domingo, julho 20, 2014
Por favor. Hoje e sempre. Obrigada
"Ela pediu por favor. Como lhe ensinaram em casa e depois na escola. Por favor. Iria agradecer, se possível. Por favor, gosta de mim. Sou loura, dizem que sou bonita, tenho os olhos claros, um corpo que algumas mulheres invejam e os homens reparam quando passam. Ela torna a pedir, por favor gosta de mim. Tenta desviar a alça do vestido para que se note a curva do ombro, como viu num filme que lhe parecera ser sensual e acabara bem. Neste fim, abrupto, finalizado com um “não quero” seco, uma pancada que soa oca no corpo pequeno, não pode dizer obrigada. Repete angustiada o por favor. Não encara isto como uma humilhação, é antes uma condição, de ser mulher, de ser ela, de ser gente. Sabe lá ser diferente. Não tem outro nome, outra identidade para oferecer. O “não quero, que poderiam ser um sem número de razões pérfidas escondidas, um “não” que poderia ser um sim, no mínimo “um talvez”, um amanhã, daqui a um mês o que achas posso voltar a tentar? Por favor. Se se sente um tapete, menos importante do que as outras mulheres, menos importante do que o homem que tem à sua frente e que nunca irá mudar de opinião. Não, não sente. Ela quer apenas dizer obrigada. É a sua esperança. Por favor gosta de mim."
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Rute Coelho
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domingo, julho 20, 2014
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domingo, julho 13, 2014
Por este mundo acima.
Quando for mais velha não vou ter filhos nem casar. Mesmo se me apaixonar, não terei a química que as mulheres sentem pelos homens. Aquela coisa das borboletas no estômago, do suor a escorrer, uma espécie de adrenalina. Não será como é suposto porque estarei sempre numa outra dimensão. Terei esta cicatriz invisível e o silêncio dentro de mim." Patricia Reis- Por este mundo acima.Pág. 55.
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Rute Coelho
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domingo, julho 13, 2014
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quarta-feira, julho 10, 2013
Anagrama de um nome
Olho-te cru.
Segredo aberto ao movimento
Ruído absurdo que cega os ouvidos
Fogo cheio de esperança
Coração que não se alcança
Pó de oiro espalhados como gemidos
Silêncios em jeito de lamento
Olho-te cru.
Olho-te cru = Rute Coelho.
domingo, junho 16, 2013
Uma vez mais
As luzes dos túneis encandeiam a condução do carro, sentes a
direcção a fugir por causa do chão molhado pela chuva recente. Já fechaste a
porta atrás de ti. Sem fazer barulho. Desperdiçaste o momento a cru. Para que não
fosses apanhado desprevenido. Sem norte. Ou alguém à tua espera. Matar em vez
de morrer na praia. Uma vez mais assim.
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Rute Coelho
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domingo, junho 16, 2013
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quarta-feira, abril 11, 2012
Da Primavera
Em prata sombreada, a Primavera veio tocar
sem que o arco-íris tivesse tempo para despontar
ou a rosa amarela para se duplicar.
E é quente, tão-somente
Breve quanto urgente.
O ensejo permanente.
sem que o arco-íris tivesse tempo para despontar
ou a rosa amarela para se duplicar.
E é quente, tão-somente
Breve quanto urgente.
O ensejo permanente.
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Rute Coelho
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quarta-feira, abril 11, 2012
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Do Outono
Estalaste o outono em folhas castanhas e verdes. Como um arranjo de mesa numa festa permanente até o frio se entranhar nos ossos, gelando as sobremesas e as lágrimas em estalactites afiadas e que retalham o músculo carente.
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Rute Coelho
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quarta-feira, abril 11, 2012
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terça-feira, março 13, 2012
Não sei se resisto à tua primavera
Foi um Novembro espesso e encorpado que se entranhou em nós, noite de trovões avassaladora e urgente, sem demoras, porque se sangrou a vida pelos dentes em forma de beijos, e beijos a fazer as vezes de promessas. As promessas de nunca mais a substituirem as chaves dos afectos encacerados.
O vinho quente destronou a lágrima e Março aconteceu no café que sobe nas esferas de vidro aromatizando lentamente a casa. Ainda não sei se resisto à tua primavera. A lamparina continua acesa. Não preciso de mais nada.
O vinho quente destronou a lágrima e Março aconteceu no café que sobe nas esferas de vidro aromatizando lentamente a casa. Ainda não sei se resisto à tua primavera. A lamparina continua acesa. Não preciso de mais nada.
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Rute Coelho
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terça-feira, março 13, 2012
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segunda-feira, fevereiro 06, 2012
Amanhã de ti
Chegarei a casa e darei por ti. Pela tua ausência mascarada pela falta
de uma peça qualquer. Sou mulher. Talvez por essa condição seja dada a
pormenores, perdoa-me por isso saber o lugar exacto onde estava então o teu
candeeiro artesanal feito com o tripé de uma antiga máquina fotográfica, os
postais, as revistas, os binóculos, os flyers da tua última exposição ou
quaisquer restos de ti.
Sei de tudo e sei que tudo vai embora. Fotografo tudo nos seus lugares de hoje, para que permaneça em algum lugar inalterável. Para que o tempo se suspenda neste momento e o amanhã não tenha que acontecer para nós. Para que não me sobrem apenas restos de ti.
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Algodão-Doce
No teu olhar esconde-se ainda a pornografia do sorriso pelo qual me apaixonei. Foi assim, nunca te confessarei, mas foram os teus lábios que me seduziram. A expresssão doce reflectida nos lábios rasgados que advinhavam a bolinha vermelha no canto superior do ecrã para maiores de dezoito, de vinte e um ou até eventualmente trinta. Senti-me a crescer, inchar como um balão. E a subir, como na música.
Serei exagerada e impúdica também se revelar que toco no céu. Não faz mal. O céu existe para isso mesmo para ser partilhado em momentos assim. De algodão-doce.
Serei exagerada e impúdica também se revelar que toco no céu. Não faz mal. O céu existe para isso mesmo para ser partilhado em momentos assim. De algodão-doce.
domingo, dezembro 04, 2011
Sapatos e Almofadas
Tenho-me em janelas por abrir e camas frias sem
lençóis, excesso de madeira preta e fogueiras por incendiar. Há almofadas que
se quedam no percurso que desconhecemos o desfecho. Há caminhos que podemos
quantificar os passos como com estes sapatos. Sei muito pouco de tudo isto. Sei
aliás muito pouco de tudo. Sou incompleta como o vento que sopra lá fora e me
rasga a voz. É estranho e irreal, dirás. Direi que sim. Porque sim.
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Rute Coelho
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domingo, dezembro 04, 2011
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