quarta-feira, abril 18, 2007
assim...
Assim... de ombros nus, abraçada a mim mesma. porque ainda é o único abraço que me consola e me isola do mundo. das dores. e dos outros. que não me conseguem agarrar. nem suster o meu medo, as minhas lágrimas ou a minha emoção no seu abraço. assim abraçada a mim. ainda mais sozinha. ainda mais eu. comigo mesma. agarrando-me. suspensa na corda bamba. assim de ombros descobertos, abraçada. entre o afecto e o desespero. embalada pela nostalgia das coisas que passam sempre. hoje dói mais apenas. o quê? tudo. hoje dói mais tudo. numa dor aguda quase física. onde? por todo o corpo. dentro do corpo. por dentro de mim. assim abraço-me. para passar o tempo.
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quarta-feira, abril 18, 2007
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segunda-feira, abril 02, 2007
ela...
Ele há rostos que nos tocam. Nos ficam. E nos perseguem. É assim o rosto desta mulher. A preto e branco. Porque sim. Porque só conheço duas cores. Estas duas. Tudo o resto são derivações. Mas ela é única. E vejo-a. Sentada na cadeira de balouço. À espera que lhe pousem as borboletas na mão. Ninguém sabe o que espera. Ou sequer se vai voltar a falar. Há vozes como a dela, doces e ternas, que nos fazem voltar ao início de tudo. Ao algodão doce na extinta feira popular. Ás histórias de encantar. Ela é uma princesa ainda. De voz adormecida e rosto calado. A mão estendida. À espera da borboleta. Do amor que a toque. A levante e lhe fale baixinho ao ouvido. Só para a ouvir de novo cantar.
(ela não fala há quase dez anos. habita um mundo de silêncio. só seu. e meu que a espio na vã tentativa de a ouvir novamente. como há quase dez anos. em que era tudo tão mais fácil)
(ela não fala há quase dez anos. habita um mundo de silêncio. só seu. e meu que a espio na vã tentativa de a ouvir novamente. como há quase dez anos. em que era tudo tão mais fácil)
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quarta-feira, março 28, 2007
porque danço
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Álvaro de Campos
Porque danço a meio do dia. porque abro os olhos num sorriso imenso para o mundo. porque choro. porque me provo. porque erro. porque espero sempre alguém. porque sonho sempre de olhos abertos para o futuro. Porque sou inteira quando te amo. Porque sou absoluta. Porque sou cavalo selvagem. porque sou a liberdade na flor. porque sou a presa fácil do amor. porque sou assim. apenas eu. apenas sonho. nuvem de fantasia. porque sou toda em ti. porque nada deixo para mim. porque me abraço. porque tenho frio. porque me acaricio. porque tenho fome. de ti. porque me olho ao espelho. e não te vejo. porque rodopio sozinha a meio do dia. porque sonho. Sempre. muito.
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sábado, março 24, 2007
porque não sei
porque não sei tanto. tanto mesmo. há tanta coisa para lá de mim. tanto que não sei dizer, exprimir e segredar-te ao ouvido. não sei como te dizer o que isto é. como é. como me atravessa os sentidos, se entranha nas vísceras e me faz querer-te. acima de todos os medos. acima de todos os riscos. dos costumes. acima dos outros. acima de mim mesma. porque subo. fecho os olhos extasiada. estou no topo do mundo. estou contigo. e sei. tão bem que sei. talvez seja a única coisa, que verdadeiramente sei, não era contigo que deveria estar. de mãos dadas até tudo se acabar e a eternidade se perder debaixo da água quente. onde o teu corpo já não é meu. E o meu voltou apenas a ser corpo. porque não sei ser mais nada. não sei se há mais alguma coisa para ser aqui. contigo. ainda que no topo do mundo.
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quinta-feira, março 15, 2007
Não sabes...
Não sabes as palavras mas adivinhas as letras. Não sabes os nomes, mas adivinhas-lhes as formas. Não sabes quanto tempo, mas adivinhas que é pouco. Não sabes se é poema, conto ou romance, mas adivinhas que é de amor os segredos que te escrevo no papel. Não sabes se é de noite ou de dia, mas adivinhas que te chamo no silêncio dos meus sonhos. Não sabes se sou culpada ou inocente, mas adivinhas o feitiço nos olhos. Não sabes se sou terra, ar ou água, mas adivinhas que não sou de ninguém. Não sabes se te amo, mas adivinhas no corpo que te quero. Não sabes para onde vou, mas adivinhas que vou sem ti. Não sabes as notas, mas adivinhas a música branca que nos abraça e nos tenta. Não o sabes verdadeiramente mas… amo-te
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domingo, fevereiro 18, 2007
fogo
quem brinca com o fogo, queima-se. foi assim que nos conhecemos. tu eras fogo. e eu estava disposta a queimar-me. nessa fogueira imensa. tivesse ela a dimensão que tivesse. durasse o tempo que durasse a extinguir-se. iria perserguir-te até ao fim. até te ter. decidi nesse mesmo dia.
com o passar do tempo, dei-me conta que não brincava com o fogo. pisava-o de pés descalços. com a humildade de quem sabe que para ter, é preciso lutar. com a inocência de quem inicia um caminho pela primeira vez. com a ingenuidade de quem ainda olha o mundo à volta com olhos grandes de espanto.
amo-te: piso o fogo de pés descalços.
com o passar do tempo, dei-me conta que não brincava com o fogo. pisava-o de pés descalços. com a humildade de quem sabe que para ter, é preciso lutar. com a inocência de quem inicia um caminho pela primeira vez. com a ingenuidade de quem ainda olha o mundo à volta com olhos grandes de espanto.
amo-te: piso o fogo de pés descalços.
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quarta-feira, janeiro 31, 2007
revisão da matéria
quando andava na escola as aulas que mais me entediavam eram estas: revisões da matéria dada. chegava ao fim e a conclusão era sempre a mesma. não entendia nada. faltavam sempre conhecimentos que por preguiça deixava acumular no saco do depois. hoje a revisão da matéria deixa-me ainda a mesma sensação. faltam-me conhecimentos. para poder lidar com isto que é a vida. com isto que é a morte. com isto que é o amor. com isto que é esta dor no peito que me estrangula a verdade. se revir a matéria percebo que continuo, apesar da passagem do tempo, a saber cada vez menos sobre as coisas. porque tudo me parece sempre novo. e com olhos de espanto encaro o dia da revisão da matéria. afinal sei que pouco ou nada sei. sobre isto. que dói. e que ás vezes chamam de vida. de amor. de dor. de qualquer coisa. nada sei.
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segunda-feira, janeiro 15, 2007
quando tudo ainda é tudo
Quando tudo é ainda é tudo. mesmo tudo. se é que me entendem. quando o amor é qualquer coisa de indefinida escrita e reescrita em mensagens grátis para os telemóveis divididas alternadamente entre as amigas e aquela pessoa especial. Nesse mesmo quando, há uns anos atrás, agora parecem-me séculos, confesso, vi-te. E acho que sim que me apaixonei. Ou pior do que isso, tornaste-te o meu herói. tornaste-te o mágico do meu sorriso. o único adulto ao cimo da terra que me entendia. tinhas a vida que eu ambicionava ter um dia. a liberdade que eu invejava. a solidão que me inspirava. eras tudo. quando tudo era ainda tudo. o meu melhor amigo que me defendeu das lágrimas quando a morte me bateu à porta pela primeira vez. nunca hei de esquecer aquele abraço quente que me agasalhou da frieza dos imponentes ciprestes no cemitério. como me levantaste, me sentaste na mota e me fizeste desaparecer para bem longe do mundo. porque descobri nesse dia que era um sítio onde doía demais existir.
Quando tudo ainda era tudo, desfazias-me as palavras e os sonhos com histórias de vidas cheias de ruas e avenidas vividas à noite debaixo de cobertores rotos ou de cartão.
Quando tudo era ainda tudo, trocaste-me os meus sonhos de menina por dores brutais de mulher. obrigaste-me a crescer, amargando-me os lábios. tenho as imagens gravadas na cabeça e tive-as demasiados anos gravadas na pele.
quando tudo era tudo, não entendi. chorei. e morri-te no sofá preto com riscas vermelhas. porque foi ali que tudo deixou de ser tudo para passar a ser uma qualquer coisa que doía demasiado e não conseguia contar a ninguém. entre a dor e a vergonha nasci-me. outra vez. as que forem precisas para que tudo ainda seja tudo. porque não há dor capaz de me calar o sorriso que trago preso nos meus lábios.
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terça-feira, janeiro 09, 2007
anda
anda. vamos? onde? a esta hora? Não respondes à minha sucessão de perguntas e escondes-te no silêncio de quem veste apressado o casaco e sai. antes de fechar a porta, diz-me então. vou comprar cigarros. Não fumas, penso eu. Visto também eu o meu casaco apressadamentes e com as chaves no bolso sigo os teus passos. Se desapereceres eu também quero desaparecer contigo.
Seguimos pela rua meio que desorientados pela penumbra da noite escondendo-nos da pouca luz existente. o teu passo acelera de vez em quando. quase corres. á procura de cigarros. à procura do fim. corro também. as minhas pernas são pequenas demais. sinto-me a perder as forças. não queria desistir ainda. acho-me tão nova para essas coisas. desistir. parar de lutar. abandonar o barco. mas confesso. nunca pensei que precisasses de cigarros numa noite como esta. escura e perdida numa aldeia sem luz.
já não vamos a lado nenhum. alcançaste o fim. agora tenho sempre cigarros para ti. se voltares. não precisas de procurar mais nada.
Seguimos pela rua meio que desorientados pela penumbra da noite escondendo-nos da pouca luz existente. o teu passo acelera de vez em quando. quase corres. á procura de cigarros. à procura do fim. corro também. as minhas pernas são pequenas demais. sinto-me a perder as forças. não queria desistir ainda. acho-me tão nova para essas coisas. desistir. parar de lutar. abandonar o barco. mas confesso. nunca pensei que precisasses de cigarros numa noite como esta. escura e perdida numa aldeia sem luz.
já não vamos a lado nenhum. alcançaste o fim. agora tenho sempre cigarros para ti. se voltares. não precisas de procurar mais nada.
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sábado, janeiro 06, 2007
atada
atada.nós fortes. laços inquebravéis. amarras para sempre. a aliança no dedo. poderia já estar tudo dito se te quissesse falar do fim inevitavél que tudo isto um dia terá. por agora vivo atada. na corda bamba de uma história que bem podia ser de equilibristas ou de trapezistas que voam de olhos fechados. espírito aberto dado a possibilidade de caírem, magoarem-se ou morrerem. beijas-me. fecho os olhos. voo. pouso o meu corpo cansado mesmo à beirinha do precepício da paixão. escuto uma voz que me aconselha prudência. não gosto destas vozinhas interiores. caio as vezes que cair. as que forem necessárias para poder sentir sempre o que é voar. desafiar a vida em cada beijo que damos. sem medo de morrer. porque garantiram-me que já não se morre de amor.
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sábado, janeiro 06, 2007
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