porque há a ternura do primeiro olhar. as palavras que se proferem pela primeira vez e se guardam como recordações distantes. também pela primeira vez. há o primeiro beijo. tiraste os óculos. fechaste-me os olhos. e aconteceram os nossos lábios. nossos. nem meus. nem teus. nossos. em pequenos passos em direcção ao céu. porque de mãos dadas contigo posso voar. habitar um mundo novo. sorrir e ser eu. só para ti. pela primeira vez. feita de ternura.
sábado, junho 09, 2007
da ternura
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Rute Coelho
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sábado, junho 09, 2007
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terça-feira, junho 05, 2007
encanto
encantei-me como julgava impossivél encantar-me novamente. pelos olhos. pelo sorriso. pelas mãos, pelas palavras que trocámos. E foram tantas e tão intensas que as podíamos ter divido por outras noites. mas usámos aquelas. ainda temos outras. teremos sempre, asseguras-me tu. sinto que sim. que são feitas de verdade as palavras que trocamos. que são feitas de nós cegos em que me apetece entrelaçar. e ficar suavemente a balouçar na rede. uma e outra vez.
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Rute Coelho
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terça-feira, junho 05, 2007
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sábado, junho 02, 2007
se te pudesse escrever
Se te pudesse escrever eu saberia o que fazer com esta dor miudinha que me consome por dentro. me tira o sono. me faz tropeçar nas palavras. sorrir de novo. e encantar-me com os caminhos que sonho para nós. um dia. muito mais tarde. porque sim. já sei. há coisas que demoram tempo a acontecer. e eu não posso querer tudo hoje. desculpa-me. nasci assim com pressa de viver. medo de morrer sem ter experimentado tudo a que tenho direito. se é que tenho mesmo direito a ti. se te pudesse escrever seria tudo mais fácil. traduzir-te em palavras e revelar-te nos meus dedos seria o princípio. assim saberia que me pertencerias sempre. mas não te prendes em mim. foi só um momento. ainda dura dentro de mim.
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sábado, junho 02, 2007
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domingo, maio 27, 2007
EU
A terra é a minha pátria, o céu o meu tecto, a liberdade a minha religião.
Provérbio cigano
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Rute Coelho
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domingo, maio 27, 2007
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terça-feira, maio 15, 2007
Passa mesmo?
Fechou a porta com todo o cuidado para que a mãe não acordasse. Hoje o trabalho deveria ter demorado mais tempo. No princípio custara-lhe muito aceitar a profissão da mãe. A mãe é uma p... . Fina, daquelas que se mantém à custa das mais novas, quase sempre ilegais e na maioria até mais novas do que ele.
À “Casa Alegre”, assim se chama o local, ele foi lá duas ou três vezes, e foram fatais. Na primeira descobriu a verdadeira profissão da mãe, na segunda descobriu rostos de homens importantes que só conhecia da televisão e na terceira vez... essa sim foi a mais fatal. Apaixonou-se. Acreditem... foi de verdade! À primeira vista! O primeiro amor! Tornou-se uma obsessão. E se as obsessões em qualquer idade são perigosas, na adolescência em que o mundo ainda é nosso, as emoções são ainda mais intensas e o perigo da queda torna-se ainda maior.
Ela, filha de um emigrante português arruinado, era a coqueluche dos clientes: Bonita, franzina, loura, tocava piano e falava francês. E era a pureza em pessoa e no nome. E não tinha achado piada nenhuma a ele. Até porque não se queria meter em complicações com a patroa. Atracção física, uma paixoneta condescendia ela. O verdadeiro amor, prometia ele. Paixão primaveril, insistia ela. Amor eterno, jurava ele.
Um dia pequeno de Inverno ela desapareceu. Da “ Casa Alegre” e da vida dele. Ele chorou-lhe a partida e ficou meses de cara às avessas com a mãe. Rebeldia de um adolescente mimado. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Chega à faculdade mesmo a tempo do início da primeira aula da manhã. O professor debita a matéria. Fala-se do coração. Das veias e do sangue. Dos malefícios do tabaco e do colesterol. Mas o Senhor Professor esqueceu-se das emoções. Essas sim, provocam os grandes males do coração. Essas sim aceleram o coração e originam as tais palpitações.
O sonho da faculdade já não o alimenta. Já não chega, se é que me percebem. Têm de haver mais do que este futuro projectado ao milímetro. Faltam-lhe as ditas emoções, aquelas que dão vida ao coração. Dessas, ele não as vive há muito tempo. Desde que ela se foi embora, naquele pequeno dia de Inverno. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Num terraço de um prédio de doze andares, sentado mesmo, mesmo à beirinha ele interroga-se: Qual é o fim da dor?
Lá em baixo, os carros e as pessoas. Formigas de várias cores que apressadas procuram o seu carreiro e o seu ninho. Qual é o fim da dor? Passa mesmo?! Já não consegue acreditar nas palavras da mãe. Afinal, depois de tantas mentiras (piedosas), ainda dá para acreditar?
Um psiquiatra “amigo” da mãe diagnosticou-lhe uma depressão e mandou-o para casa com duas caixas de comprimidos. Nunca os tomou. As emoções não se curam com químicos. Pelo menos não as suas.
Suicídio, distracção ou negligência (nenhuma protecção no terraço!). Apenas uma pergunta: Qual é o fim da dor? E as palavras da mãe. Isto passa. Passa mesmo?!
À “Casa Alegre”, assim se chama o local, ele foi lá duas ou três vezes, e foram fatais. Na primeira descobriu a verdadeira profissão da mãe, na segunda descobriu rostos de homens importantes que só conhecia da televisão e na terceira vez... essa sim foi a mais fatal. Apaixonou-se. Acreditem... foi de verdade! À primeira vista! O primeiro amor! Tornou-se uma obsessão. E se as obsessões em qualquer idade são perigosas, na adolescência em que o mundo ainda é nosso, as emoções são ainda mais intensas e o perigo da queda torna-se ainda maior.
Ela, filha de um emigrante português arruinado, era a coqueluche dos clientes: Bonita, franzina, loura, tocava piano e falava francês. E era a pureza em pessoa e no nome. E não tinha achado piada nenhuma a ele. Até porque não se queria meter em complicações com a patroa. Atracção física, uma paixoneta condescendia ela. O verdadeiro amor, prometia ele. Paixão primaveril, insistia ela. Amor eterno, jurava ele.
Um dia pequeno de Inverno ela desapareceu. Da “ Casa Alegre” e da vida dele. Ele chorou-lhe a partida e ficou meses de cara às avessas com a mãe. Rebeldia de um adolescente mimado. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Chega à faculdade mesmo a tempo do início da primeira aula da manhã. O professor debita a matéria. Fala-se do coração. Das veias e do sangue. Dos malefícios do tabaco e do colesterol. Mas o Senhor Professor esqueceu-se das emoções. Essas sim, provocam os grandes males do coração. Essas sim aceleram o coração e originam as tais palpitações.
O sonho da faculdade já não o alimenta. Já não chega, se é que me percebem. Têm de haver mais do que este futuro projectado ao milímetro. Faltam-lhe as ditas emoções, aquelas que dão vida ao coração. Dessas, ele não as vive há muito tempo. Desde que ela se foi embora, naquele pequeno dia de Inverno. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Num terraço de um prédio de doze andares, sentado mesmo, mesmo à beirinha ele interroga-se: Qual é o fim da dor?
Lá em baixo, os carros e as pessoas. Formigas de várias cores que apressadas procuram o seu carreiro e o seu ninho. Qual é o fim da dor? Passa mesmo?! Já não consegue acreditar nas palavras da mãe. Afinal, depois de tantas mentiras (piedosas), ainda dá para acreditar?
Um psiquiatra “amigo” da mãe diagnosticou-lhe uma depressão e mandou-o para casa com duas caixas de comprimidos. Nunca os tomou. As emoções não se curam com químicos. Pelo menos não as suas.
Suicídio, distracção ou negligência (nenhuma protecção no terraço!). Apenas uma pergunta: Qual é o fim da dor? E as palavras da mãe. Isto passa. Passa mesmo?!
*um dos meus últimos textos publicados no saudoso dn jovem
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Rute Coelho
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terça-feira, maio 15, 2007
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sexta-feira, maio 11, 2007
assim que o tempo passar
assim que o tempo passar sobre nós haverá com certeza coisas que se perderão, palavras a morrer nos lábios ou gritos sufocados na garganta. assim que este tempo passar. as minhas mãos já não serão uma extensão das tuas e os meus olhos não procurarão, no céu, a tua estrela. assim que o tempo passar sobre nós saberei que te foste embora. que partiste sem volta. sem abraços desta vez, promete. porque o tempo não pode passar por nós se ainda vislumbrar no teu abraço a vontade de me agarrar. para sempre. assim não nos conseguiremos despedir nunca. e precisamos disso para voltar a viver. para podermos ser dos outros. para que o tempo passe por nós e nos apague. leve o resto.
não me abraçes. nunca mais.
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sexta-feira, maio 11, 2007
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terça-feira, maio 01, 2007
pormenores de um dia
estás sentada à minha frente e desenrolas uma história. a tua história. entre a dúvida se devo sorrir ou deixar que a lágrima teimosa desça sobre mim, paro apenas. sustenho a respiração enquanto suspendo o mundo e ouço-te. mulher agora. miúda há tempos atrás porque não te vi crescer. e no entanto estás aqui frente a mim a desenrolar uma história cheia de gritos que se cristalizaram dentro de ti, cheia feridas invisiveis que os outros teimam em não reparar, cheia de esconderijos secretos, os quais te permitiram sempre fugir. até hoje. porque me contas finalmente a tua história. de silêncios que se queriam, em algum momento, gritos. de sorrisos que foram máscaras de lágrimas, de palavras que se atentamente lidas eram pedidos de socorro. és jovem e forte. como são todos aqueles que acreditam no amanhã que ainda está por construir. como são todos aqueles que amam apesar de...
sou a tua ouvinte passiva porque me pediste. pagaste à recepcionista o preço da consulta. tiveste de começar a telefonar para casa das pessoas, a tentares vender a banha da cobra, para poderes falar. para eu te poder ouvir. devia ser de graça ouvir-te, penso. ninguém deveria ter de pagar para poder gritar tudo o que se acumula. tu pagaste. e agora estás aqui. eu de frente para a história. a tua.
calas-te. apetece-me pegar na tua mão e acreditar contigo. como tu acreditas apesar de tanta coisa, amar como tu amas apesar de...
os ponteiros do relógio marcam o fim. não sei ainda se voltas. ou se a tua história voltará contigo.
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terça-feira, maio 01, 2007
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quinta-feira, abril 26, 2007
um novo mundo
amanhecer é isto. espreguiçar-me perante a janela. desvendar um novo mundo agarrada às paredes carregadas de telas. que me falam de ti. cruzar o olhar com o céu. descobrir nele as cores de sempre. e ficar feliz por isso. por estar aqui. a perscrutar com o meu divino olhar a massa de mundo que se estende à minha frente. sempre nova. porque há uma racha nova no vaso que se esconde no parapeito da janela. porque a cadeira onde me sento, para tomar o café, é tão antiga, reparo só hoje. e sempre sentei aqui desde sempre. a parede é azul. azul a imatar o céu lá fora. amanhecer é dizer-te bom dia. novo mundo. meu. tão meu. que fecho as portadas das janelas e vou para a rua. à procura de outros mundos, espreguiçando-me por outras janelas de onde se avistam outras telas.
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quinta-feira, abril 26, 2007
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quarta-feira, abril 25, 2007

porque foram as primeiras flores que recebi de um homem. o meu pai. porque são as flores que cultivo desde sempre dentro de mim. são as flores da liberdade. da minha e da dos outros. são o sangue que me corre nas veias. as flores do meu pensamento. porque hoje é 25 de abril.
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quarta-feira, abril 25, 2007
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sexta-feira, abril 20, 2007
porque hoje
por ti, para ti
porque hoje acordei e senti a falta de tudo. do ponto exacto no mapa onde era possível nos encontrarmos. há dias em que esse ponto não existe. como hoje. falta-me a praia. as falésias embrutecidas pelo toque violento do mar. falta-me o fio de prumo que tornava o céu tão certo e tão nosso. faltam-me os teus braços que me fazem rodopiar. e lembrar-me de ser pequena. faltam-me os teus olhos gritantes de sonho. falta-me o corpo que aqueça o tom pálido da minha carne. falta-me tudo hoje. faltas-me tu. falta-me o beijo quente do destino pelo qual anseio desde sempre. desde que te tornaste o passaporte para os meus sonhos. de menina. ainda. para ti.
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Rute Coelho
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sexta-feira, abril 20, 2007
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