quinta-feira, julho 20, 2006

Até já

Agarro a porta. fechá-la é fechar também qualquer dentro e mim. de nós. admitir que alguma coisa se quebrou. que do encantamento de ontem sobrou apenas a despedida de hoje. as nossas mãos em cada lado da porta. tu a fechar. eu a tentar deixá-la aberta. para quem sabe um dia depois. depois da tua vida. depois da minha. Damo-nos por fim as mãos, depositas-me um beijo rápido nos lábios e fechas a porta com força. Corro até à janela para te ver. Atravessas a rua sem olhar para trás. eu sei. a vida não espera por nós. Deixo-me ficar a ver-te entar no carro e a disparar pelas ruas de lisboa. já te foste.



Até já

5 comentários:

Cátia disse...

Pois não, a vida não espera por nós. Tens toda a razão.

Texto lindo =)
Beijinho*

Murphy disse...

Isto está tudo errado, "Maria"!
Quando começamos a falar de portas que se fecham e abrem é porque, dentro de nós, inconscientemente, já as fechámos, definitivamente.
Não foram os "outros" que as fecharam: fomos nós, dentro de nós. O que se passa a seguir é apenas o lento processo de conferir a isso expressão objectiva, concreta, material.

"Um dia me darás razão"---comentaram os Sessenta Anos que haviam presenceado tudo, sorrindo um pouco ironicamente como se apenas vissem confirmada uma certeza sua, quase tão velha como eles...

Anónimo disse...

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