Tu ficas, eu parto; através do tempo suspenso da espera.
Lembra-te: é no beijo de despedida que começo regressar.
sábado, outubro 03, 2009
Lembra-te
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Rute Coelho
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domingo, setembro 27, 2009
De luto...
Luto para que sejas tu. Na maior parte dos dias, fecho os olhos com muita força e tento esquecer esta luta. Porque é uma luta inglória. Não podes ser tu.
Sou tua.
Mas a alguém que me ofereça um sorriso, deixo escapar um gosto de ti telenovelesco. Se me abraçarem forte, digo sim a um eventual compromisso de vestido e grinalda.
E sim, vendo-me por pouco. Afinal tens tudo o resto.
E não podes ser tu. Luto diariamente para que não o sejas. Com uma vontade férrea. Esmago desejos e beijos. Engulo soluços e palavras. Encolho-me neste lado do silêncio.
Quero que sejas feliz. Quero ser feliz.
(ainda assim luto para que que sejas tu)
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Rute Coelho
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sexta-feira, setembro 18, 2009
O que sei da vida
O que sei da vida: Que se acaba. Que se derrete no milésimo de segundo em que adormeceste e passaste o sinal vermelho. Eu ia morrendo e tu navegas pela morte à procura de um caminho na cama do hospital.
O que sei da vida: Que se acaba lentamente numa cadeira de rodas com um cancro a corroer-te o cérebro e coarctar-te para sempre os movimentos, a fala, a visão e a audição.
O que sei da vida: Que se acabou hoje neste cemitério.
Ainda é Verão e chove. A vida acabou-se por detrás dos óculos escuros que sustém as lágrimas que não podemos chorar à frente uns dos outros. E admitir que a vida se acaba assim depois de um transplante que prometia os anos em que poderias continuar por cá. A sorrir. Tinhas um sorriso lindíssimo de manhã quando chegavas ao trabalho e dizias que era bom continuar por cá.
Neste Verão parece que o que sei da vida se resume a isto: ela acaba-se.
(E talvez tenhas razão, é bom continuar cá... mas não nestes dias em que tudo se acaba.)
O que sei da vida: Que se acaba lentamente numa cadeira de rodas com um cancro a corroer-te o cérebro e coarctar-te para sempre os movimentos, a fala, a visão e a audição.
O que sei da vida: Que se acabou hoje neste cemitério.
Ainda é Verão e chove. A vida acabou-se por detrás dos óculos escuros que sustém as lágrimas que não podemos chorar à frente uns dos outros. E admitir que a vida se acaba assim depois de um transplante que prometia os anos em que poderias continuar por cá. A sorrir. Tinhas um sorriso lindíssimo de manhã quando chegavas ao trabalho e dizias que era bom continuar por cá.
Neste Verão parece que o que sei da vida se resume a isto: ela acaba-se.
(E talvez tenhas razão, é bom continuar cá... mas não nestes dias em que tudo se acaba.)
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quinta-feira, setembro 03, 2009
Vivemos a perder.
Vivemos a perder. Todos os dias abandonamos alguém à beira da estrada. Todos os dias nos despedimos de alguém que no dia seguinte não vamos ver. Dizemos adeus a um rosto, sem lhe conhecer o sorriso, dispensamos corpos sem lhes enxergar os encantos. Amordaçamos as vozes sem sequer lhes proporcionar o tempo de uma conversa banal. Escondemo-nos na gola do sobretudo para não ver a lágrima do outro cair. No silêncio de nós. Vamo-nos embora todos os dias, sem sequer reparar no esmero dos novos sapatos de quem nos impediu de morrer.
- Fica bem?- pergunta o homem de bata branca que me salvou as memórias.
- Ficarei. Fico sempre bem antes de morrer.
Ri-se. Afaga-me o cabelo despeitadamente. Podia ser meu pai. Meu professor. Meu amante.
Agora, encostada ao vidro do táxi, amachuco com força as prescrições de nomes compridos e comprimidos em linhas paralelas. Que nunca se encontram: memória do muito que se lançou ao desbarato.
Ficam as perdas inevitáveis. O tempo quase irrecuperável. Como daquela vez, em que roguei que te fosses embora, quando só queria que ficasses. Desviámo-nos do caminho um do outro. Apartámos palavras e afastámos emoções. Só para ficar longe. Para perder.
E já perdemos tanto...
- Fica bem?- pergunta o homem de bata branca que me salvou as memórias.
- Ficarei. Fico sempre bem antes de morrer.
Ri-se. Afaga-me o cabelo despeitadamente. Podia ser meu pai. Meu professor. Meu amante.
Agora, encostada ao vidro do táxi, amachuco com força as prescrições de nomes compridos e comprimidos em linhas paralelas. Que nunca se encontram: memória do muito que se lançou ao desbarato.
Ficam as perdas inevitáveis. O tempo quase irrecuperável. Como daquela vez, em que roguei que te fosses embora, quando só queria que ficasses. Desviámo-nos do caminho um do outro. Apartámos palavras e afastámos emoções. Só para ficar longe. Para perder.
E já perdemos tanto...
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sexta-feira, agosto 28, 2009
Ainda vale a pena...
Releio alguns posts do blog e fica a emoção de seis anos. Os afectos, as histórias, as pessoas mascaradas por detrás das palavras filtradas sempre, para sempre, pelo subjectivismo dos meus olhos. Seis anos em seis palavras de seis emoções: amor, lágrimas, sonhos, esperanças, solidão e saudades.
No fim sempre os sorrisos. Os meus que hoje são apenas uma sombra. Perdem-se na transparência de algumas lágrimas que deixo cair sem querer. Releio-me. E sim, ainda faz sentido continuar. A sorrir.
No fim sempre os sorrisos. Os meus que hoje são apenas uma sombra. Perdem-se na transparência de algumas lágrimas que deixo cair sem querer. Releio-me. E sim, ainda faz sentido continuar. A sorrir.
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sábado, agosto 01, 2009
pensamento, instante, meu.
Não é importante… por isso posso tê-lo só para mim.
O pensamento, instante, meu.
Aninhaste-te na curva do meu corpo. Encaixado na dobra dos meus joelhos magoados e ausentes. Queria poder-me virar. E aninhar-me em ti. Ficar com os meu peito preso às tuas costas. Penso, mas não é importante. Nem sequer pode querer ser importante, mas neste instante, meu, queria ser homem. Para poder afundar-me em ti. Entrar dentro de ti. Possuir-te assim com os meus joelhos magoados encaixados na dobra da tua perna, a respirar o teu cheiro. A minha mão pequena pousada, dentro dos teus boxers, acariciando o osso da anca. Ainda o osso mais belo do nosso corpo. Como nas aulas de anatomia em que me apaixonei por esse osso.
E que hoje é o meu limite. Debaixo dele já não há dor. Nem ardor. Em nada. Só ausência. De mim mesma. sem movimento a que possa chamar meu. Foste tu que dobraste os meus joelhos magoados e ausentes para eu poder adormecer. Fazes isso todas as noites. Antes, a minha posição preferida era assim.
No pensamento, instante, meu, queria ser homem, para poderes ser meu. Mulher, já não sei ser e tu já não precisas que o seja, nunca mais. mesmo que nunca mais seja muito tempo. E o tempo, sabemos, só é incerto e turbulento. Como quando, no acidente, me pediste para não morrer. Contas-me que abri os olhos e fiz um esgar de lábios que para ti significou um sorriso. Por isso acreditaste. E depois nesses meses de camas cinzentas, pegaste-me na mão e pediste para ter força. Aguentar tudo aquilo. Olhar para os joelhos magoados e ausentes e não desistir de os amar. Não desistir que eles fosse meus.
Deixei de querer coisas. Orientei a minha rotina pelos teus pedidos, as tuas súplicas em tom de ordens impossíveis de incumprir. Meu, pensamento, instante. Queria ser homem para te poder ter. Energica e violentamente. Primeiro na minha boca, lembrar-te-ás do seu sabor? Quero entrar em ti. ser a tua extensão natural. como se nos pudessemos por esse cordão umbilical. e dar-te prazer. todo o prazer. tremer o teu corpo contra o meu e fazer-te vir. em mim.
Aninhaste-te na curva do meu corpo. Encaixado na dobra dos meus joelhos magoados e ausentes. Queria poder-me virar. E aninhar-me em ti. Ficar com os meu peito preso às tuas costas. Penso, mas não é importante. Nem sequer pode querer ser importante, mas neste instante, meu, queria ser homem. Para poder afundar-me em ti. Entrar dentro de ti. Possuir-te assim com os meus joelhos magoados encaixados na dobra da tua perna, a respirar o teu cheiro. A minha mão pequena pousada, dentro dos teus boxers, acariciando o osso da anca. Ainda o osso mais belo do nosso corpo. Como nas aulas de anatomia em que me apaixonei por esse osso.
E que hoje é o meu limite. Debaixo dele já não há dor. Nem ardor. Em nada. Só ausência. De mim mesma. sem movimento a que possa chamar meu. Foste tu que dobraste os meus joelhos magoados e ausentes para eu poder adormecer. Fazes isso todas as noites. Antes, a minha posição preferida era assim.
No pensamento, instante, meu, queria ser homem, para poderes ser meu. Mulher, já não sei ser e tu já não precisas que o seja, nunca mais. mesmo que nunca mais seja muito tempo. E o tempo, sabemos, só é incerto e turbulento. Como quando, no acidente, me pediste para não morrer. Contas-me que abri os olhos e fiz um esgar de lábios que para ti significou um sorriso. Por isso acreditaste. E depois nesses meses de camas cinzentas, pegaste-me na mão e pediste para ter força. Aguentar tudo aquilo. Olhar para os joelhos magoados e ausentes e não desistir de os amar. Não desistir que eles fosse meus.
Deixei de querer coisas. Orientei a minha rotina pelos teus pedidos, as tuas súplicas em tom de ordens impossíveis de incumprir. Meu, pensamento, instante. Queria ser homem para te poder ter. Energica e violentamente. Primeiro na minha boca, lembrar-te-ás do seu sabor? Quero entrar em ti. ser a tua extensão natural. como se nos pudessemos por esse cordão umbilical. e dar-te prazer. todo o prazer. tremer o teu corpo contra o meu e fazer-te vir. em mim.
não é importante. pensamento, instante, meu.
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terça-feira, julho 07, 2009
Se existes
Se existes... é porque te inventei. Colori uma história e fi-la acontecer em mim. Personagem de ficção cozinhada no vapor acelerado das novas tecnologias. Algures, distrai-me contigo e enganei-me na receita. Deixei-me queimar.
Apago-te. Não darias uma boa história.
Apago-te. Não darias uma boa história.
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domingo, julho 05, 2009
porque...
Porque os teus beijos não são promessas. porque os teus olhos brilhantes não são contratos irrevogáveis. porque as tuas mãos entrelaçadas com as minhas são um mapa de estradas confuso.
porque és ainda um sorriso.
espero.... até seres um barco a chegar.
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terça-feira, junho 16, 2009
I- Carta
Instruções
Tens de me ler até ao fim. Sem hesitações. Podes parar para sacar do cigarro ou beber um gole de água, porque isto vai demorar muito e tu vais ter sede ao fim de uns minutos, já te conheço, afinal já se passou algum tempo entre nós. Se te apetecer, podes também petiscar umas pipocas ou uns cajus com sal para aligeirar o ambiente intimista e melancólico. Peço-te apenas que não te disperses demasiado e sobretudo não a leias em voz alta. A tua voz distorce tudo...
Podemos começar assim pelo princípio das cartas, a indicação do dia de hoje. Hoje, um dia como outro qualquer, é apenas quarta-feira, a data verdadeiramente dita e explicada como vem no calendário até poderia ter importância, mas hoje é um dia como outro qualquer.
Agora situo-te no local onde estou, no meio da serra de Sintra ou monte da lua, como sempre preferi chamar. Estacionei o carro, a alguns metros daqui, encontrei um tronco toscamente partido e sentei-me com o portátil no colo. Escrevo-te, portanto daqui, rodeada desta folhagem verde, desta humidade que arrefece o corpo, tornando-o tão frio por fora, como eu própria já o sinto.
E depois o resto, o essencial de tudo isto e o motivo óbvio pelo qual te escrevo, mas que custa tanto descrever.
Seria tudo tão mais fácil sem estas coisas dos sentimentos que atrapalham os pensamentos, aquecem corpos e fazem acontecer desejos.
Disse-te não regresses, como te poderia ter dito “não partas”. Qualquer uma dessas opções teria as mesmas lágrimas a final. E nós já conhecemos tão bem esse final fadado a nós.
Talvez isso torne tudo mais fácil de viver. Se soubermos como vai acabar. E nós sempre soubemos que o nosso amor era um processo urgente. Que não podíamos suspender. Nem parar o tempo. Nem estrangular o que nos corre nas veias. Sempre soubemos que iríamos ser vencidos. E ainda assim…
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terça-feira, junho 16, 2009
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quinta-feira, maio 07, 2009
Pensamentos
Apetece-me escrever num outro idioma. Borrifar-me para o fogo que arde sem se ver. Para a melancolia do xaile preto que cobre os ombros, para o orgulho que faz acenar as filigranas douradas.
Tudo isto para me esquecer de mim.
Tudo isto para me esquecer de mim.
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Rute Coelho
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quinta-feira, maio 07, 2009
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