Em algum lugar. Num tempo que não foi nosso. não o será nunca mesmo. Nesse lugar recôndito de mim espero por ti. Esperei desde sempre. Antes de ser gente e de saber que um dia te iria conhecer. Imaginei-te tantas vezes. escrevi-te outras tantas vezes. E soube, sempre soube, que aquele nunca seria o nosso tempo. Em algum lugar dentro de mim ainda te espero. Um tempo que tem aliás a vida inteira para acontecer. a tua ou a minha? O que sou eu para ti? O que fui?
Ficam as perguntas. As imagens e todas, todas as palavras mágicas, que me fazem sorrir e querer, querer muito acreditar. Em mim. Em algum lugar.
sexta-feira, julho 13, 2007
terça-feira, julho 10, 2007
às vezes bastava um beijo, sabias?
Escondo as lágrimas, passo a água pelo rosto, olho-me no espelho mal iluminado e penso que tenho de estar apresentavél.
não tenho tempo para chorar. ou para ter pena de mim. ou para sentir. É melhor mesmo nem sentir o que se passa cá dentro. o que mói e o que me esventra por dentro. às vezes bastava um beijo, sabias?
Ajeito as calças e componho o blaser azul escuro. Com a escova, estico os cabelos com força, para matar os caracóis. Eliminar os vestígios de mim na mulher que se reflecte no espelho. nunca se nasce outra vez. Eu queria nascer de novo. Para te tirar de dentro de mim.
Passo o batom nos lábios, em jeito de toque final. Estou pronta.
às vezes bastava um bejo, sabias?
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terça-feira, julho 10, 2007
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domingo, julho 01, 2007
baloiçar
O baloiço é das minhas mais queridas recordações de infância. Voava. Impulsionada pelo sonho. de olhos fechados. porque o mundo era meu. Não precisava sequer que me empurrassem. Sozinha. Sonhava tudo. E balouçava. Sempre. hoje. na cadeira ou na rede. ainda balouço. o mundo ainda é meu. mas às vezes preciso que me empurrem.
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segunda-feira, junho 25, 2007
prémio
Eu, a Maria da Lua e especialmente todos aqueles que me leêm dentro e fora deste blog, ganharam um prémio literário. Este seria sempre impossivél se não fosse a vossa presença neste luar. porque este prémio reflecte apenas a luz projectada por vocês. Assim os meus parabéns a todas essas luzes que me fazem brilhar.
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Rute Coelho
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segunda-feira, junho 25, 2007
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SIM
Apetece-me dizer que sim. Que o mundo é um lugar maravihoso para se viver. Que sim, que é enternecedor o teu beijo da manhã, ou o teu olhar sedutor com que me despes lentamente de todos os pudores.Apetece-me dizer que sim. Que vale a pena. Arriscar. Sempre. Mesmo com todos os riscos, por cima de todos os medos. Apetece-me dizer que sim. Que gosto de ti. Que me apetece morrer nos teus braços, fechar os olhos e ficar-me por aqueles instantes, a naufragar por dentro de ti. Apetece-me gritar que sim. que podemos e devemos lutar por nós mesmos. Eu quis de novo voltar a sorrir. Apareceste tu. Completaste o meu sorriso. Agora somos dois a sorrir. E a gritar, desavergonhadamente felizes, que sim. Que vale a pena querer. E querer com muita força. Acreditar em nós. Sorrir depois. E encontrar a outra parte do nosso sorriso. hoje és tu. apeteceu-me dizê-lo.
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sábado, junho 09, 2007
da ternura
porque há a ternura do primeiro olhar. as palavras que se proferem pela primeira vez e se guardam como recordações distantes. também pela primeira vez. há o primeiro beijo. tiraste os óculos. fechaste-me os olhos. e aconteceram os nossos lábios. nossos. nem meus. nem teus. nossos. em pequenos passos em direcção ao céu. porque de mãos dadas contigo posso voar. habitar um mundo novo. sorrir e ser eu. só para ti. pela primeira vez. feita de ternura.
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terça-feira, junho 05, 2007
encanto
encantei-me como julgava impossivél encantar-me novamente. pelos olhos. pelo sorriso. pelas mãos, pelas palavras que trocámos. E foram tantas e tão intensas que as podíamos ter divido por outras noites. mas usámos aquelas. ainda temos outras. teremos sempre, asseguras-me tu. sinto que sim. que são feitas de verdade as palavras que trocamos. que são feitas de nós cegos em que me apetece entrelaçar. e ficar suavemente a balouçar na rede. uma e outra vez.
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sábado, junho 02, 2007
se te pudesse escrever
Se te pudesse escrever eu saberia o que fazer com esta dor miudinha que me consome por dentro. me tira o sono. me faz tropeçar nas palavras. sorrir de novo. e encantar-me com os caminhos que sonho para nós. um dia. muito mais tarde. porque sim. já sei. há coisas que demoram tempo a acontecer. e eu não posso querer tudo hoje. desculpa-me. nasci assim com pressa de viver. medo de morrer sem ter experimentado tudo a que tenho direito. se é que tenho mesmo direito a ti. se te pudesse escrever seria tudo mais fácil. traduzir-te em palavras e revelar-te nos meus dedos seria o princípio. assim saberia que me pertencerias sempre. mas não te prendes em mim. foi só um momento. ainda dura dentro de mim.
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domingo, maio 27, 2007
EU
A terra é a minha pátria, o céu o meu tecto, a liberdade a minha religião.
Provérbio cigano
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Rute Coelho
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domingo, maio 27, 2007
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terça-feira, maio 15, 2007
Passa mesmo?
Fechou a porta com todo o cuidado para que a mãe não acordasse. Hoje o trabalho deveria ter demorado mais tempo. No princípio custara-lhe muito aceitar a profissão da mãe. A mãe é uma p... . Fina, daquelas que se mantém à custa das mais novas, quase sempre ilegais e na maioria até mais novas do que ele.
À “Casa Alegre”, assim se chama o local, ele foi lá duas ou três vezes, e foram fatais. Na primeira descobriu a verdadeira profissão da mãe, na segunda descobriu rostos de homens importantes que só conhecia da televisão e na terceira vez... essa sim foi a mais fatal. Apaixonou-se. Acreditem... foi de verdade! À primeira vista! O primeiro amor! Tornou-se uma obsessão. E se as obsessões em qualquer idade são perigosas, na adolescência em que o mundo ainda é nosso, as emoções são ainda mais intensas e o perigo da queda torna-se ainda maior.
Ela, filha de um emigrante português arruinado, era a coqueluche dos clientes: Bonita, franzina, loura, tocava piano e falava francês. E era a pureza em pessoa e no nome. E não tinha achado piada nenhuma a ele. Até porque não se queria meter em complicações com a patroa. Atracção física, uma paixoneta condescendia ela. O verdadeiro amor, prometia ele. Paixão primaveril, insistia ela. Amor eterno, jurava ele.
Um dia pequeno de Inverno ela desapareceu. Da “ Casa Alegre” e da vida dele. Ele chorou-lhe a partida e ficou meses de cara às avessas com a mãe. Rebeldia de um adolescente mimado. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Chega à faculdade mesmo a tempo do início da primeira aula da manhã. O professor debita a matéria. Fala-se do coração. Das veias e do sangue. Dos malefícios do tabaco e do colesterol. Mas o Senhor Professor esqueceu-se das emoções. Essas sim, provocam os grandes males do coração. Essas sim aceleram o coração e originam as tais palpitações.
O sonho da faculdade já não o alimenta. Já não chega, se é que me percebem. Têm de haver mais do que este futuro projectado ao milímetro. Faltam-lhe as ditas emoções, aquelas que dão vida ao coração. Dessas, ele não as vive há muito tempo. Desde que ela se foi embora, naquele pequeno dia de Inverno. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Num terraço de um prédio de doze andares, sentado mesmo, mesmo à beirinha ele interroga-se: Qual é o fim da dor?
Lá em baixo, os carros e as pessoas. Formigas de várias cores que apressadas procuram o seu carreiro e o seu ninho. Qual é o fim da dor? Passa mesmo?! Já não consegue acreditar nas palavras da mãe. Afinal, depois de tantas mentiras (piedosas), ainda dá para acreditar?
Um psiquiatra “amigo” da mãe diagnosticou-lhe uma depressão e mandou-o para casa com duas caixas de comprimidos. Nunca os tomou. As emoções não se curam com químicos. Pelo menos não as suas.
Suicídio, distracção ou negligência (nenhuma protecção no terraço!). Apenas uma pergunta: Qual é o fim da dor? E as palavras da mãe. Isto passa. Passa mesmo?!
À “Casa Alegre”, assim se chama o local, ele foi lá duas ou três vezes, e foram fatais. Na primeira descobriu a verdadeira profissão da mãe, na segunda descobriu rostos de homens importantes que só conhecia da televisão e na terceira vez... essa sim foi a mais fatal. Apaixonou-se. Acreditem... foi de verdade! À primeira vista! O primeiro amor! Tornou-se uma obsessão. E se as obsessões em qualquer idade são perigosas, na adolescência em que o mundo ainda é nosso, as emoções são ainda mais intensas e o perigo da queda torna-se ainda maior.
Ela, filha de um emigrante português arruinado, era a coqueluche dos clientes: Bonita, franzina, loura, tocava piano e falava francês. E era a pureza em pessoa e no nome. E não tinha achado piada nenhuma a ele. Até porque não se queria meter em complicações com a patroa. Atracção física, uma paixoneta condescendia ela. O verdadeiro amor, prometia ele. Paixão primaveril, insistia ela. Amor eterno, jurava ele.
Um dia pequeno de Inverno ela desapareceu. Da “ Casa Alegre” e da vida dele. Ele chorou-lhe a partida e ficou meses de cara às avessas com a mãe. Rebeldia de um adolescente mimado. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Chega à faculdade mesmo a tempo do início da primeira aula da manhã. O professor debita a matéria. Fala-se do coração. Das veias e do sangue. Dos malefícios do tabaco e do colesterol. Mas o Senhor Professor esqueceu-se das emoções. Essas sim, provocam os grandes males do coração. Essas sim aceleram o coração e originam as tais palpitações.
O sonho da faculdade já não o alimenta. Já não chega, se é que me percebem. Têm de haver mais do que este futuro projectado ao milímetro. Faltam-lhe as ditas emoções, aquelas que dão vida ao coração. Dessas, ele não as vive há muito tempo. Desde que ela se foi embora, naquele pequeno dia de Inverno. Isto passa-lhe, ajuizou a mãe.
Passa mesmo?!
Num terraço de um prédio de doze andares, sentado mesmo, mesmo à beirinha ele interroga-se: Qual é o fim da dor?
Lá em baixo, os carros e as pessoas. Formigas de várias cores que apressadas procuram o seu carreiro e o seu ninho. Qual é o fim da dor? Passa mesmo?! Já não consegue acreditar nas palavras da mãe. Afinal, depois de tantas mentiras (piedosas), ainda dá para acreditar?
Um psiquiatra “amigo” da mãe diagnosticou-lhe uma depressão e mandou-o para casa com duas caixas de comprimidos. Nunca os tomou. As emoções não se curam com químicos. Pelo menos não as suas.
Suicídio, distracção ou negligência (nenhuma protecção no terraço!). Apenas uma pergunta: Qual é o fim da dor? E as palavras da mãe. Isto passa. Passa mesmo?!
*um dos meus últimos textos publicados no saudoso dn jovem
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Rute Coelho
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terça-feira, maio 15, 2007
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