segunda-feira, junho 27, 2005

a distância que se percorre

são sempre os mesmos quilómetros. o mesmo alcatrão. as mesmas portagens. as mesmas estações. a voz rouca no comboio que me deseja uma boa viagem. como pode ser boa se assim que aqui entro já tenho sempre o tempo contado para voltar. e depois encontrar-te. estranhar-te como sempre. e relembrar-me aos poucos e poucos porque é que és tu o abraço que sempre me aquece. depois de novo a estação. ou a entrada da auto-estrada. a despedida. as lágrimas que caiem. porque custa sempre partir quando se quer tanto ficar. porque há distância. porque é assim. porque passamos tempo a mais despedirmo-nos.

terça-feira, junho 21, 2005

Quando partes?

Porque é que há em mim tanto de ti. porque ficaram as palavras. os gestos? as manias. as preferências, o riso, o sono e o sonho? porque te entranhaste na pele? sempre disseste que não ias ficar. que um dia ia ver-te partir. Ficaste, foste ficando como quem adia só mais um dia a partida.Agora sou eu que quero que partas. Quero poder acenar-te da janela e saber que foi mesmo a última vez que te vi. Que escrevemos entre nós tudo o que havia a escrever. não quero este quase. este meio que não acaba. este desespero de saber que amanhã vai ser um dia igual a tantos outros e que te vou sentir na minha pele. tatuagem. ferida.



Quando partes?

segunda-feira, junho 13, 2005

sexta-feira, junho 10, 2005

A ti porque ainda és sangue em mim

porque és a crosta que nunca cicatriza. o ar gélido da manhã. o café forte e sem acúcar, por favor. o anjo mau. a espera na paragem de autocarro. o ensejo. a locura depois da saudade. os diapositivos de uma paixão. o lento apagar de um cigarro contra o cinzeiro. porque há tempo. há sempre tempo para tudo, acredita. um dia voltaremos-nos a encontrar.a promessa guardada. no nevoeiro fugaz. cosi-o na na bainha da camisa branca. era minha ou tua? trocámos tantas vezes de roupa, de corpo e de alma que já não sei. o café sem acúçar. o frio da pele agora, és sempre tão quente e agora?


Agora ainda és sangue em mim. Só em mim.

terça-feira, junho 07, 2005


és pele ainda. Em mim. Fujo. Escondo-me. Encontras-me. es luz.Quero tocar. Queimo-me. Depois no fim as lagrimas. Sempre minhas. Posted by Hello

sábado, junho 04, 2005

Um amor impossível

Falamos de amor. Do que pensamos ser o amor. Das emoções que nos descontrolam a mente e por vezes também o corpo. Sentimos. Trocamos as voltas aos sentimentos e agora já não sentimos nada. Passou tudo neste instante em que o cigarro se apagou e a cabeça pousou descansada na almofada para finalmente adormecer. Depois de tudo. Dos olhares, dos sorrisos, das palavras trocadas em conversas infindas.
Tirámos todas as conclusões. As possíveis. E as outras que só fazem sentido em nós. À luz do nosso amor. Que é sempre impossível. Por ser nosso.
O de todos os outros seres mortais é possível. Só o nosso é que não. Nunca poderá ser...


...Porque tu simplesmente olhas-me e não me vês
... porque não me dizes as palavras que quero ouvir
.... porque não me beijas quando tenho saudades
não me abraças quando são dos teus braços que mais preciso


porque existe um tu
porque existe um eu
porque existe um eu sem tu


Somos o mais que podemos ser. Damos mais do que temos. E depois nunca consegue ser de amor o olhar do outro. O gesto do outro. É sempre imperfeito. Traz sempre um quase agrafado a si. Um laço que nunca dá o nó. Que nunca agarra o outro e que acaba, por sem nós nos darmos conta, nos enforcar. Com a força desse tal amor. Impossível. Porque é apenas nosso.


E nunca teu...


Nunca nos teus gestos paixão.
Nunca nos teus olhos desejo
Nunca nos teus actos redenção
Nunca.


Apenas o vazio. Do depois. Do que nunca chega a ser. Do silêncios que sabemos de cor. Das oportunidades que poderiam ser e que nunca chegarão a ser. Das opções que decidiram uma vida. Dos arrependimentos. Os caminhos que se parecem fechar. As apostas fecharam há uma hora atrás. Os dados foram lançados. Caminho sem volta. Amor impossível. Apenas...


porque existe um tu
porque existe um eu
porque existe um eu sem tu

quarta-feira, junho 01, 2005

Foste

Foste a areia que sempre me escapou por entre os dedos. o horizonte que não consegui alcançar. A tela que tentei pintar vezes demais. a oração que não quiseste ouvir. Foste tudo isso. O sorriso. A lágrima depois. O riso. O desespero. A razão. E ainda mais o coração. Foste o olhar, o beijo e foste as palavras encadeadas em conversas difíceis de terminar. Foste tudo isso.



Talvez mais. Decerto demais.