Ele está sentado na cama. Costas encostas à cabeceira. Nu. Ela entra no quarto, fechando atrás de si a porta da casa de banho. Por debaixo do roupão branco não há mais nenhuma peça de roupa. O ar condicionado está ligado. Dentro dela um frio seco. Não é permitida quaisquer gotas de água por aqui.
-É isto que queres, não é?
O roupão abre-se. O corpo voluptuoso acontece aos olhos dele.
Nem sequer responde. Levanta-se de um pulo e agarra-a pela cintura depositando o corpo dela na cama por debaixo dele.
Ela odeia o corpo. As curvas da pele que ele vai tocando com a língua, os desniveis nos quais ele se perde com os dentes. Odeia o olhar dele que a aquece. Odeia as mãos dele que esboçam contornos no seu corpo. Devagar.
Demorando a tortura. Dentro de si. Pensa que está quase a acabar. Não foi desta. Alarme falso, ainda, a língua dele explorando os cantos e recantos da boca dela, pergunta-se se isto não acaba. Nunca mais.
Ela já não está ali. Há quanto tempo?
quarta-feira, abril 21, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
De vermelho.
As unhas vermelhas quebram-se na pele: abrem valas comuns. onde tu também podes morrer. se quiseres. se souberes morrer. entre um osso que se falsificou em titânio e um pedaço de carne ao qual já se tentou retirar todas as gorduras visiveis e invisiveis ao espelho da mente.
As unhas vermelhas quebram-se na pele: numa coreografia milimetricamente desenhada. que nunca se perdem no seu longo percurso. abrir feridas é um trabalho até árduo e exige coordenação de movimentos.
Urdem-se chagas assim. De unhas pintadas de vermelho.
( Tinhas medo. Eu tenho a vida numa mão. )
As unhas vermelhas quebram-se na pele: numa coreografia milimetricamente desenhada. que nunca se perdem no seu longo percurso. abrir feridas é um trabalho até árduo e exige coordenação de movimentos.
Urdem-se chagas assim. De unhas pintadas de vermelho.
( Tinhas medo. Eu tenho a vida numa mão. )
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Rute Coelho
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quarta-feira, abril 07, 2010
Funeral blues - W.H Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.
Porque resume tudo o que senti quando tive que me despedir de ti.
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.
Porque resume tudo o que senti quando tive que me despedir de ti.
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domingo, março 07, 2010
a minha resposta
Leio. Volto a reler. Uma e outra vez. As tuas palavras inscritas em papel de rascunho. E continuo sem saber o que te dizer. Não me canso de as ler. Tenho medo do avesso das palavras. Dos silêncios que as intervalam e que eu conheço de cor. São os mesmos silêncios das nossas conversas, os silêncios que ficam quando o resto é demais e basta um sorriso, um olhar, um gesto.
Tenho obrigação de as comentar, de lhes dar uma resposta. Continuar de um depois que se irá entranhar em nós. Não consigo dizer mais do que o meu olhar já diz. E ele não mente. Não a ti. Saberás a resposta?
Tenho obrigação de as comentar, de lhes dar uma resposta. Continuar de um depois que se irá entranhar em nós. Não consigo dizer mais do que o meu olhar já diz. E ele não mente. Não a ti. Saberás a resposta?
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quarta-feira, março 03, 2010
Beijo-te
Por vezes meia-dúzia de palavras têm o condão de mudar destinos. As tuas invariavelmente mudaram para sempre o meu. Se não me tivesses respondido àquela ousadia de menina, se não tivessemos mantido aqueles telefonemas, o vinho, a lasanha, etc. Se tudo isso tivesse sido apenas uma fantasia de garota a descobrir a vida para além da casa, do bairro e da escola e tivesse ficado guardado e selado no cofre da adolescencia inquieta.
Nas palavras que vingaram e alcançaram o presente, continuas a existir. Como sempre. Com talvez ainda mais força, porque és presença na memória, nas paredes que seguram o meu ser e nas palavras, as amigas íntimas que me impedem de esquecer quem sou.
Beijo-te na distância imensa, que nos separa fisicamente. Beijo-te na intimade partilhada, que nunca se esquece. Beijo-te por entre as palavras ensaiadas frente ao espelho.
Beijo-te.
Nas palavras que vingaram e alcançaram o presente, continuas a existir. Como sempre. Com talvez ainda mais força, porque és presença na memória, nas paredes que seguram o meu ser e nas palavras, as amigas íntimas que me impedem de esquecer quem sou.
Beijo-te na distância imensa, que nos separa fisicamente. Beijo-te na intimade partilhada, que nunca se esquece. Beijo-te por entre as palavras ensaiadas frente ao espelho.
Beijo-te.
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terça-feira, fevereiro 02, 2010
Escrever é uma forma de ouvir o silêncio.
Escrever é uma forma de ouvir o silêncio. Eu tenho demasiado ruido ao meu redor.
Volto mais tarde.
Volto mais tarde.
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quinta-feira, janeiro 14, 2010
Só corpo.
Sem alma, sem coração. Só corpo. O resto emigrou de mim.
Sou cada vez mais só corpo.
Não me peçam mais, não há mais.
Janeiro de 2010
Sou cada vez mais só corpo.
Não me peçam mais, não há mais.
Janeiro de 2010
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terça-feira, dezembro 29, 2009
Deste lado
Através desta janela há chuva e um rio prateado. Há um passado a ser encerrado. Amanhã nasço uma vez mais. Ainda os conto. E apago as velas. E sorrio com as conquistas. E espanto-me com as pequenas rugas que começam a despontar no meu rosto de menina. Depois acaba o ano. É o futuro pronto para ser estreado.
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quinta-feira, dezembro 10, 2009
Por dentro
Por dentro. Abre-me. Sou só ferida imensa. Carne viva a sangrar. Sem tempo ou pele suficiente para cicatrizar. Abre-me. Com o metal frio do bisturi impecavelmente esterilizado. Sou apenas mais uma. Mais um corpo.
É quase bar aberto. Serve-te à vontade dos meus sonhos e vãs esperanças. Ridiculariza-os, espezinha-os. Fá-lo é de uma vez por todas.
Elimina-os de mim. Para que nunca mais ceda à tentação de acreditar.
As marcas acumulam-se no corpo. No entanto, olho-me ao espelho e incrivelmente ainda acredito. Ainda quero acreditar. Quando sei que não posso, não devo e não quero. Acreditar: no ser humano.
É quase bar aberto. Serve-te à vontade dos meus sonhos e vãs esperanças. Ridiculariza-os, espezinha-os. Fá-lo é de uma vez por todas.
Elimina-os de mim. Para que nunca mais ceda à tentação de acreditar.
As marcas acumulam-se no corpo. No entanto, olho-me ao espelho e incrivelmente ainda acredito. Ainda quero acreditar. Quando sei que não posso, não devo e não quero. Acreditar: no ser humano.
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sexta-feira, novembro 27, 2009
Procurar
Claro que sim, que te procuro.
Tu, um qualquer que me desvendaste-me assim que me viste. Corrigiste o sorriso, acertaste com a lágrima, esventraste-me as memórias e derreteste fantasmas em menos de nada.
Tu, um qualquer, que me disseste que não sabia andar. Que não sabia caminhar e que por isso teimava em cair em todos os buracos que encontrava. Que insistia no desafio do abismo, mesmo sabendo o resultado final.
Tu, um qualquer, que me obrigaste a abraçar-me ao espelho. A querer gostar de mim. A querer amar-me. Como tu.
Tu, um qualquer, que soube sempre quem eu era, mesmo quando eu não fazia minima ideia onde me poderia encontrar.
Claro que te procuro. Ainda que em sonhos.
Tu, um qualquer que me desvendaste-me assim que me viste. Corrigiste o sorriso, acertaste com a lágrima, esventraste-me as memórias e derreteste fantasmas em menos de nada.
Tu, um qualquer, que me disseste que não sabia andar. Que não sabia caminhar e que por isso teimava em cair em todos os buracos que encontrava. Que insistia no desafio do abismo, mesmo sabendo o resultado final.
Tu, um qualquer, que me obrigaste a abraçar-me ao espelho. A querer gostar de mim. A querer amar-me. Como tu.
Tu, um qualquer, que soube sempre quem eu era, mesmo quando eu não fazia minima ideia onde me poderia encontrar.
Claro que te procuro. Ainda que em sonhos.
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