Tenho tão pouco de ti: As conversas ocasionais. O cheiro incorporado no corpo. O olhar suspenso num gesto terno. Tudo é tão pouco que se guarda tudo. O primeiro beijo. O abraço quente. As frases escritas e enviadas em mensagens curtas.Numa conversa que poderia ser de amor. É menos qualquer coisa. Porque o resto dói mais.
Tenho tão pouco de ti.Quase nada.
quarta-feira, outubro 27, 2010
terça-feira, outubro 26, 2010
Preciso de ti. Ligo ao médico?
Doem me as saudades. Nos sitios mais improváveis do corpo. Nas unhas, no cabelo, que segundo o médico que me observa diz queo corpo perdeu vitalidade.
Eu continuo a achar que é só saudade.
Pois, talvez seja da idade. Fala do cálcio, de vitaminas necessárias. E que todos os dias nos esquecemos dos nutrientes essenciais ao nosso bem-estar.
Todos os dias me lembro de ti.
Pescreve-me meia dúzia de comprimidos. Num post-it amarelo, um nº de telefone, para ligar quando precisar de alguma coisa. O que for, reitera-me ele.
Preciso de ti. Ligo ao médico?
Eu continuo a achar que é só saudade.
Pois, talvez seja da idade. Fala do cálcio, de vitaminas necessárias. E que todos os dias nos esquecemos dos nutrientes essenciais ao nosso bem-estar.
Todos os dias me lembro de ti.
Pescreve-me meia dúzia de comprimidos. Num post-it amarelo, um nº de telefone, para ligar quando precisar de alguma coisa. O que for, reitera-me ele.
Preciso de ti. Ligo ao médico?
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Rute Coelho
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segunda-feira, outubro 25, 2010
A caminho dos 30....
A passos apressados para os tão famosos 30, alguns de n´so voltam à infância e respescam o inocente jogo das cadeiras. Ninguém quer ficar sozinho, ama-se mesmo que ou apesar de. O arco-íris já só tem duas cores, e uma é definitivamente o cinzento. Podemos ter crescido, os anos poderão ter passado para o cartão do cidadão pronto a estrear, ainda não é desta vez que morremos, mas assustámo-nos com as fragilidades da vida, deixamo-nos flutuar na leveza morna de um dia a dia que não idealizámos, mas acabamos por escolher. Talvez mudemos. E sejamos felizes. Um dia mesmo que ou apesar de.
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Rute Coelho
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domingo, outubro 24, 2010
Então, quando?
Sempre quis tudo para ontem. Antes de ontem, se fosse possivél.
A pressa de sentir, de viver na curva do teu pescoço, de segurar os teus olhos nos meus, de sorrir de mãos dadas num caminho lamaçento. De te ouvir sussurar o meu nome enquanto dormias.
E o nosso nós demora tanto tempo. Não é desta, percebo ainda. Então quando?
Era para ser ontem. Ou antes de ontem. E já lá ficou tanto tempo para trás.
Permaneces nesse ontem que nunca acontece. Na névoa imensa de "ses" que não consegues enfrentar.
Deixa lá, eu fico para amanhã.
A pressa de sentir, de viver na curva do teu pescoço, de segurar os teus olhos nos meus, de sorrir de mãos dadas num caminho lamaçento. De te ouvir sussurar o meu nome enquanto dormias.
E o nosso nós demora tanto tempo. Não é desta, percebo ainda. Então quando?
Era para ser ontem. Ou antes de ontem. E já lá ficou tanto tempo para trás.
Permaneces nesse ontem que nunca acontece. Na névoa imensa de "ses" que não consegues enfrentar.
Deixa lá, eu fico para amanhã.
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quinta-feira, outubro 14, 2010
Do vazio
Reduzo e resumo tudo ao essencial. Toco onde dói. Conheço o âmago da dor. Resumo –me à estufa fria, onde nada com vida pode ser viável. Aproprio-me de palavras. De histórias e de vivências de outrem.
Invento- o mundo está cheio de pessoas vazias- reinvento-me.
Esvazio-me.
Invento- o mundo está cheio de pessoas vazias- reinvento-me.
Esvazio-me.
terça-feira, setembro 28, 2010
Parabéns.
Um dia, antes de ser gente, perguntei-te para onde iam as pessoas quando morriam. Tu, desenhaste-me o rosto com a ponta dos teus dedos e disseste:
- Conto-te à noite.
Tu não me desiludias, contigo aprendi que o prometido pode um dia ser devido. Assim à noitinha em vez de bebermos o leite com mel na minha cama, fomos bebê-lo para a varanda.
- Quando morrem as pessoas transformam-se em pó.
- Pó?!!
- Sim, mas não é um pó qualquer, é pó mágico feito de estrelas e que fica lá em cima no céu a brilhar.
Hoje no dia dos teus anos, onde quer que estejas, qualquer que seja o pó em que a morte te tenha transformado, estás comigo. Para sempre. Parabéns.
- Conto-te à noite.
Tu não me desiludias, contigo aprendi que o prometido pode um dia ser devido. Assim à noitinha em vez de bebermos o leite com mel na minha cama, fomos bebê-lo para a varanda.
- Quando morrem as pessoas transformam-se em pó.
- Pó?!!
- Sim, mas não é um pó qualquer, é pó mágico feito de estrelas e que fica lá em cima no céu a brilhar.
Hoje no dia dos teus anos, onde quer que estejas, qualquer que seja o pó em que a morte te tenha transformado, estás comigo. Para sempre. Parabéns.
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quarta-feira, setembro 08, 2010
Medo
O medo é uma concentração de ar húmido que se entranha nos ossos: Tenho medo das nuvens que nascem atrás dos meus olhos.
Tenho medo de estar contigo. Tenho medo de estar sem ti.
Tenho medo de estar contigo. Tenho medo de estar sem ti.
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quarta-feira, setembro 01, 2010
Vintes e alguns cometas.
Perguntaste-me primeiro a idade. (Não se pergunta a idade a uma senhora, disseste e sorriste.) Perdoa-se tudo a quem nos sorri assim. E então disse-te tenho vinte e alguns cometas. Sorriste ainda mais, num sorriso de franco de espanto. Lembro-me de pensar que o meu horizonte caberia nos teus olhos. Lembro-me de imaginar que as minhas palavras poderiam aquecer a tua boca. Lembro-me de pensar....
Este blog faz sete anos este mês. Começou assim com uma história de amor que não podia ser de amor. Foi história minha. De um amor meu.
São sete anos, muitas palavras e muitos naufrágios. Obrigada a quem continua desse lado a ler-me.
Este blog faz sete anos este mês. Começou assim com uma história de amor que não podia ser de amor. Foi história minha. De um amor meu.
São sete anos, muitas palavras e muitos naufrágios. Obrigada a quem continua desse lado a ler-me.
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terça-feira, agosto 24, 2010
Recortes de felicidades
Procuraste-me para uma conversa breve. Querias o jogo de antigamente. No sitio de antigamente, o casino.
Calculado o risco, sempre alto contigo, feitas as apostas, entre os martinis e os teus honrosos e nada discretos olhares, para o meu decote, quiseste saber se era feliz.
- Feliz?
- Sim, feliz, assim, sozinha. És?
- Já não jogo a feijões. E no casino já não há moedas a caírem.
Apesar do ar de desilusão aparente, a cova do teu sorriso denunciou-te. Sei que ficaste feliz por não te querer desta vez.
Calculado o risco, sempre alto contigo, feitas as apostas, entre os martinis e os teus honrosos e nada discretos olhares, para o meu decote, quiseste saber se era feliz.
- Feliz?
- Sim, feliz, assim, sozinha. És?
- Já não jogo a feijões. E no casino já não há moedas a caírem.
Apesar do ar de desilusão aparente, a cova do teu sorriso denunciou-te. Sei que ficaste feliz por não te querer desta vez.
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sexta-feira, julho 30, 2010
A verdade certa.
Ainda não posso dizê-lo com a verdade certa das coisas, mas existo. E isso, por vezes, torna tudo tão perfeito. Ainda que seja coisa. E seja coisa que te baralha.
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