domingo, outubro 01, 2006
a declaração de amor. ou talvez não.
Deixa-me aproveitar que estou sob o efeito do vinho para te poder dizer tudo aquilo que me ficou entalado na garganta e que só nunca te disse porque não o permitiste. Contigo, não posso ser acusada de falta de frontalidade. Sempre tive coragem ou estupidez aguda para dizer que gostava de ti. Para dizer que te desejava. E no fim, hoje, para dizer que te amei. Que sim, que foste o meu primeiro amor. Que tudo aquilo em que a nossa relação se tornou foram um conjunto de erros. A bola de neve que não parou de rolar. Há dias, em que sim, em que quase vejo em ti aquilo que vês em mim. Há dias, minutos em que te olho e vejo só um homem. Há outros em que vejo um amor. Há outros em que me pergunto como pude ser tão teimosa. Há outros em que olho apenas para mim mesma e me pergunto se tudo isto valeu a pena. Se tantas noites, tantas humilhações, tantos erros, valeram a pena. Tenho a certeza que sim. Por mim. Porque à força de inúmeras lágrimas me demonstraste qual é a beleza do amor. O esperar à janela pelo o que nunca vem e ao mesmo tempo guardar a esperança que um dia há-de vir. D. Sebastião, num dia de nevoeiro, arrancando-me aos laços em que me prendi. Desapertando-me os nós que me ligam a ti. Absolutos e por vezes tão assustadoramente definitivos. É esse o amor. que já não me liga a ti. mas um outro. pelo qual já não esperava. mas apareceu-me e soube-me encontrar. já não sentada à tua espera. mas à espera de mim mesma. ainda cá estás. mas do outro lado da linha. é bom acenar-te e saber que já partiste. quem sabe se para sempre. amor teu. para sempre. ou talvez não.
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Rute Coelho
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domingo, outubro 01, 2006
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sexta-feira, setembro 29, 2006
ontem

não gosto de cemitérios. fazem-me lembrar que estou viva. e isso às vezes parece-me tão injusto. como ontem. fizeste anos. demasiado longe de mim.
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Rute Coelho
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terça-feira, setembro 26, 2006
aqui
porque não há mais lugar nenhum onde possa somente gritar sem ninguém me ouvir. porque aqui sou eu sem o ser. porque isso não interessa agora. interessa-me apenas ficar. assim. quieta. à espera que as lágrimas venham. quentes e silenciosas. depois tudo vai passar. quero acreditar.
as lágrimas não descem dos meus olhos. o grito pára na garganta. o lago imenso dos meus olhos fica parado à espera da próxima tempestade. Que há-de vir. vem sempre. é assim a vida. aqui.
as lágrimas não descem dos meus olhos. o grito pára na garganta. o lago imenso dos meus olhos fica parado à espera da próxima tempestade. Que há-de vir. vem sempre. é assim a vida. aqui.
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segunda-feira, setembro 18, 2006
palavras
Estas são antigas. mas ainda fazem todo o seu sentido. libertei-as do pó da memória
"Longe do olhar dos outros, respiramos ao mesmo tempo- como uma engrenagem única e bela. Resquício de memória que se apaga lentamente, sem que ninguém dê por isso."
"Longe do olhar dos outros, respiramos ao mesmo tempo- como uma engrenagem única e bela. Resquício de memória que se apaga lentamente, sem que ninguém dê por isso."
Al Berto in "O Anjo Mudo"
sábado, setembro 16, 2006
curiosidades...
não gosto de dar explicações. de traduzir os meus textos. de lhes retirar a alma e transcrevê-la para a vida real em que as palavras são o espaço absurdo que fica nos lábios depois de um beijo. qualquer que seja. mas satisfaço a curiosidade de alguns e-mails e confesso. muito ou quase tudo do que está aqui é real. aconteceu. deixou marcas. é meu. partilhá-lo é um acto de egoismo meu. porque o amor também é isso nas palavras da poetisa. Cantá-lo. Gritar. Escrever. O eu. o aqui. o agora. o nós. o depois.
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Rute Coelho
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sexta-feira, agosto 11, 2006
este luar
já dura há três anos. e foi feito a pensar num prazo de validade de três meses, não mais que isso. Talvez por isso até já tenho passado de prazo e esteja velho e amassado. É, no entanto, ainda o meu mundo. a preto e branco. a cores. a sorrir. com lágrimas nos olhos. Sou eu nalguma parte de mim que se revela nas palavras e se traduz simplesmente na meia luz deste noite de lua. aqui sou simplesmente eu. nua. quando atravesso o espelho e me lembro de que às vezes tudo ainda pode fazer algum sentido. ou não. como os sentimentos que ainda teimo em cultivar. ou mesmo como o blog em si mesmo. quer faça ou não sentido. aqui está ele. repleto de histórias. de mim.
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quarta-feira, julho 26, 2006
tenho saudades destes caminhos...

a foto é minha. a viagem é nossa. o dia era meu. fim de dezembro. os meus anos. um frio imenso. o entardecer do depois na varanda. a olhar deslumbrados para a paisagem. fazendo contas à vida para comprar a casinha feita de pedra no meio desta aldeia. perdida algures no meio de Portugal. foi a viagem da descoberta. da casinha de pedra e dos sonhos que podiam ser os nossos. a foto é minha. o dia era meu. as saudades partilho-as contigo.
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domingo, julho 23, 2006
imagina-te...
imagina o avião. eu de cabeça colada à janela, passeando os olhos pelas nuvens, olhando-te de momentos a momentos e sorrindo. imagina o quarto de hotel depois. desfazer as malas. arrumar tudo nas gavetas. as tuas coisas junto às minhas. agora pelo menos. as escovas de dentes quase a tocarem-se. os teus lábios nos meus. a cidade depois à nossa espera. de mãos dadas. porque a idade ficou lá na outra cidade. os olhos postos no desconhecido. eu e tu, junto ao rio. no arco do triunfo. a torre que se ergue por cima das nossas cabeças. os bairros de artistas das histórias com as quais me encantava e te sonhava assim também. imagina as pessoas a virarem a cabeça na rua. riem-se. criticam. não faz mal. somos nós. aqui. onde não devemos satisfações a ninguém. atravessamos o canal e o relógio anuncia o nosso tempo. paramo-lo. conto as estações de metro. eu sei já me perdi neste submundo. debaixo da terra. imagina o verde do parque que atravessa o nosso olhar. imagina a rainha. imagina-me princesa. imagina-nos. consegues?
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quinta-feira, julho 20, 2006
Até já
Agarro a porta. fechá-la é fechar também qualquer dentro e mim. de nós. admitir que alguma coisa se quebrou. que do encantamento de ontem sobrou apenas a despedida de hoje. as nossas mãos em cada lado da porta. tu a fechar. eu a tentar deixá-la aberta. para quem sabe um dia depois. depois da tua vida. depois da minha. Damo-nos por fim as mãos, depositas-me um beijo rápido nos lábios e fechas a porta com força. Corro até à janela para te ver. Atravessas a rua sem olhar para trás. eu sei. a vida não espera por nós. Deixo-me ficar a ver-te entar no carro e a disparar pelas ruas de lisboa. já te foste.
Até já
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terça-feira, julho 11, 2006
E porque...
Porque todas as histórias de amor são repetições inevitáveis de outras tantas histórias de amor. Porque todas as histórias de amor começam assim sem darmos por isso. E acabam sempre mal. Pelo menos as mais bonitas. A minha acaba assim...
And once again the story ends with you and I
Anastacia
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