quinta-feira, setembro 27, 2007

mas

Deveria estar bem mas... deveria estar feliz mas... devia abraçar o mundo com toda a força e renascer para os sonhos de olhos abertos mas... Deveria sorrir mas... Deveria chorar pois então de alegria mas... Deveria. Pois deveria. Se tudo fosse assim tão fácil. Tão imediato e simples. como um arco íris. O baú das moedas no fim. Eu deveria encontrá-lo. Mas...



Deveria amar todos os homen possiveis do planeta mas... existes tu. E isso muda tudo. Mas não deveria.

terça-feira, setembro 18, 2007

ser ou não ser

estou cheia de palavras que nem sei o que querem dizer. nem sei como as escrever. sei que há alguma coisa em mim que precisa de sair. adivinho que são palavras porque reconheço os sintomas. mas pela primeira vez não sei qual é a doença e desconheço em absoluto se há cura. revejo-me imensas vezes ao espelho. afincadamente acreditem. para tentar ver. o mesmo que os outros veêm. olho e não me vejo. e nem sequer suspeito, onde em mim, os outros encontram tanta coisa.

"és muito especial, sabias?!"

Posso ser sincera? Sabia. Sei. Só não sei o que isso faz de mim. E sei também que ninguém me dará essa resposta. Porque também não é uma pergunta. é só um vazio. é só olhar-me e não me ver. coisa pouca, portanto.

terça-feira, setembro 11, 2007

no escuro

as mãos procuram no escuro. o amor encontra-se. este é o teu braço, a tua perna? percorro os caminhos do corpo, fico-me pelos pequenos recantos desconhecidos, respirando-te lentamente. porque o tempo é contado entre nós. desço, subo. fico-me e morro nos lábios. seguro o peito em chamas que ameaça ser apenas cinza depois de agora. os olhares prendem-se e há um sorriso no beijo molhado e exigente. nas mãos que me cortam. fragamentos de amor às escuras. nós.



**Fragmento retirado do meu projecto de texto ou de sonho

sábado, setembro 08, 2007

porque não sei

eu que já soube tanta coisa. nomes de rios. capitais de cidades. cores de bandeiras. eu que já soube falar de sentimentos. eu que achava que me conhecia a mim mesma. que sabia a linha e o horário exacto do comboio que queria apanhar. eu que já soube tanta coisa. já desafiei outros com os meus conhecmentos. já dei conselhos. já opinei e já tive razão. já voltei atrás e admiti erros. já caí e já me levantei. agora simplesmente não sei o que fazer. não me ouço. e o que sai de dentro de mim é uma enorme confusão. há vidas suspensas à espera de mim. há pessoas que aguardam as minhas decisões para viver. já não é só uma negativa no teste. é uma vida a crescer. um beijo que não basta. e uma palavra simples "amo-te" que muda tudo. só em mim é que não. porque não sei. o que sou. pintas-me. retrato díficil. és especial. é bom, mas mete medo. ser especial. o que é isso? não sei. eu que já soube tanta coisa.



na estação anunciam o comboio. não sei se me apetece apanhá-lo. não sei se me apetece o destino

terça-feira, setembro 04, 2007

E se...

Se se perdeu o momento. Se te foste embora no minuto imediamente antes àquele em que eu podia ter sorrido e dito "amo-te", porque não era preciso dizer mais nada. mais nada mesmo. porque passou a hora, o dia e ficou a semana. Nessa semana ficou encurralado esse momento. em que as palavras teriam valido o ouro, a prata ou o bronze. Se tudo isso foi assim, exactamente como acabo de descrever, uma prova de ateletismo algures no oriente, em que aproveitaste a inspiração e correste. Atravessaste a porta. e foste. poderias ter sido o ouro, a prata ou o bronze na minha vida. Ficaste um "e se..."

acho que me estou a tornar uma excelente coleccionadora de "e se...." ou incrivelmente boa a perder momentos.

desafio- o primeiro

Em jeito de resposta ao repto do Ricardo , fica aqui a frase:


"o cabelo louro dele também estava molhado naquele dia, embora fosse ainda jovem e não o tivesse começado a pintar" - amor numa rua escura- Irwin shaw

As regras deste desafio.
1. Pegar no livro mais próximo
2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blogue
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro (usar o mais próximo)
6. Passar o desafio a cinco pessoas
Para cumprimento da regra 6, passo o desafio a:
a) katraponga
b) delusions
c) bubbles
d)marta
e)Luci

segunda-feira, agosto 13, 2007

Reler

Este espaço faz este mês quatro anos. Aproveitei para reler o que o tempo fez de mim nestes quatros anos e se traduziu em palavras escritas neste blog. Às vezes é bom olhar para trás...
As motivações durante estes quatro anos foram quase sempre as mesmas. A confissão, o diálogo interior, o pedido interno (ou externo?) de socorro, a expressão intíma da dor, da ternura, do amor e das minhas paixões. Este espaço não têm nomes, nem datas, nem idades ou raças. A escrita vale por ela mesma. Somos todos iguais não é? Ou pelo menos por dentro de nós sentimos todos da mesma forma e este espaço, ensinou-me isso mesmo. Por aqui cruzam-se pessoas de todas as idades, raças e géneros e todos eles de alguma forma se identificaram com as minhas palavras. É essa a razão pela qual este espaço ainda dura. É também uma das razões pelas quais escrevo noutros formatos e noutros lugares.

segunda-feira, agosto 06, 2007

A ti


O mundo tem uma dívida comigo. Uma dívida de amor, como me disse a minha psicóloga. Talvez ela tenha razão, no que diz respeito à dívida, mas não é com o mundo. É contigo.
Desde bebé, habituei-me a não acreditar nas palavras, nas minhas e sobretudo nas dos outros. Tudo isto tem uma explicação. Quando disse a minha primeira palavra, tu tinhas acabado de sair de casa. E eu precisava de alguém que me sorrisse, me pegasse ao colo e ficasse feliz por mim. Não tive nada disso. Ninguém se apercebeu de que eu tinha chamado por ti. Ao fim de uns poucos anos deixei de chamar. Percebi que não valia a pena. Pai, era apenas uma palavra sem significado, como tantas outras que fui aprendendo ao longo destes anos. Mãe, confesso que também já me disse mais. Um dia, há pouquíssimos anos, disse-me quase tudo, disse-me que era altura de desistir dela e deixá-la viver. Deixei-a viver o suficiente, para ela num dia lindo de Primavera, se suicidar. Ao princípio, pensei que fosse ironia, a Primavera, é a altura, onde tudo nasce. E ela morria. Descobri que não era ironia, era a altura propícia para ela renascer, num outro sítio. Onde e quando, não sei. E penso, sinceramente, que não quero saber. Prefiro agarrar-me a esta ideia de continuação e de renovação. Nada se perde, tudo se transforma.
Transformei a minha raiva em palavras, nas quais alguém acredita. Eu vou acreditando com o passar dos dias. Afinal uma mentira tantas vezes dita, torna-se verdade, ao fim de uns tempos...
Não ter pai, foi sempre a mentira, que me fizeram acreditar, hoje sei que é a verdade, com a qual tenho de conviver diariamente. Já sem medo. Quase sem dor.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Porto


Porque é a outra metade de mim. Regresso amanhã para o reencontro de abraço apertado à minha outra cidade que amo como se fosse realmente minha. Quando atravessar o rio saberei que estou em casa. Como se nunca tivesse realmente saído. Das ruas estreitas e escuras. Da Ribeira. Da Foz. Do "Piolho", do Palácio de Cristal, de Sta. Catarina ou do Majestic. Volto à cidade dos abraços, dos encontros e das eternas despedidas. Um beijo para quem fica.

quinta-feira, julho 26, 2007

last dance

Espero por ti se me concederes a honra da última dança. A última de todas. Quando todos já tiverem partido e já não haja ninguém para nos ver. para aplaudir os nossos movimentos desejeitados de tão tímidos e ternos. podes entrar à sucapa a meio do baile ou optar por me espreitar de quando em vez. saberei sempre onde estás. é lá o meu mundo. como poderia simplesmente não te reconhecer? Sente o toque suave da fita de cetim que me prende os cabelos ou do azul do veludo do meu corpete. Sei que sabes, que por debaixo da renda da minha saia se esconde a pele branca torneada das minhas pernas. sabes tanta coisa e no entanto...
Espero por ti se me concederes a honra da última dança. Não importa a idade. se calhar estaremos de bengala os dois e seremos avós. será a derradeira dança entre parufusos que prendem os ossos ao corpo e óculos a derraparem no declive do nariz. serão dois velhos tontos a descobrirem o amor. será a última dança. a mesma que não dançámos quando tínhamos vinte anos e éramos ainda mais tontos.