segunda-feira, novembro 21, 2011

Tempestades

Estalam os céus sobre mim. A electricidade das palavras impede-me de fechar os olhos e a noite percorre o tempo das emoções. As cores desenham histórias e traçam caminhos até chegar ao fim do arco íris. Tu: o tesouro.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Na almofada

Ficou o beijo preso na almofada. Assim tenho a certeza que um destes dias voltarás para o resgastar.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Abraços.

Olhou-se ao espelho e percebeu que lhe fazia falta um abraço. Dos verdadeiros, daqueles em que a cabeça se encaixa no ombro, confia-se e pronto. Com ou sem lágrimas. Também percebeu que não havia ninguém para isso.

E pior de tudo: ainda não sabia abraçar-se.

Elogio da ignorância

- Basta a verdade. Ela é sempre libertadora e definitiva. 

- Borrifa-te nisso,  a ignorância permite-nos acarinhar um dia de sol. 

- A ingenuidade faz o mesmo. E a felicidade também. 

- Lá está, ninguém precisa dessa verdade libertadora e definitiva. 

- Eu preciso. 

Ficam-te bem esses sentimentos.  


P.S- Sopra para os meus olhos e impede-me de chorar. Agarra-me na mão e deixa-te estar assim. Apenas cinco minutos para que a dor fininha que me rasga o corpo não se entorne. Mais importante: promete-me que amanhã será um dia melhor. E que a verdade, um dia, vai deixar de doer tanto.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Um século

Hoje tive um acidente e no segundos antes de ter medo, pensei em ti. Farias cem anos se estivesses por cá.  Sejas pó de estrelas, sejas ossos guardados num gavetão do cemitério, hoje abriste-me os braços. Tive saudades tuas. E não tive medo, avô.

sábado, setembro 10, 2011

A nossa história

A nossa história seria um bom enredo.

É igual a outras tantas.

É diferente.

Porquê?

Tem a distância dos anos acumulado com o cinismo do que se passou e é conjugada na ingenuidade da adolescência.

Em qualquer lado há uma boa história pronta a ser vivida.

Menos no teu coração?

Menos no meu coração.

terça-feira, agosto 23, 2011

Cuida de mim

Olha por mim, mesmo quando eu te repetir que não preciso de nada. Nesses momentos em que finjo ser forte e estancar as lágrimas com uma pedra atirada ao lago, preciso ainda mais de ti. Porque não falo, não grito, mas morro por dentro. Apanha esses pedaços de mim e reconstrói-me devagar.

Olha por mim, quando eu tiver medo do escuro. As pernas fraquejam, os braços caiem postrados, o corpo desconjunta-se e os olhos não vislumbram nada de bom. Existirás tu, a tua voz e o teu abraço.

Não sei ser muito, admito. Cuida de mim.




domingo, julho 24, 2011

Desculpa

Desculpa se dói ou se não é suposto confessar coisas destas. Nos dias que correm, acredita, esforço-me imenso para não errar. Para corresponder a expectativas; quase todas, as tuas, as da família, as do trabalho.. Por vezes falta tudo; a palavra certa, o gesto correspondente. E tu.


Desculpa se causo incómodo ou se abalo o silêncio. A ausência tem destas invenções; quebra corações. Mesmo aqueles que se queriam gelados e inamovíveis perante as emoções.

Desculpa os esconderijos que invento porque não te tenho como um direito que possa sequer almejar. Fujo e corro porque talvez sejas tu o meu destino. Nunca quis querer-te.

Desculpa, sinto a tua falta. É uma merda dizer-te, mas a vida também é assim.

sábado, julho 02, 2011

Medo

Não conto nada de ti. Agora sou só eu. Não me interessam as rosas brancas que prendias no cabelo segurando as tranças. A água cai continuamente e finda-se pelo ralo da banheira. Dirias: não desperdices a água. Responder-te-ia: a água está cada vez mais cara, mas não te preocupes que eu depois pago.


Farias uma maldade qualquer em jeito de criança, como desligar o esquentador. Eu sorriria e seriam assim os nossos os dias até quando a água parasse de jorrar nesta casa de tostão enforcado pelo sacrifício dos sonhos difíceis. Queríamos ficar juntos e aqui.

Nunca gostei muito de ti até me estalares o coração. Quase que me afogo na água da banheira, pelo que poderei ser honesto e revelar, que não foi o amor ou a paixão que nos juntou. Era mais certa a vida contigo. Só isso. Tão certa, senti eu quando dissemos o sim. Ainda mais, quando te agarrei a mão com força e te deixei morrer.
Dói-me o amanhã porque tu não estás. A água já nem sequer pára em mim. Deixa-se ir no tempo das pequenas coisas que foram-se ausentando de mim. Como o sorriso que se foi desgastando em esgares esforçados. O depois de amanhã será então tenebroso. E o depois mete medo.


Mergulho na água morna e deixo-me ficar.

quinta-feira, junho 30, 2011

E não choveu.

Não choveu ontem.Voltou a época dos incêndios. E dos terramotos que me acontecem na pele. Um tsunami pode invadir-me os olhos e provocar estragos. Depois o calor regressa, secando tudo. Arde apenas.




P.S- Chamem o 112, as queimaduras adivinham-se profundas. Um beijo para quem fica.