quinta-feira, julho 19, 2007

o sonho

escrever é um sonho antigo. o mais sonho que já sonhei. é também talvez um dos mais irreais. porque me falta tudo. a coragem. o tempo. a dedicação. o talento. sobra-me o sonho. as emoções. as palavras que me naufragam. o dia a dia que me transcende. não é um diário. nem pode ser. porque nunca tive tendência para ser certinha. nem para me lembrar de tudo. as minhas memórias passaram pelo filtro do meu olhar. não sou historiadora. a minha visão é sempre parcial. e por isso minha. são diálogos intímos. é isso que partilho aqui neste luar. as minhas fases crescentes e crentes, cheias, descrescentes e descrentes e por vezes tão vazias que chegam a ser eclipses. desde há quase quatro anos. porque ainda guardo comigo o sonho mais sonho de pequena célula. escrever.

quarta-feira, julho 18, 2007

Cresceste...

sentada no sofá de joelhos flectidos e pose irreverente, é-me impossivél ter outro pensamento que não o mesmo de sempre: cresceste. há bem pouco tempo habitavas o meu corpo, depois o meu colo, depois os gritos e as discussões, agora habitas o lugar de melhor amiga. mas és ainda e serás sempre a minha filha. a pequena célula que conjuguei às vezes contra mim mesma. Cresceste. Bates-te pelas tuas vontades e acérrimos desejos. Cais, choras. Levantas-te e a minha voz está sempre do outro lado do telefone. Eu estou sempre aqui. Nesta sala vazia que já nem sequer me pertence porque raramente cá estás. Cresceste. Serás a mulher de que alguns homens falam e desejam. mas hoje, aqui, sentada no sofá, comendo uma fatia do teu bolo preferido, és só e apenas a minha filha. a minha pequena célula. a outra parte de mim.

* Á minha mãe, porque como todas as mãe, é a melhor mãe do mundo.

terça-feira, julho 17, 2007

não é justo

como só eu sei que não é. não é justo. voltar a sentir isto. agora, especialmente agora, que o teu toque tinha desaparecido da minha pele, que o som das tuas palavras não me causava arrepios. não é justo toda a história se repetir de novo dentro de mim. agora não. deixa-me viver esta história nova. repleta de texturas e imagens diferentes. deixa-me cruzar novas paisagens. correr. baloiçar-me por aí. deixa-me ser só sorrisos e alegrias. deixa-me. porque não é justo. como só eu sei que não é.

sexta-feira, julho 13, 2007

em algum lugar

Em algum lugar. Num tempo que não foi nosso. não o será nunca mesmo. Nesse lugar recôndito de mim espero por ti. Esperei desde sempre. Antes de ser gente e de saber que um dia te iria conhecer. Imaginei-te tantas vezes. escrevi-te outras tantas vezes. E soube, sempre soube, que aquele nunca seria o nosso tempo. Em algum lugar dentro de mim ainda te espero. Um tempo que tem aliás a vida inteira para acontecer. a tua ou a minha? O que sou eu para ti? O que fui?
Ficam as perguntas. As imagens e todas, todas as palavras mágicas, que me fazem sorrir e querer, querer muito acreditar. Em mim. Em algum lugar.

terça-feira, julho 10, 2007

às vezes bastava um beijo, sabias?

Escondo as lágrimas, passo a água pelo rosto, olho-me no espelho mal iluminado e penso que tenho de estar apresentavél.
não tenho tempo para chorar. ou para ter pena de mim. ou para sentir. É melhor mesmo nem sentir o que se passa cá dentro. o que mói e o que me esventra por dentro. às vezes bastava um beijo, sabias?
Ajeito as calças e componho o blaser azul escuro. Com a escova, estico os cabelos com força, para matar os caracóis. Eliminar os vestígios de mim na mulher que se reflecte no espelho. nunca se nasce outra vez. Eu queria nascer de novo. Para te tirar de dentro de mim.
Passo o batom nos lábios, em jeito de toque final. Estou pronta.

às vezes bastava um bejo, sabias?

domingo, julho 01, 2007

baloiçar


O baloiço é das minhas mais queridas recordações de infância. Voava. Impulsionada pelo sonho. de olhos fechados. porque o mundo era meu. Não precisava sequer que me empurrassem. Sozinha. Sonhava tudo. E balouçava. Sempre. hoje. na cadeira ou na rede. ainda balouço. o mundo ainda é meu. mas às vezes preciso que me empurrem.

segunda-feira, junho 25, 2007

prémio

Eu, a Maria da Lua e especialmente todos aqueles que me leêm dentro e fora deste blog, ganharam um prémio literário. Este seria sempre impossivél se não fosse a vossa presença neste luar. porque este prémio reflecte apenas a luz projectada por vocês. Assim os meus parabéns a todas essas luzes que me fazem brilhar.

SIM

Apetece-me dizer que sim. Que o mundo é um lugar maravihoso para se viver. Que sim, que é enternecedor o teu beijo da manhã, ou o teu olhar sedutor com que me despes lentamente de todos os pudores.Apetece-me dizer que sim. Que vale a pena. Arriscar. Sempre. Mesmo com todos os riscos, por cima de todos os medos. Apetece-me dizer que sim. Que gosto de ti. Que me apetece morrer nos teus braços, fechar os olhos e ficar-me por aqueles instantes, a naufragar por dentro de ti. Apetece-me gritar que sim. que podemos e devemos lutar por nós mesmos. Eu quis de novo voltar a sorrir. Apareceste tu. Completaste o meu sorriso. Agora somos dois a sorrir. E a gritar, desavergonhadamente felizes, que sim. Que vale a pena querer. E querer com muita força. Acreditar em nós. Sorrir depois. E encontrar a outra parte do nosso sorriso. hoje és tu. apeteceu-me dizê-lo.

sábado, junho 09, 2007

da ternura

porque há a ternura do primeiro olhar. as palavras que se proferem pela primeira vez e se guardam como recordações distantes. também pela primeira vez. há o primeiro beijo. tiraste os óculos. fechaste-me os olhos. e aconteceram os nossos lábios. nossos. nem meus. nem teus. nossos. em pequenos passos em direcção ao céu. porque de mãos dadas contigo posso voar. habitar um mundo novo. sorrir e ser eu. só para ti. pela primeira vez. feita de ternura.

terça-feira, junho 05, 2007

encanto

encantei-me como julgava impossivél encantar-me novamente. pelos olhos. pelo sorriso. pelas mãos, pelas palavras que trocámos. E foram tantas e tão intensas que as podíamos ter divido por outras noites. mas usámos aquelas. ainda temos outras. teremos sempre, asseguras-me tu. sinto que sim. que são feitas de verdade as palavras que trocamos. que são feitas de nós cegos em que me apetece entrelaçar. e ficar suavemente a balouçar na rede. uma e outra vez.