terça-feira, setembro 04, 2007

E se...

Se se perdeu o momento. Se te foste embora no minuto imediamente antes àquele em que eu podia ter sorrido e dito "amo-te", porque não era preciso dizer mais nada. mais nada mesmo. porque passou a hora, o dia e ficou a semana. Nessa semana ficou encurralado esse momento. em que as palavras teriam valido o ouro, a prata ou o bronze. Se tudo isso foi assim, exactamente como acabo de descrever, uma prova de ateletismo algures no oriente, em que aproveitaste a inspiração e correste. Atravessaste a porta. e foste. poderias ter sido o ouro, a prata ou o bronze na minha vida. Ficaste um "e se..."

acho que me estou a tornar uma excelente coleccionadora de "e se...." ou incrivelmente boa a perder momentos.

desafio- o primeiro

Em jeito de resposta ao repto do Ricardo , fica aqui a frase:


"o cabelo louro dele também estava molhado naquele dia, embora fosse ainda jovem e não o tivesse começado a pintar" - amor numa rua escura- Irwin shaw

As regras deste desafio.
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blogue
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6. Passar o desafio a cinco pessoas
Para cumprimento da regra 6, passo o desafio a:
a) katraponga
b) delusions
c) bubbles
d)marta
e)Luci

segunda-feira, agosto 13, 2007

Reler

Este espaço faz este mês quatro anos. Aproveitei para reler o que o tempo fez de mim nestes quatros anos e se traduziu em palavras escritas neste blog. Às vezes é bom olhar para trás...
As motivações durante estes quatro anos foram quase sempre as mesmas. A confissão, o diálogo interior, o pedido interno (ou externo?) de socorro, a expressão intíma da dor, da ternura, do amor e das minhas paixões. Este espaço não têm nomes, nem datas, nem idades ou raças. A escrita vale por ela mesma. Somos todos iguais não é? Ou pelo menos por dentro de nós sentimos todos da mesma forma e este espaço, ensinou-me isso mesmo. Por aqui cruzam-se pessoas de todas as idades, raças e géneros e todos eles de alguma forma se identificaram com as minhas palavras. É essa a razão pela qual este espaço ainda dura. É também uma das razões pelas quais escrevo noutros formatos e noutros lugares.

segunda-feira, agosto 06, 2007

A ti


O mundo tem uma dívida comigo. Uma dívida de amor, como me disse a minha psicóloga. Talvez ela tenha razão, no que diz respeito à dívida, mas não é com o mundo. É contigo.
Desde bebé, habituei-me a não acreditar nas palavras, nas minhas e sobretudo nas dos outros. Tudo isto tem uma explicação. Quando disse a minha primeira palavra, tu tinhas acabado de sair de casa. E eu precisava de alguém que me sorrisse, me pegasse ao colo e ficasse feliz por mim. Não tive nada disso. Ninguém se apercebeu de que eu tinha chamado por ti. Ao fim de uns poucos anos deixei de chamar. Percebi que não valia a pena. Pai, era apenas uma palavra sem significado, como tantas outras que fui aprendendo ao longo destes anos. Mãe, confesso que também já me disse mais. Um dia, há pouquíssimos anos, disse-me quase tudo, disse-me que era altura de desistir dela e deixá-la viver. Deixei-a viver o suficiente, para ela num dia lindo de Primavera, se suicidar. Ao princípio, pensei que fosse ironia, a Primavera, é a altura, onde tudo nasce. E ela morria. Descobri que não era ironia, era a altura propícia para ela renascer, num outro sítio. Onde e quando, não sei. E penso, sinceramente, que não quero saber. Prefiro agarrar-me a esta ideia de continuação e de renovação. Nada se perde, tudo se transforma.
Transformei a minha raiva em palavras, nas quais alguém acredita. Eu vou acreditando com o passar dos dias. Afinal uma mentira tantas vezes dita, torna-se verdade, ao fim de uns tempos...
Não ter pai, foi sempre a mentira, que me fizeram acreditar, hoje sei que é a verdade, com a qual tenho de conviver diariamente. Já sem medo. Quase sem dor.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Porto


Porque é a outra metade de mim. Regresso amanhã para o reencontro de abraço apertado à minha outra cidade que amo como se fosse realmente minha. Quando atravessar o rio saberei que estou em casa. Como se nunca tivesse realmente saído. Das ruas estreitas e escuras. Da Ribeira. Da Foz. Do "Piolho", do Palácio de Cristal, de Sta. Catarina ou do Majestic. Volto à cidade dos abraços, dos encontros e das eternas despedidas. Um beijo para quem fica.

quinta-feira, julho 26, 2007

last dance

Espero por ti se me concederes a honra da última dança. A última de todas. Quando todos já tiverem partido e já não haja ninguém para nos ver. para aplaudir os nossos movimentos desejeitados de tão tímidos e ternos. podes entrar à sucapa a meio do baile ou optar por me espreitar de quando em vez. saberei sempre onde estás. é lá o meu mundo. como poderia simplesmente não te reconhecer? Sente o toque suave da fita de cetim que me prende os cabelos ou do azul do veludo do meu corpete. Sei que sabes, que por debaixo da renda da minha saia se esconde a pele branca torneada das minhas pernas. sabes tanta coisa e no entanto...
Espero por ti se me concederes a honra da última dança. Não importa a idade. se calhar estaremos de bengala os dois e seremos avós. será a derradeira dança entre parufusos que prendem os ossos ao corpo e óculos a derraparem no declive do nariz. serão dois velhos tontos a descobrirem o amor. será a última dança. a mesma que não dançámos quando tínhamos vinte anos e éramos ainda mais tontos.

segunda-feira, julho 23, 2007

Cap, pas cap?

Rever um filme pela segunda é repetir o irrepetivél, sentirmo-nos banhados pela água fresca da nascente uma segunda vez. É o sabor inesquecivél do segundo beijo. Menos desejeitado e apressado do que o primeiro. Agora já se está mais alerta. as mãos já sabem o que procurar e os lábios entendem-se como amigos de longa data. sem palavras. Ver "Amor ou Consequência" pela segunda vez é tudo isso e muito mais. é quase andar de baloiço sem sair de casa. é sentir o sabor raro da vida plena nas nossas mãos. é a liberdade furiosa a querer singrar dentro das veias. é o amor a acontecer. a primeira vez. é o segredo revelado. o romance trancado. o desafio enorme.


Chove. La vie en rose. Edith Piaf. Tu e eu, porque não? Cap, pas cap?

quinta-feira, julho 19, 2007

o sonho

escrever é um sonho antigo. o mais sonho que já sonhei. é também talvez um dos mais irreais. porque me falta tudo. a coragem. o tempo. a dedicação. o talento. sobra-me o sonho. as emoções. as palavras que me naufragam. o dia a dia que me transcende. não é um diário. nem pode ser. porque nunca tive tendência para ser certinha. nem para me lembrar de tudo. as minhas memórias passaram pelo filtro do meu olhar. não sou historiadora. a minha visão é sempre parcial. e por isso minha. são diálogos intímos. é isso que partilho aqui neste luar. as minhas fases crescentes e crentes, cheias, descrescentes e descrentes e por vezes tão vazias que chegam a ser eclipses. desde há quase quatro anos. porque ainda guardo comigo o sonho mais sonho de pequena célula. escrever.

quarta-feira, julho 18, 2007

Cresceste...

sentada no sofá de joelhos flectidos e pose irreverente, é-me impossivél ter outro pensamento que não o mesmo de sempre: cresceste. há bem pouco tempo habitavas o meu corpo, depois o meu colo, depois os gritos e as discussões, agora habitas o lugar de melhor amiga. mas és ainda e serás sempre a minha filha. a pequena célula que conjuguei às vezes contra mim mesma. Cresceste. Bates-te pelas tuas vontades e acérrimos desejos. Cais, choras. Levantas-te e a minha voz está sempre do outro lado do telefone. Eu estou sempre aqui. Nesta sala vazia que já nem sequer me pertence porque raramente cá estás. Cresceste. Serás a mulher de que alguns homens falam e desejam. mas hoje, aqui, sentada no sofá, comendo uma fatia do teu bolo preferido, és só e apenas a minha filha. a minha pequena célula. a outra parte de mim.

* Á minha mãe, porque como todas as mãe, é a melhor mãe do mundo.

terça-feira, julho 17, 2007

não é justo

como só eu sei que não é. não é justo. voltar a sentir isto. agora, especialmente agora, que o teu toque tinha desaparecido da minha pele, que o som das tuas palavras não me causava arrepios. não é justo toda a história se repetir de novo dentro de mim. agora não. deixa-me viver esta história nova. repleta de texturas e imagens diferentes. deixa-me cruzar novas paisagens. correr. baloiçar-me por aí. deixa-me ser só sorrisos e alegrias. deixa-me. porque não é justo. como só eu sei que não é.