quarta-feira, julho 18, 2007

Cresceste...

sentada no sofá de joelhos flectidos e pose irreverente, é-me impossivél ter outro pensamento que não o mesmo de sempre: cresceste. há bem pouco tempo habitavas o meu corpo, depois o meu colo, depois os gritos e as discussões, agora habitas o lugar de melhor amiga. mas és ainda e serás sempre a minha filha. a pequena célula que conjuguei às vezes contra mim mesma. Cresceste. Bates-te pelas tuas vontades e acérrimos desejos. Cais, choras. Levantas-te e a minha voz está sempre do outro lado do telefone. Eu estou sempre aqui. Nesta sala vazia que já nem sequer me pertence porque raramente cá estás. Cresceste. Serás a mulher de que alguns homens falam e desejam. mas hoje, aqui, sentada no sofá, comendo uma fatia do teu bolo preferido, és só e apenas a minha filha. a minha pequena célula. a outra parte de mim.

* Á minha mãe, porque como todas as mãe, é a melhor mãe do mundo.

1 comentário:

marta disse...

Que lindo, Maria da Lua. Mais um texto capaz de tocar. Revejo-me sempre (mesmo quando não sei quem sou). Parabéns*