A nossa história seria um bom enredo.
É igual a outras tantas.
É diferente.
Porquê?
Tem a distância dos anos acumulado com o cinismo do que se passou e é conjugada na ingenuidade da adolescência.
Em qualquer lado há uma boa história pronta a ser vivida.
Menos no teu coração?
Menos no meu coração.
sábado, setembro 10, 2011
terça-feira, agosto 23, 2011
Cuida de mim
Olha por mim, mesmo quando eu te repetir que não preciso de nada. Nesses momentos em que finjo ser forte e estancar as lágrimas com uma pedra atirada ao lago, preciso ainda mais de ti. Porque não falo, não grito, mas morro por dentro. Apanha esses pedaços de mim e reconstrói-me devagar.
Olha por mim, quando eu tiver medo do escuro. As pernas fraquejam, os braços caiem postrados, o corpo desconjunta-se e os olhos não vislumbram nada de bom. Existirás tu, a tua voz e o teu abraço.
Não sei ser muito, admito. Cuida de mim.
Olha por mim, quando eu tiver medo do escuro. As pernas fraquejam, os braços caiem postrados, o corpo desconjunta-se e os olhos não vislumbram nada de bom. Existirás tu, a tua voz e o teu abraço.
Não sei ser muito, admito. Cuida de mim.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
terça-feira, agosto 23, 2011
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, julho 24, 2011
Desculpa
Desculpa se dói ou se não é suposto confessar coisas destas. Nos dias que correm, acredita, esforço-me imenso para não errar. Para corresponder a expectativas; quase todas, as tuas, as da família, as do trabalho.. Por vezes falta tudo; a palavra certa, o gesto correspondente. E tu.
Desculpa se causo incómodo ou se abalo o silêncio. A ausência tem destas invenções; quebra corações. Mesmo aqueles que se queriam gelados e inamovíveis perante as emoções.
Desculpa os esconderijos que invento porque não te tenho como um direito que possa sequer almejar. Fujo e corro porque talvez sejas tu o meu destino. Nunca quis querer-te.
Desculpa, sinto a tua falta. É uma merda dizer-te, mas a vida também é assim.
Desculpa se causo incómodo ou se abalo o silêncio. A ausência tem destas invenções; quebra corações. Mesmo aqueles que se queriam gelados e inamovíveis perante as emoções.
Desculpa os esconderijos que invento porque não te tenho como um direito que possa sequer almejar. Fujo e corro porque talvez sejas tu o meu destino. Nunca quis querer-te.
Desculpa, sinto a tua falta. É uma merda dizer-te, mas a vida também é assim.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
domingo, julho 24, 2011
1 comentário:
Hiperligações para esta mensagem
sábado, julho 02, 2011
Medo
Não conto nada de ti. Agora sou só eu. Não me interessam as rosas brancas que prendias no cabelo segurando as tranças. A água cai continuamente e finda-se pelo ralo da banheira. Dirias: não desperdices a água. Responder-te-ia: a água está cada vez mais cara, mas não te preocupes que eu depois pago.
Farias uma maldade qualquer em jeito de criança, como desligar o esquentador. Eu sorriria e seriam assim os nossos os dias até quando a água parasse de jorrar nesta casa de tostão enforcado pelo sacrifício dos sonhos difíceis. Queríamos ficar juntos e aqui.
Nunca gostei muito de ti até me estalares o coração. Quase que me afogo na água da banheira, pelo que poderei ser honesto e revelar, que não foi o amor ou a paixão que nos juntou. Era mais certa a vida contigo. Só isso. Tão certa, senti eu quando dissemos o sim. Ainda mais, quando te agarrei a mão com força e te deixei morrer.
Dói-me o amanhã porque tu não estás. A água já nem sequer pára em mim. Deixa-se ir no tempo das pequenas coisas que foram-se ausentando de mim. Como o sorriso que se foi desgastando em esgares esforçados. O depois de amanhã será então tenebroso. E o depois mete medo.
Mergulho na água morna e deixo-me ficar.
Farias uma maldade qualquer em jeito de criança, como desligar o esquentador. Eu sorriria e seriam assim os nossos os dias até quando a água parasse de jorrar nesta casa de tostão enforcado pelo sacrifício dos sonhos difíceis. Queríamos ficar juntos e aqui.
Nunca gostei muito de ti até me estalares o coração. Quase que me afogo na água da banheira, pelo que poderei ser honesto e revelar, que não foi o amor ou a paixão que nos juntou. Era mais certa a vida contigo. Só isso. Tão certa, senti eu quando dissemos o sim. Ainda mais, quando te agarrei a mão com força e te deixei morrer.
Dói-me o amanhã porque tu não estás. A água já nem sequer pára em mim. Deixa-se ir no tempo das pequenas coisas que foram-se ausentando de mim. Como o sorriso que se foi desgastando em esgares esforçados. O depois de amanhã será então tenebroso. E o depois mete medo.
Mergulho na água morna e deixo-me ficar.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
sábado, julho 02, 2011
6 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, junho 30, 2011
E não choveu.
Não choveu ontem.Voltou a época dos incêndios. E dos terramotos que me acontecem na pele. Um tsunami pode invadir-me os olhos e provocar estragos. Depois o calor regressa, secando tudo. Arde apenas.
P.S- Chamem o 112, as queimaduras adivinham-se profundas. Um beijo para quem fica.
P.S- Chamem o 112, as queimaduras adivinham-se profundas. Um beijo para quem fica.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
quinta-feira, junho 30, 2011
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, maio 24, 2011
Só faltava chover.
Tínhamos o abraço apertado, a lágrima a querer aquecer o olho, um desejo surreal a nascer, um beijo tímido a acontecer. Só faltava chover.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
terça-feira, maio 24, 2011
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sábado, abril 09, 2011
Faz-me falta este livro
Acho que te preciso de escrever um livro.
Para?
Um livro com as pequenas histórias que foram ficando de fora dos álbuns de fotografias, dos diários e dos livros de receitas e apontamentos da avó Teresa.
Para?
Um livro de palavras estranhas, ousadas e difíceis. Terias decerto de consultar dicionários antigos.
Para?
Um livro- mapa-ampulheta.
Para?
Para que não te percas nas paragens do tempo.
Para?
Um livro com as pequenas histórias que foram ficando de fora dos álbuns de fotografias, dos diários e dos livros de receitas e apontamentos da avó Teresa.
Para?
Um livro de palavras estranhas, ousadas e difíceis. Terias decerto de consultar dicionários antigos.
Para?
Um livro- mapa-ampulheta.
Para?
Para que não te percas nas paragens do tempo.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
sábado, abril 09, 2011
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, março 08, 2011
Dez minutos
Um pouco de silêncio. Um espelho. Uma parede para me encostar e poder escorregar. Até ficar sentada no chão. De joelhos flectidos. Sim, sei que a saia vai ficar desalinhada. Dá-me dez minutos assim. Para mim. Em que eu possa ser, desesperadamente, eu. Ou uma outra qualquer. Às tantas uma pessoa cansa-se de ser sempre a mesma.
Nove minutos.
E quero mudar. De corpo, de coração e até talvez de alma.
Descalço os sapatos. Deixo que as meias finas de vidro pisem a tijoleira fria e barata. Do outro lado desta porta feita de chapa de alumínio, ouço vozes e pancadas na porta. Perguntam: está aí alguém? estou, respondo a meia voz. E sim, estou deveras ocupada.
Oito minutos.
Isto é uma casa de banho pública. Num café qualquer. Nesta ou noutra cidade. Pouco importa.
Solto os cabelos e desaperto o blaser preto. Tiro as argolas e observo o anel de brilhantes que cai dos meus dedos.
Os botões pequenos da camisa branca são arrancados depressa. Depressa, porque não quero pensar. É a velocidade do contra-relógio. A urgência do momento. A intensidade do grito que calo diariamente.
Seis minutos.
Os meus dedos afagam a suavidade do cetim. Acaricio as alças do soutien, fazendo-as deslizar através do braço. Lentamente. Tenho saudades. Tenho sede. Tenho um medo imenso. Abraço-me com força. Preciso de me fazer sentir quente. Carne minha. Crua de ti. Tijoleira fria.
Cinco minutos.
Fecho os olhos e aquieto-me no reflexo imaginário deste corpo despido. O meu corpo, relembro-me.
Sinto-me embalada pela letargia morna do desejo. Sou só eu. Embalada neste torpor de prazer roubado. Ao espelho.
Dois minutos.
Retoco o cabelo e apanho as últimas madeixas num penteado perfeito. Esta sou eu. Um pouco sozinha. Emoldurada na tela do tempo.
Um minuto.
Já vou, respondo a alguém que bate insistentemente. Passaram dez minutos. De mim.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
terça-feira, março 08, 2011
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, janeiro 18, 2011
Frango com cerveja.
Temos os filhos feitos. A banda sonora do depois escolhidada a dedo. Os nomes, se forem rapazes, ou se forem raparigas. O homem da loja vem entregar o sofá dentro de meia hora, garantiram-me.. E tu despesdes-te. As cervejas no frigorifico. Apetece-me frango para o jantar, o que achas? Não sei ter estes filhos sem ti. A idade limitada pela merda da biologia. Não haverá tempo para ter outros filhos. Contento-me com estes. E tu despesdes-te.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
terça-feira, janeiro 18, 2011
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, janeiro 13, 2011
E se me faltarem as pernas?
E se me faltarem as pernas? Se os meus passos não forem suficientemente velozes para te alcançar? E se o comprimento do que nos separa se revelar no incumprimento das quimeras que alimentámos? Se a minha voz for apenas ruído para os teus ouvidos? E se as palavras que te deliciavam em noites de tédio se transformarem em repetivas e solitárias orações?
E se os meus olhos castanho de amêndoa te amarguarem os dedos no piano? E se o bolo de limão não crescer? Se o leite coalhar no meu peito? E se o meu ventre for apenas grande e oco? Se me fugires?
E se me faltarem as pernas para te alcançar.
E se os meus olhos castanho de amêndoa te amarguarem os dedos no piano? E se o bolo de limão não crescer? Se o leite coalhar no meu peito? E se o meu ventre for apenas grande e oco? Se me fugires?
E se me faltarem as pernas para te alcançar.
Publicada por
Rute Coelho
à(s)
quinta-feira, janeiro 13, 2011
1 comentário:
Hiperligações para esta mensagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)