sexta-feira, outubro 31, 2003

2. Medo

Recupero uma parte de um dos primeiros posts deste blog e reafirmo-o hoje. Por mais que doa:"Estou viva. E se vivo, sofro e se sofro amo, nem que seja a única a amar. Esse é o meu privilégio: amar sempre. Porque os outros os que não sofrem, também não amam e também não se entregam. Mas também não vivem."

1.Medo

E porque hoje falei e senti muito o medo, acabei por também eu ficar com ainda mais vontade de o ultrapassar. O medo de tudo de fracassar, o medo de amar, de não ser amada, de sofrer e de não ser sofrida por ninguém. Para trás das costas com o medo. Estou cansada de ter medo. E de ficar em casa. À espera que a vida me faça mudar de ideias. Aqui estou eu, prontinha para arriscar. Com as mãos atrás das costas com figas como aqui . E este recado é também para este encalhado.

falta de mim

Antes de escrever este post, andei pelos meus blogs preferidos aqui e aqui e aqui à procura de inspiração. De uma palavra que fosse, para escrever. Mas nada. Hoje definitivamente estou vazia de mim.

quinta-feira, outubro 30, 2003

Desculpa

Se não te faço viajar por outros mundos, se não te dou a conhecer outros lugares, outros sentimentos, outras pessoas e se me refugio ainda demasiado em mim. Falo ainda muito de mim para me ouvires. Mesmo que já não grite. Já não há força para isso como dantes. Agora sussuro. Para mim mesma. E para quem está do outro lado deste post. Está aí alguém?

Beijos

estes beijosfizeram-me recordar uns outros beijos. Aqueles que deixei de dar. Aqueles que te queria dar, mas já não posso. Aqueles que poderiam calar o vazio e a solidão. Aqueles que voltarei a dar, mas não a ti.

quarta-feira, outubro 29, 2003

O Dr. X

Olha para trás sempre que caminha na rua. Segue sempre desconfiado, o Sr. X. Ou Dr. X. como o tratam no trabalho, porque este ano termina o curso de Direito. A escolha elogiada e invejada por todos os colegas da pequena repartição onde trabalha. O Sr. X, quer ser grande depois do curso. Levantar o nariz e olhar o mundo com outros olhos. De superioridade. Andar na rua desprecoupado porque muito em breve será doutor.
Vive para isso. Não tem amigos. Só colegas. Não têm amores. Só conhecidas de cama ocasionais para quem se reiventa algumas noites por ano.
Deita-se e acorda sozinho. Mas não precisa de ninguém. Não vive em solidão. Porque não conhece o que é estar acompanhado. Só sabe o que é a Lei. E neste caso a lei do vazio.
Conhecem o Dr. X?

A arte e o artista

" Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo da arte."
Oscar Wilde in O Retrato de Dorian Gray
E isto é tudo o que menos faço aqui neste blog. Não revelo a minha arte, revelo apenas a minha alma, a minha lua, as minhas fases e os meus luares, por vezes encantados. Agora quero começar a revelar a arte, se é que há alguma em mim.

terça-feira, outubro 28, 2003

Comentários!

Com a ajuda sempre preciosa da Lénia, lá consegui que isto voltasse ao sítio. É verdade que perdi os anteriores comentários, mas...
Obrigado pela ajuda de todos.
Maria da Lua

domingo, outubro 26, 2003

Help!

Fiquei sem sistema de comentarios! Quem me ajuda?! Sugestões e ajudas para o meul mail: MDLSSPC@hotmail.com
Obrigado!

sexta-feira, outubro 24, 2003

Sustos

Hoje o meu coração andou a bater depressa demais e o resultado foi ir parar ao hospital mais próximo e aí ficar duas horas e meia à espera de ser atendida. Depois um pouco de oxigénio.
Resumindo: foi uma tarde delirante em que apanhei um grande susto com o coração e com os pulmões. Mas deu para pensar, especialmente no que me tinham dito horas antes sobre este blog: que estava a ficar demasiado lamechas e chato porque só falava de amor e só sobre mim. Estou quase a concordar com as críticas e prometi naquele banco de hospital fazer algo quanto a isso. No futuro, com o coração menos acelerado.
Quando saí do hospital chovia imenso. Não me importei. Afinal sabe bem estar viva! Mesmo com chuva.

quinta-feira, outubro 23, 2003

Como te quero

Como te quero, te espero e desejo. Como te ouço deslumbrada, como te olho ardente em desejo. Ah! E como te desejo, encolhida em mim, subjugada pela força do instante em que fecho os olhos e em pensamentos, te beijo, te toco e és meu. Como te quero...E como não és meu...

quarta-feira, outubro 22, 2003

Dias difíceis

Para que sorrias,

E porque há dias assim, porque há semanas assim. Em que um sorriso é um tesouro escondido entre os nervos, o cansaço e a tristeza. Um abraço, é o colo de alguém ausente num lugar demasiado distante. E a força está para lá do que conseguimos ver. Nestes dias resta apenas o carinho dos outros. Do abraço forte dos outros, dos sorrisos e mimos dos outros. Do meu abraço, do meu carinho e do meu sorriso para ti. Sorri. Sempre, foi assim que aprendi a gostar de ti.

O fim

Este é o fim. Finalmente o fim. Aquele que sempre adiei com mais um beijo, mais uma palavra, um gesto ou um sentimento. Agora é mesmo o fim. Já não tenho medo. Já me despeço de ti com serenidade. Porque já doeu tudo o que tinha que doer. Agora é só mesmo o fim. Não de mim ou de ti. Mas somente de nós. Que tanto quis que fosse de verdade, mas que no fundo, não passou de uma história de faz-de-conta, que inventámos em noites de solidão.
As nossas alianças foram essas noites escuras em que fomos companheiros e cúmplices. Mais noites virão. Agora sem ti. Mas com o futuro na minha mira. E para é ele que corro. Agora. Que chegou, finalmente, o nosso fim.

domingo, outubro 19, 2003

Riscos

Corro o risco da minha escrita se tornar lamechas e demasiado açucarada se continuar só a falar de amor, de relações, de solidões, de sonhos e de tudo o que me faz parar. Das poeiras suspensas que habitam cada momento de silêncio do meu tempo. Mas arrisco. Aqui sou assim. Aqui permito-me ser assim. Lá fora talvez possa ser diferente, no futuro.

Importa...

Podia ter sido qualquer outra coisa. E podia, claro que podia, ter sido tudo tão diferente. A verdade é que não foi. Foi assim mesmo: Amor. Foi descoberta, entrega e partilha. Foi a emoção de se dar tudo. E receber porque se dá. E perceber, hoje, no final das contas, que ainda faz sentido falar de amor. Sozinha ou contigo, não importa.
Importa apenas sentir. E não confundir o amor com todas outras coisas do quotidiano. Importa sobretudo perceber que o Amor nunca pode passar de moda.

sábado, outubro 18, 2003

sábado à chuva

Adoro o Inverno. Porque cada dia de sol torna-se especial. Adoro a chuva que me abençoa quando saio de casa para mais um dia. Adoro estas tardes em que o chá me aquece a garganta e tenho por companhia os meus livros e as minhas histórias. E as histórias dos outros. E as memórias. Como vês, nunca estou só. Ñem numa tarde chuvosa como esta.

Volto

Volto a ti. A mim. Ao que ainda não somos e eu gostaria que já fossemos. Invento espaços, frases, corpos, beijos e momentos que poderiam ser nossos. Entremeio-os com a realidade e faço a nossa história. Sózinha?

E porque...

...hoje te vi...sorri. Com um desses sorrisos francos e abertos. Num dia cheio de cansaço, nervos e lágrimas. Num dia daqueles que queremos adormecer depressa e esquecer. Vi-te. Tive-te. Por momentos. Em horas de conversa desregrada. Em que pudemos falar de tudo. Pudemos até falar de nós. De nós. Isso existe? Ou é apenas mais uma invenção minha. Mas porque hoje te vi...sorrio.

Antes do resto...

Neste momento tenho mil e poucos visitantes no meu blog. Obrigado! A todos. Aos recentes e aos habituais. E ainda áqueles outros que ainda não me conhecem. Obrigado por me deixarem compartilhar os meus sonhos e pesadelos com vocês.

quinta-feira, outubro 16, 2003

Alcóol

Ontem quando era uma menina irrequieta que me pendurava nos ramos das árvores e me balouçava ao sabor da infância, caía muitas vezes. E magoava-me.Mas não fazia mal. Em casa, a minha mãe curava as minhas feridas com alcóol. Ardia, mas curava, garantia-me ela vezes sem conta.
Hoje, bebo um alcóol diferente. Que me faz arder por dentro. Que me queima. Mas infelizmente já não cura as minhas feridas. Tenho saudades de ontem.Porque hoje já faz mal cair. Não há alcóol para me curar.

terça-feira, outubro 14, 2003

Hoje

Hoje quando te vi. Estremunhada. As palavras mal me saíam e o meu corpo cheirava a sono e a sonhos. Sonhos sem ti, claro. Porque não posso sonhar-te.
Caí no teu abraço, nas palavras pequenas que me envolvem numa suave letargia pertencente ao hoje e ao agora. Agora que já acordei. Agora que já não estou contigo. Mas estive contigo, não estive? Acordada ou a sonhar?

segunda-feira, outubro 13, 2003

Mudanças...

Apetece-me dizer que estamos como dantes. Que somos iguais ao de antes. Que tudo se mantém. Sem mudanças. Sem cortes. Suspenso nesse momento de suspiros e quimeras. Que o agora e o depois vão ser iguais. Um beijo é apenas e só isso mesmo um beijo. Promete-me que é esta a tua realidade. É?
Ou o nosso beijo foi mais do que um beijo?

sábado, outubro 11, 2003

Quando partes...

Ainda partes. E ainda dói. Como doeu sempre. A diferença entre hoje e ontem é que já não te persigo. Nem sonhos. Mesmo que ainda continues a chegar e a partir. Já não sou o teu porto de abrigo. Não sou os braços que te acolhem aquando um qualquer desgosto de amor, não sou o carinho que adormece as tuas dores (tão físicas, por vezes), não sou sequer o silêncio que entremeia as tuas palavras, e as minhas palavras já não te podem ajudar a adormecer. Ainda partes. E ainda dói. Mas também eu já parti. E ainda dói.

De luz e sombra...

Movo-me eu entre sombras. Habituada à solidão de existir assim, tenho medo. Medo do amor. Eu que o defendo. Eu que o busco. Eu que morro de medo de o encontrar. Morro de medo da luz que me espera para lá destas sombras. Sei que ela existe. Mas tenho medo que me encandeie uma vez mais, me fira os olhos, ou me faça chorar. Ou pior ainda que depois de viver o amor, seja obrigada a voltar a estas sombras. Por isso e no entretanto, fico-me pelas sombras. Sem luz.

sexta-feira, outubro 10, 2003

O sofá

Foi a primeira coisa que comprei para a minha casinha. O meu sofá. Percorri imensas casas de móveis, mas não me conseguia apaixonar por nenhum sofá. Caros demais, grandes ou pequenos demais, pirosos, enfim vi de tudo. E no fim, quando quase desistia da ideia de ter um sofá na minha sala, encontrei-o. De tecido, cor pastel, é hoje o lugar perfeito, para as minhas noites enrolada em mantas, de olhos fechados, viajando ao som do "Claire de Lune" de Debussy e protegida pela memória dos teus abraços. No meu sofá.

De amor...

Falo quase sempre de amor. Do meu amor. Que é por vezes ilusão, saudade, tristeza, alegria, renascimento, partilha, entrega. E esse meu amor de que tanto falo e escrevo, não tem (ainda) um rosto por detrás do sentimento. Ou então tem vários rostos, várias histórias que quis que fossem as minhas... mas o amor tem a sua quota-parte de impossibilidade, por isso mesmo, não há ninguém por detrás do meu amor. Por hoje... amanhã quem sabe, se não é um dia diferente?

só eu

Já não alimentas os meus sonhos, os meus sorrisos ou os meus dias. Já cá não estás. Não é de hoje. Foi de sempre. Desde do primeiro dia, vou-me despedindo de ti. Hoje foi só mais uma despedida. Sem beijos ou abraços. Sem adeus. Mas mesmo assim, já não fazes parte de mim. Hoje. Só. Eu.