quarta-feira, outubro 14, 2009

Despedida

Despeço-me do que não sei viver.


 Em alguns momentos parte-se sempre.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Para o futuro

E agora, projectos para o futuro?

Esta foi o início de uma conversa que acabei antes de a mesma tomar outros rumos. Finji um ar feliz por mais esta batalha profissional ganha e agradeci os parabéns.
Consola-os ver-me feliz: os familiares e amigos aplaudem de pé, quem me paga os vicios rejubila de gozo.
Cá dentro: igual ao antes, igual ao depois. Dormente.
Projectos para o futuro: nenhuns. O futuro já passou aqui. Bateu à porta sem ser convidado e eu recusei a entrada.
Não quero nada. Não espero nada. Não luto por nada. Não vibro com nada.
"À parte disso tenho em mim todos os sonhos do mundo".
Ou não.

sábado, outubro 03, 2009

Lembra-te

Tu ficas, eu parto; através do tempo suspenso da espera.
Lembra-te: é no beijo de despedida que começo regressar.

domingo, setembro 27, 2009

De luto...

Luto para que sejas tu. Na maior parte dos dias, fecho os olhos com muita força e tento esquecer esta luta. Porque é uma luta inglória. Não podes ser tu.
Sou tua.
Mas a alguém que me ofereça um sorriso, deixo escapar um gosto de ti telenovelesco. Se me abraçarem forte, digo sim a um eventual compromisso de vestido e grinalda.
E sim, vendo-me por pouco. Afinal tens tudo o resto.
E não podes ser tu. Luto diariamente para que não o sejas. Com uma vontade férrea. Esmago desejos e beijos. Engulo soluços e palavras. Encolho-me neste lado do silêncio.
Quero que sejas feliz. Quero ser feliz.
(ainda assim luto para que que sejas tu)

sexta-feira, setembro 18, 2009

O que sei da vida

O que sei da vida: Que se acaba. Que se derrete no milésimo de segundo em que adormeceste e passaste o sinal vermelho. Eu ia morrendo e tu navegas pela morte à procura de um caminho na cama do hospital.
O que sei da vida: Que se acaba lentamente numa cadeira de rodas com um cancro a corroer-te o cérebro e coarctar-te para sempre os movimentos, a fala, a visão e a audição.
O que sei da vida: Que se acabou hoje neste cemitério.
Ainda é Verão e chove. A vida acabou-se por detrás dos óculos escuros que sustém as lágrimas que não podemos chorar à frente uns dos outros. E admitir que a vida se acaba assim depois de um transplante que prometia os anos em que poderias continuar por cá. A sorrir. Tinhas um sorriso lindíssimo de manhã quando chegavas ao trabalho e dizias que era bom continuar por cá.

Neste Verão parece que o que sei da vida se resume a isto: ela acaba-se.

(E talvez tenhas razão, é bom continuar cá... mas não nestes dias em que tudo se acaba.)

quinta-feira, setembro 03, 2009

Vivemos a perder.

Vivemos a perder. Todos os dias abandonamos alguém à beira da estrada. Todos os dias nos despedimos de alguém que no dia seguinte não vamos ver. Dizemos adeus a um rosto, sem lhe conhecer o sorriso, dispensamos corpos sem lhes enxergar os encantos. Amordaçamos as vozes sem sequer lhes proporcionar o tempo de uma conversa banal. Escondemo-nos na gola do sobretudo para não ver a lágrima do outro cair. No silêncio de nós. Vamo-nos embora todos os dias, sem sequer reparar no esmero dos novos sapatos de quem nos impediu de morrer.
- Fica bem?- pergunta o homem de bata branca que me salvou as memórias.
- Ficarei. Fico sempre bem antes de morrer.
Ri-se. Afaga-me o cabelo despeitadamente. Podia ser meu pai. Meu professor. Meu amante.

Agora, encostada ao vidro do táxi, amachuco com força as prescrições de nomes compridos e comprimidos em linhas paralelas. Que nunca se encontram: memória do muito que se lançou ao desbarato.

Ficam as perdas inevitáveis. O tempo quase irrecuperável. Como daquela vez, em que roguei que te fosses embora, quando só queria que ficasses. Desviámo-nos do caminho um do outro. Apartámos palavras e afastámos emoções. Só para ficar longe. Para perder.

E já perdemos tanto...

sexta-feira, agosto 28, 2009

Ainda vale a pena...

Releio alguns posts do blog e fica a emoção de seis anos. Os afectos, as histórias, as pessoas mascaradas por detrás das palavras filtradas sempre, para sempre, pelo subjectivismo dos meus olhos. Seis anos em seis palavras de seis emoções: amor, lágrimas, sonhos, esperanças, solidão e saudades.

No fim sempre os sorrisos. Os meus que hoje são apenas uma sombra. Perdem-se na transparência de algumas lágrimas que deixo cair sem querer. Releio-me. E sim, ainda faz sentido continuar. A sorrir.

sábado, agosto 01, 2009

pensamento, instante, meu.

Não é importante… por isso posso tê-lo só para mim.
O pensamento, instante, meu.
Aninhaste-te na curva do meu corpo. Encaixado na dobra dos meus joelhos magoados e ausentes. Queria poder-me virar. E aninhar-me em ti. Ficar com os meu peito preso às tuas costas. Penso, mas não é importante. Nem sequer pode querer ser importante, mas neste instante, meu, queria ser homem. Para poder afundar-me em ti. Entrar dentro de ti. Possuir-te assim com os meus joelhos magoados encaixados na dobra da tua perna, a respirar o teu cheiro. A minha mão pequena pousada, dentro dos teus boxers, acariciando o osso da anca. Ainda o osso mais belo do nosso corpo. Como nas aulas de anatomia em que me apaixonei por esse osso.
E que hoje é o meu limite. Debaixo dele já não há dor. Nem ardor. Em nada. Só ausência. De mim mesma. sem movimento a que possa chamar meu. Foste tu que dobraste os meus joelhos magoados e ausentes para eu poder adormecer. Fazes isso todas as noites. Antes, a minha posição preferida era assim.
No pensamento, instante, meu, queria ser homem, para poderes ser meu. Mulher, já não sei ser e tu já não precisas que o seja, nunca mais. mesmo que nunca mais seja muito tempo. E o tempo, sabemos, só é incerto e turbulento. Como quando, no acidente, me pediste para não morrer. Contas-me que abri os olhos e fiz um esgar de lábios que para ti significou um sorriso. Por isso acreditaste. E depois nesses meses de camas cinzentas, pegaste-me na mão e pediste para ter força. Aguentar tudo aquilo. Olhar para os joelhos magoados e ausentes e não desistir de os amar. Não desistir que eles fosse meus.
Deixei de querer coisas. Orientei a minha rotina pelos teus pedidos, as tuas súplicas em tom de ordens impossíveis de incumprir. Meu, pensamento, instante. Queria ser homem para te poder ter. Energica e violentamente. Primeiro na minha boca, lembrar-te-ás do seu sabor? Quero entrar em ti. ser a tua extensão natural. como se nos pudessemos por esse cordão umbilical. e dar-te prazer. todo o prazer. tremer o teu corpo contra o meu e fazer-te vir. em mim.
não é importante. pensamento, instante, meu.

terça-feira, julho 07, 2009

Se existes

Se existes... é porque te inventei. Colori uma história e fi-la acontecer em mim. Personagem de ficção cozinhada no vapor acelerado das novas tecnologias. Algures, distrai-me contigo e enganei-me na receita. Deixei-me queimar.


Apago-te. Não darias uma boa história.

domingo, julho 05, 2009

porque...

Porque os teus beijos não são promessas. porque os teus olhos brilhantes não são contratos irrevogáveis. porque as tuas mãos entrelaçadas com as minhas são um mapa de estradas confuso.

porque és ainda um sorriso.

espero.... até seres um barco a chegar.