupo o que verdadeiramente importava. mas dez anos não te tiraram o sorriso desses lábios que ainda apetece beijar, dizes-me ao ouvido em jeito de despedida.
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Rute Coelho
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sábado, junho 17, 2006
onde estás?
deste lado há um imenso véu cinzento. nevoeiro cerrado em noite escura. sem luar. nem estrelas. nada sei de ti. ameaço mesmo neste fim de noite nada saber de mim também. porque já não me conheço. não ouço vozes. não vejo pessoas. persigo as sombras na esperança da luz. não te encontro. alguém desse lado. ONDE ESTÁS?
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Rute Coelho
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terça-feira, junho 13, 2006
por detrás das palavras
há quem se tenha apaixonado por mim porque me sonhou um dia. há quem se tenha apaixonado por mim por causa do sorriso que exibo quase diariamente. outros apenas pelo olhar de menina marota. outros pelo coração que alcançaram e tentaram conquistar. outros pelos jeito encaracolado do meu cabelo que me molda o rosto. outros por qualquer outra coisa que não me quiseram confessar. Há quem se tenha somente apaixonado através das palavras. das minhas. é verdade aqui está muito de mim. talvez esteja mesmo o mais importante. o sonho. o sono. as lágrimas. os sorrisos. o amor. o resto é a realidade e por essa poucos se apaixonam.
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segunda-feira, junho 12, 2006
Sê
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quarta-feira, junho 07, 2006
regressos
gosto do movimento dos teus dedos. como eles percorrem as teclas e lhe emprestam alma. como as letras no ecrã compõe descrevendo silêncios, dos quais ainda não sei falar. gosto do arrepio constante que as tuas palavras me provocam. gosto quando voltas. como se não te tivesses ido. como se a vida tivesse parado naquela estação de comboio apinhada de pessoas que não entendiam que iria ficar sem ti. para eles erámos mais um casal de namorados que se separava. para mim era muito mais. era eu sem ti. sem o teu cheiro. o teu corpo para me embalar ao som das histórias de amor que escrevias para esconderes a nossa. a que se escondia nas quatro paredes da casa arrendada para escreveres apenas o livro. eu era o resto. o chá de canela sempre quente na chávena perto do computador, o cinzeiro despejado vezes sem conta durante o dia, era o passeio breve pela areia molhada ao fim da tarde, era o corpo meio adormecido e espraiado na cama que acordava no toque molhado dos lábios. eu era isso tudo. e era tão pouco...
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sem despedidas apenas te levei à estação e te disse adeus. não erámos por isso um qualquer casal de namorados. nem pai e filha, aviso os mais destráidos que não reparam na paixão que transbordava dos nossos olhos. erámos alguma coisa. alguma coisa que regressou.
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a praia por horizonte. tu aqui tão perto. os vestidos compridos brancos que escondem o desejo do meu corpo e lhe impingem pureza. de novo. quanto tempo? outro livro? o que afinal te levou a regressar? eu continuo aqui por detrás da chávena de chá, deitada na cama à espea que as palavras parem dentro da tua cabeça e a tua possas descansar no meu colo.
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sem despedidas apenas te levei à estação e te disse adeus. não erámos por isso um qualquer casal de namorados. nem pai e filha, aviso os mais destráidos que não reparam na paixão que transbordava dos nossos olhos. erámos alguma coisa. alguma coisa que regressou.
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a praia por horizonte. tu aqui tão perto. os vestidos compridos brancos que escondem o desejo do meu corpo e lhe impingem pureza. de novo. quanto tempo? outro livro? o que afinal te levou a regressar? eu continuo aqui por detrás da chávena de chá, deitada na cama à espea que as palavras parem dentro da tua cabeça e a tua possas descansar no meu colo.
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segunda-feira, junho 05, 2006
podias ter sido tudo
podias ter sido tudo e foste apenas palavras. podias ter sido tudo e foste apenas a oração fervorosa da primavera a despontar. um verão quente sem água. sem ti. é sempre assim. este fim do nada. no fim do mundo onde nunca nos vamos encontrar. o horizonte molhado entre o céu e água.a terra do nunca. porque nunca quiseste crescer. ou apaixonares-te. amar. eu sei que amas. e tens medo do resto. eu já não tenho medo de nada. cresci demais. e comecei pelo fim. o sexo antes do amor. o ódio antes da paixão. tu antes de mim. a morte antes da vida. os livros pela última página. mulher antes de ser menina. pesadelos antes de sonhos. e tu... sempre antes de mim. podia ter-te amado se o sempre existisse. podia ter-te amado se eu pudesse amar. se eu conseguisse amar. podia ter-te amado se não começasse tudo pelo fim. a nossa história começou pelo fim. a cumplicidade de dar as mãos em silêncio e saber que nesse silêncio está um amor passado e enterrado. que nunca existiu. o fim antes do princípio. tua. nunca meu. o sexo dos outros porque não há amor entre nós. a intimidade porque nunca houve amor. podias ter sido tudo e és apenas a tatuagem que não arranco de mim. o fim em que não acredito.a mentira que alimento.
podias ter sido tudo... és o amor que não pude viver
podias ter sido tudo... és o amor que não pude viver
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quarta-feira, maio 24, 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
domingo, maio 21, 2006
os sons do silêncio
porque te escrevo. nestas palavras mudas. ambíguas. circulares. onde me perco e te tento encontrar. despertar-te para mim. e chegar ainda que devagar e a medo a ti. que habitas em qualquer parte. que podes ser qualquer um. que me intrigas e me surpreendes. me desafias e me abandonas. tudo em ti são palavras. silêncios que se perdem na distância. algures num local que não conheço e quero encontrar. ver. olhar. perceber. sentir o que sinto nas palavras. ouve-me aqui. escuta a impaciência de uma juventude que me atravessa o olhar e se crava nos olhos de quem vê. toca-me. sente a pele quente e enlouquecida. usa as palavras. o silêncio da música que preenche os espaços tão vazios entre mim e ti. encontra-me. espero por ti. no silêncio. que disfarço com as palavras. as minhas ou as tuas?
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domingo, maio 14, 2006
olhares
- Podes olhar agora. Eles estão-se a despedir. Conta-me o que vês...
Ele e ela despedem-se sempre desta forma. Assim como nós o fazemos em público. Nós somos apenas um aperto de mão mais caloroso ou quando nos permitimos um abraço com as características palmadas nas costas.
Eles são o beijo na testa. Simples. Seco e desprovido de tudo o que ela queria dele.
Nós, porque não pode mesmo ser de outra forma. Não nos podemos beijar em público. Somos dois homens. E isso ainda fica mal. Apesar de tudo.
Eles são dois amigos. E os amigos não se beijam.
Ele só beija outras mulheres na boca quando as quer levar para a cama. Ele só as toca quando as deseja.
Pergunto-me, enquanto os observo desta janela se ela se dará conta que embora falte o desejo a ele, há amor nos gestos toscos dele.
Porque raio ela simplesmente não desiste e não vai à procura de outra pessoa?- perguntas-me tu, enquanto os teus lábios acariciam a barba miúda.
Como é que ela consegue aguentar em silêncio? Como é que ela consegue amar naquele silêncio de lágrimas e sono?
A resposta é-te dada pelos meus lábios. Quentes. Exigentes. E duros como quase sempre. Ela, como nós habitou-se a amar, em silêncio, respondo-te por fim.
Num silêncio que nem ela compreende. Num silêncio imposto pelo olhar calado dele, cheio de ameaças de fim se ela por uma vez ousar dizer mais do que lhe é permitido.
É verdade, eu também te ameaço com o olhar muitas vezes. És um miúdo. Quantos anos a menos do que eu? Quantas experiências e vivências diferentes temos nós?
Ás vezes na inocência que conheço de cor, queres-te embrulhar em mim. Como se eu te pudesse cobrir e proteger. Ser o teu pai, ser o teu irmão e o teu amante. Não posso.
Eu sou apenas isto. Aqui. Dentro destas quatro paredes. Amo-te. Mas só aqui.
Olha para eles, diz-me são felizes?
Ele e ela despedem-se sempre desta forma. Assim como nós o fazemos em público. Nós somos apenas um aperto de mão mais caloroso ou quando nos permitimos um abraço com as características palmadas nas costas.
Eles são o beijo na testa. Simples. Seco e desprovido de tudo o que ela queria dele.
Nós, porque não pode mesmo ser de outra forma. Não nos podemos beijar em público. Somos dois homens. E isso ainda fica mal. Apesar de tudo.
Eles são dois amigos. E os amigos não se beijam.
Ele só beija outras mulheres na boca quando as quer levar para a cama. Ele só as toca quando as deseja.
Pergunto-me, enquanto os observo desta janela se ela se dará conta que embora falte o desejo a ele, há amor nos gestos toscos dele.
Porque raio ela simplesmente não desiste e não vai à procura de outra pessoa?- perguntas-me tu, enquanto os teus lábios acariciam a barba miúda.
Como é que ela consegue aguentar em silêncio? Como é que ela consegue amar naquele silêncio de lágrimas e sono?
A resposta é-te dada pelos meus lábios. Quentes. Exigentes. E duros como quase sempre. Ela, como nós habitou-se a amar, em silêncio, respondo-te por fim.
Num silêncio que nem ela compreende. Num silêncio imposto pelo olhar calado dele, cheio de ameaças de fim se ela por uma vez ousar dizer mais do que lhe é permitido.
É verdade, eu também te ameaço com o olhar muitas vezes. És um miúdo. Quantos anos a menos do que eu? Quantas experiências e vivências diferentes temos nós?
Ás vezes na inocência que conheço de cor, queres-te embrulhar em mim. Como se eu te pudesse cobrir e proteger. Ser o teu pai, ser o teu irmão e o teu amante. Não posso.
Eu sou apenas isto. Aqui. Dentro destas quatro paredes. Amo-te. Mas só aqui.
Olha para eles, diz-me são felizes?
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Rute Coelho
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